PRÓLOGO

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Mia Carter 


Não passava muito das 5:40 quando decidi finalmente me levantar e ficar pronta para mais um dia na escola, tomo um rápido banho, faço minha higiene matinal e escovo meus cabelos, imaginando como seria se mamãe um dia me deixasse pinta-lo de azul, minha cor favorita. E seriam apenas algumas mechas, mas sei que mamãe é vaidosa e se preocupa com minha imagem e a imagem que passo dela, mas gostaria de poder viver meus momentos de adolescente comum, e para mim, colorir o cabelo é um desses momentos.

Desço as escadas de minha casa na esperança de que não encontre ninguém pelo caminho, especificamente minha mãe, está muito cedo para ouvir que eu deveria me preocupar mais sobre minha aparência. Encontro papai e Lily na cozinha, Lily está crescendo tão rápido, da última vez que me lembro ela não conseguia nem sequer subir na cadeira sozinha e hoje, ela já prepara a própria refeição com apenas 6 anos.

  - Bom dia, querida. - papai diz -  dormiu bem?

  - Claro papai, como um anjo. - digo não mentindo totalmente, pois hoje havia acordado com a sensação de que algo seria diferente, não seria mais um dia como todos os outros.


Tomo meu café um pouco depressa demais, tentando sair antes que esbarre com minha mãe. E assim faço quando escuto sua bela voz que soa como um guaxinim sendo sufocado vindo da parte de cima, lanço um beijo no ar para papai e Lily e sigo meu caminho. A escola é relativamente perto de minha casa, então não vejo necessidade de ser acompanhada pelo meu pai.


  - Por qual razão nos impedem de comer rosquinhas recheadas no café da manhã nesse refeitório? - ouço minha amiga Noah reclamar - É sério, qual o motivo? É cientificamente comprovado que o açúcar libera serotonina no cérebro, e eu preciso de toda ela pra aturar mais uma aula do Sr. Fitzgerald.

Conheço Noah desde que me entendo por gente, ela tem cabelos loiros e olhos tão verdes que eu mataria para poder me parecer ao menos um pouco com ela, não nos desgrudamos desde de que ela, no jardim de infância, mordeu um garoto que estava me chamando de esquisita para me defender. Cai entre nós, gostaria de ter um pouco da coragem que Noah tem antes mesmo de saber escrever paralelepípedo.

  - Você e eu sabemos que ele só pega no seu pé porque sabe que você é capaz de fazer mais. - digo a ouvindo resmungar e rolar seus olhos.

- Enfim, ouviu os boatos? De que um tem um novo garoto na nossa turma este ano?


- Ouvi, e torço para que seja mentira, não precisamos de mais um valentão naquela sala, Chuck cumpre esse papel muito bem sozinho.

Lembram do garoto que eu havia dito que Noah mordeu para me defender? É esse mesmo, Charles Cameron, mais conhecido como Chuck, que infelizmente convive comigo a mais tempo que eu gostaria, zombando de mim todo santo dia desde o jardim de infância, obviamente sei muito bem me defender, mas às vezes fico tão cansada de suas provocações que simplesmente desisto de me proteger dele, mas não significa que não fique magoada com as palavras grosseiras que saem de sua boca imunda.

Encerrando o assunto do garoto novo, Noah e eu seguimos para a sala, onde o Sr. Fitzgerald já se encontra em sua mesa.

Se passam alguns minutos para que todos entrem na sala a tempo do sinal soar, deixando o ambiente quase totalmente cheio.

  - E aí, Khalifa, como foram as gravações de ontem?

Chuck diz em mais uma tentativa de me insultar, associando meu nome ao da atriz de filmes adultos, Mia Khalifa.

  - Não sei, pergunte ao seu pai, ele se divertiu bastante. - digo com uma cara de quem venceu essa, quando Chuck faz uma cara feia e se manda da minha mesa.


Sei que o pai dele morreu quando Charles completou 11 anos, mas se ele não poupa esforços para me atingir de qualquer maneira, não vou agir como tola e deixá-lo sair por cima. E não é como se isso fizesse de mim uma pessoa má, isso me torna alguém que não deixa qualquer um chegar e dizer o que quer.

  - Sentem-se, crianças - Sr. Fitzgerald diz - como alguns de vocês já devem saber, a partir de hoje contamos com um novo aluno em nossa classe. - o professor diz e posso ouvir alguns burburinhos das garotas. E quando a porta da sala se abre, consigo entender o porquê.

E lá estava ele, Anthony Grayson, adentrando a sala e atraindo todos os olhares, tanto dos garotos que queriam ser como ele e das garotas que fariam de tudo para receber um segundo de atenção de Anthony.

Não é como se eu não o conhecesse, quer dizer, não pessoalmente, mas o nome Anthony Grayson percorre os corredores da Cascade High School a mais tempo do que eu poderia descrever, ele é definitivamente o cara mais popular de toda a escola, não importa o período de classe, qualquer um já ouviu falar em seu nome e o quanto ele era lindo, o que eu tinha minhas dúvidas, mas isso virou passado quando o mesmo se sentou na carteira de trás a minha.

  - Esse é seu novo colega de classe, Anthony Grayson. Seja bem vindo, Anthony. - terminou o professor, mas sequer prestei atenção, e como poderia quando estou sentada a frente do garoto mais bonito que já vi em minha vida, era quase como ver um anjo diante dos meus próprios olhos, um anjo caído.




As aulas terminaram e voltei para minha casa com só uma coisa na cabeça: o garoto de cabelos castanhos e olhos verdes. Ainda não havia me caído a ficha de que eu estava na mesma classe em que Anthony estaria a partir de agora, quando bati olhos nele, foi como paixão à primeira vista. Eu o queria para mim, mas sabia que isso nunca poderia acontecer, pois uma garota como eu não tem a menor chance com um cara como ele.

Tomei um longo banho na esperança de que todo pensamento que estava tendo descesse pelo ralo junto com o condicionador, mas não foi o que aconteceu. Totalmente frustrada, decidi que o que me restava era ler um livro de romance e me imaginar vivendo aquilo com Anthony, como se fossemos Romeu e Julieta da nova geração.

Até que uma ideia nada delicada se passa pela minha cabeça: e se eu fizesse minha própria história com Anthony? Escrever sempre foi um hobby meu, e se não tenho chance de ter aquilo, ou melhor, quem eu quero, por que não criar uma realidade em que eu possa tê-lo?

DelicateWhere stories live. Discover now