Acontece...

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Para a pessoa que me fez sorrir por três semanas, só para depois me fazer chorar feito uma criança de cinco anos arrependida...

***

Calor, inverno e chuva. Essas são as palavras chaves que resume boa parte de um sentimento que foi interrompido, mas, podemos afirmar, que esse sentimento não pode ser considerado menos verdadeiro por isso. Era real. Foi real... Havia três horas que Vinícius estava com Victor e vinha se apaixonando pelo jeito despretensioso dele a cada segundo que passava lentamente, acontece. Tudo naquele momento o fazia se sentir um adolescente de quinze anos, bobo e imaturo. Até o jeito que o cabelo cacheado de Victor ficava, amassado e com os cachos destruídos, fazia com que Vinícius se sentisse bem. Amava aquela visão, estava feliz e não queria que aquilo tudo terminasse. Queria beijá-lo até seus lábios ficarem dormente, então assim o fez. Quando o moço de cabelo cacheado foi embora, Vinícius se sentiu diferente, com saudades talvez. Adolescente. Logo marcou outro date para assistir O Exorcista, ou tentar pelo menos. A ideia foi mal sucedida porque eles só ouviram cenas aleatórias do filme e Victor ainda teve a audácia de criticar o clássico. "É chato, prefiro Invocação do Mal". Apesar do insulto, o jovem imaturo deixou passar e levou sua boca até o pescoço dele. Começou a beijar lentamente e logo foi ficando intenso... do gemido ao êxtase Victor implorou por mais e mais... queria sexo, mas Vini não quis, não naquele momento. Já tinha feito sexo casual diversas vezes. Mas, naquele instante, queria algo pessoal. Íntimo. Relacionamento talvez. Começou a conhecê-lo melhor, passaram dias falando sobre tudo e todos. Músicas, Penhasco 2, da Luiza Sonza. Acontece, do Jão. Séries, Game Of Thrones, The Vampire Diaries. Família, que de ambos eram complicadas. Relacionamentos passados, o que era mesmo bom deixar para trás. A saudade gritou e juntos estavam novamente, em uma lanchonete. Enquanto chovia forte em uma tarde qualquer, Vinícius se lembrava daquela tarde. Foi mágica e amarga. Sentiu ciúmes do garçom que não tirava o olho do Victor. Quando foram embora, precisou beijá-lo tão intensamente para disfarçar a sua própria insegurança. Insegurança. Ria entre lágrimas enquanto pensava naquele beijo. Idiota. Vale lembrar que, no Rio de Janeiro, nenhuma tempestade chega do nada, antes o sol brilha e esquenta forte, isso, às vezes, é um bom sinal que vem chuva por aí. Mas o clima entre eles realmente estava bem quente, e logo ferveu ainda mais. Durante uma maratona de filmes de terror, os beijos não foram o suficiente. "Sou todo seu", sussurrou Victor. E então aconteceu, no começo devagar... depois mais rápido... uma... duas... três vezes. Sexo era maravilhoso, mas sexo com ele era melhor. Vinícius quis dizer aquilo, mas decidiu só sorrir em seus braços. Bobo e apaixonado. Pediu para ele não ir, mas o moço precisava. "Estou apaixonado por você", confessou entre os dentes, com medo. Victor suspirou, sério, e respondeu que não sabia se o queria do mesmo jeito, que no começo até que queria, precisava. Só que deixou de querer. Mas não era nada pessoal, ressaltou sorrindo. Quando alguém gostava dele, gostava de verdade, ele parava de gostar. "É algo meu, acontece". Vinícius deixou as lágrimas escorrer pelo seu rosto quando ele saiu batendo a porta. Maldito! Nunca mais o viu, e, talvez, nem quisesse, mas... ainda sentia o seu cheiro. Inferno. Enquanto lembrava dos melhores dias de sua vida, resolveu, por instinto ou curiosidade, abrir a janela e sentir a chuva batendo em seu rosto junto com o vento gelado. Acabou presenciando o último dia frio daquele inverno que ficou conhecido como o mais quente em décadas, os cariocas iam à praia todos os domingos, mas, por um breve momento, pareceu que nunca mais iria voltar a esquentar.

História criada e escrita por Luy...

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