Era o ano de 2021, e finalmente, após inúmeras batalhas acadêmicas, eu, Emanuel, conseguira transpor os desafios e alcançar a tão esperada passagem para o primeiro ano do ensino médio. Ao refletir sobre o rápido transcorrer da minha existência, uma sensação de vertigem me invadia, como se minha vida inteira tivesse se desenrolado num fugaz piscar de olhos.
A proximidade da reta final provocava em mim uma inquietação, um frio na barriga que ecoava a ansiedade diante do desconhecido. A perspectiva de ingressar em um novo capítulo da jornada me fazia questionar as relações que estabeleceria, consciente de que, provavelmente, não reconheceria ninguém ao meu redor.
Num impulso, a tentação de retroceder e abraçar uma vida de transmissões como personagem não jogável no TikTok surgia como uma alternativa tentadora. Contudo, a dura realidade se impunha, e eu me via obrigado a encarar a humilhação que a vida nova reservava para mim. O desconhecido era um território desafiador, repleto de aprendizados e transformações, mas também de incertezas que ecoavam como um lembrete constante da inexorabilidade do tempo.
Em um pequeno capítulo da vasta narrativa da vida, apresento-me como Emanuel Coelho Gaspar, um simples garoto moreno, cuja aparência se enquadra no que muitos consideram o padrão contemporâneo. Contudo, mesmo carregando essa etiqueta, admito que a perspectiva do presente me inquieta.
No limiar de uma segunda-feira, em pleno amanhecer, vejo-me compelido a embarcar no ônibus das 5:45 da manhã rumo ao início de mais um dia escolar. A ironia se revela quando, ao descrever essa rotina matutina, é impossível ignorar a desgraça que ela representa para meu sono ainda sonolento.
À medida que antecipo o desconhecido que me aguarda, sou envolto pela incerteza. A única certeza que carrego é que a escola, imponente em seu formato integral, promete uma jornada que transcende os limites convencionais. No entanto, o que se desenha à frente é uma incógnita, e o espectro da possibilidade de sair desse novo capítulo da minha vida mais traumatizado do que quando adentrei, paira sobre meus pensamentos como uma sombra persistente.
Ao desembarcar do ônibus, uma onda de alívio me envolve ao perceber diversas pessoas trajando o mesmo uniforme que eu. A constatação de que não cometi o erro colossal de pegar o caminho equivocado traz um breve consolo. Nesse momento, a ansiedade cede espaço para uma tranquilidade temporária.
Caminhando por entre rostos desconhecidos, finalmente, alcanço os portões da instituição educacional: "Senador Joselino De Teixeiras Andrade". O nome, repleto de formalidade e ressonâncias de eras passadas, ecoa como um suspiro da história. Enquanto me aproximo, não posso deixar de questionar a escolha desse título, que mais parece carregar a idade de um patriarca.
Ainda divagando sobre a possibilidade não realizada de pedir aos meus pais a liberdade de viver sem os grilhões da instituição escolar, percebo que a coragem para tal feito me escapou. A decisão de trilhar os corredores do "Senador Joselino De Teixeiras Andrade" revela-se como um pacto, uma troca de liberdade momentânea por um caminho predefinido e cheio de incógnitas. Às vezes, as escolhas que não fazemos falam tanto sobre nós quanto aquelas que realizamos.
À entrada da sala de aula, hesito, e então, como de costume, Galadriel surge. Ele é meu espírito tutor, uma entidade exclusiva à minha percepção, invisível aos olhos alheios. Seu aspecto é intrigante, um festival de características distintas. Todo azul, seus braços se metamorfoseiam em tentáculos, e espinhos pontiagudos emergem de sua cabeça e rosto, como se fosse uma obra de arte surreal.
A gaiola que envolve sua cabeça adiciona um toque peculiar, enquanto em seu tronco brotam caules e folhas, adornados por dois broches. Suas pernas, estranhamente finas e desprovidas de pés, sustentam o extravagante conjunto. Galadriel veste uma camisa de esqueleto, e nas costas, uma mochila exibe uma janela com um gato curioso.
"Já pensou em todas as novidades além desta porta?", indaga Galadriel. Minha mente inquieta responde, confessando incertezas sobre o que me aguarda. Ele, sempre perspicaz, sugere enfrentar os fatos e mergulhar no desconhecido. Sua provocação humorística, repleta de ironia, reflete a estranha simbiose entre nós.
É sinistro perceber que esse espírito, que é uma versão mais extrema e menos humana de mim, pode zombar da minha situação. Subitamente, Galadriel se dissipa, deixando apenas a familiar sensação de sua presença. Mas eu já estou acostumado com isso.
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Queridos Tutores
Teen FictionQueridos tutores conta a história de um Menino chamado Emanuel, jutamente de seu tutor (espécie de espirito que toma a forma de sua personalidade, e que tutoria com você toda a sua trajetória de vida). Nessa história iremos descobrir a vida de Emanu...
