(6 anos atrás)
Lembro-me dos raios de sol, que invadiam a cozinha, adentrando pela janela localizada em cima da pia, através dela uma pacífica paisagem, estávamos na época das cerejeiras.
-Olha só quem chegou - Diz uma linda mulher de cabelos escuros como o carvão. -Você e seu pai não iam alimentar as carpas?
Minha mãe estava sentada à mesa, debruçada sob seu diário, ela nunca me deixava ler o que escrevia, dou a volta pela mesa, lhe entregando uma flor de cerejeira.
-O papai recebeu uma mensagem de um moço de tiara, mandou eu voltar e foi com ele. -digo emburrada, típico de uma criança. -Mamãe será que eu posso ir com o papai da próxima vez que ele for pra vila?
Morávamos afastados da vila, por conta do romance "proibido" entre uchiha e Hyuuga, como minha mãe não possuía a abilidade da família, diminuindo as chances de gerar descendentes que a possuisem, sua família não deu muita importância, a consideravam uma inútil.
A família do meu pai era mais tradicional, e tinha o costume de realizar casamentos entre integrantes do mesmo clã, para não perder o jutsu ocular da família, ele não era ninguém em especial, e não ocupava nenhum grande lugar hierárquico, mais cresceu junto e sempre foi muito amigo do líder da família, acabaram deixando, porém com a condição que os herdeiros fossem Hyuugas, não queriam correr o risco de entregar a herança da família de mãos beijadas para os Uchihas.
Minha mãe fechou seu diário, fez um gesto para que eu me aproximasse, ao realiza-lo ela me abraçou, ainda me recordo do seu perfume de pêssego, ela passa a mão na minha cabeça me olhando gentilmente.
-Um dia talvez eu mesma te leve. - Ela diz com uma áurea reconfortante, era sempre gentil, mais não queria a ver com raiva. Ela encara a flor que eu outrora lhe dera com um leve sorriso. -Quer me ajudar a fazer mochi Harumi?
-Só se eu poder escolher o recheio! -Digo animada.
Aquele foi um dos momentos mais felizes que já tive, cozinhando com minha mãe, enquanto fazíamos palhaçadas, meus olhos ao acaso avistaram a bandana do meu pai, pendurada em um armário.
-Mãe, porque a senhora não tem uma tiara.-pergunto enquanto moldava a massa do mochi nas mãos, embora uns saíssem bem desproporcionais e deformados.
-Não sei se faz o meu estilo, mas posso comprar uma pra você se quiser. -Ela fala enrolando a massa em porções perfeitamente iguais, quase como se as copiasse.
-Não não não, aquelas, igual a do papai. -A concerto.
-Ah... bandana meu anjo, eu já lhe contei essa história, na família da mãe só podia ganhar uma bandana se você tivesse a "marca" da família, embora sempre fosse o maior desejo da mamãe ser digna de ter uma.-Ela diz um pouco cabisbaixa.
-Quer dizer que não gostam da senhora só porque a senhora não tem poderzinho no olho? -Digo com cara de choro.
Ela dá um sorriso distante, como se lembrasse de algo na qual se sentira aliviada de ter passado, então diz coisas como "é melhor assim", ela merecia mais tempo de paz, mas do que aquela casa pôde lhe proporcionar.
A porta da casa, estilo tradicional japonesa, se abre, revelando meu pai com seus cabelos de comercial de shampoo, e o mesmo homem de manhã cedo, o rosto de ambos exalava um misto de incredulidade e preocupação, o homem então a chama por um nome que não se ouvia com muita frequência.
