É só uma fase

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Ah, o verão... Quem não aprecia a estação calorosa de dias longos e céus limpos? Bom, tenho certeza que para essa pergunta, metade das respostas são negativas e é possível criar uma guerra civil entre as pessoas que preferem inverno e aquelas a favor do verão.

Seja de um time ou outro, para as crianças e adolescentes (e jovens universitários desempregados), o início do verão possuía um só significado: férias, a tão aclamada temporada de recesso escolar, após os dias tão difíceis dos exames semestrais. Ouso dizer, que apesar do regozijo do poder de "não fazer nada" por quase dois meses, muitas pessoas começam a se incomodar com a inércia após a terceira semana de preguiça. A monotonia ganha um espaço nas mentes ociosas, dando aulas para as paranoias e um cansaço que não é físico. A agitação faz-se necessária, o desejo por novidades, a saudade dos colegas de sala, ou apenas a falta de algo que ocupe seu tempo.

E, lógico, os pais e responsáveis se incomodam com a letargia jovem. Quem nunca ouviu dos pais, durante as férias, frases como: "Você não vai fazer nada de útil?" ou "Vai ficar no quarto o dia inteiro?". Talvez seja apenas preocupação, talvez exista dentro de cada adulto apenas a profunda e inconsciente inveja de estar no lugar de seus filhos, podendo esquecer das responsabilidades da vida adulta.

Essa "dor de cotovelo" que tanto aflige pais e cuidadores os levam a incentivar seus filhos a saírem de casa, aprenderem coisas novas, ou criar algum senso de responsabilidade. "Vá procurar algo para fazer", "Saía desse video-game", "Tira fone de ouvido, vai ficar surdo", entre outros mandamentos e "conselhos" encaixados na espécie de manual coletivo compartilhado por todos os pais e mães do mundo. Os jovens proativos se inscrevem em cursos, alguns se dedicam a hobbies autodidatas e outros são enviados - com ou sem vontade própria - para acampamentos ou colônias de férias, e é aqui onde inserimos o Purple Camp.

O acampamento de férias mais conhecido de Seoul, que recebia crianças e adolescentes de toda a Coréia do Sul por seu extenso e produtivo cronograma. Era localizado na área rural, em uma propriedade privada gigantesca, subdividida em vários setores que atendiam as necessidades dos mais diferentes gostos. Haviam grupos mistos e aqueles separados por sexo, além do critério etário ser bastante rigoroso. A posse do camping era da renomada família Kim, e praticamente todos os filhos, primos, e netos do fundador trabalhavam juntos em equipe, tanto nas férias de verão quanto nas de inverno.

As subdivisões recebiam o nome de constelações - afinal, o ensino da astronomia era valorizado ali para todas as idades -, e a mais famosa de todas era a de Órion, comandada por Kim Namjoon. O décimo neto de Kim Joon, o fundador do Purple Camp, possuía o dom de encantar os adolescentes que cuidava de uma forma jamais vista, e a maioria dos jovens que participavam de suas atividades voltava na temporada seguinte. Seus tios e primos tentavam aprender seus segredos, suas técnicas, dicas que pudessem ajudá-los a se aproximar tanto dos jovens como ele conseguia, contudo, nem mesmo Namjoon sabia ao certo o que o fazia ser tão especial aos olhos dos garotos e garotas. O homem de vinte e oito anos não via nada em si que fosse tão especial; ele era apenas ele. Ele não via a problemática dos adolescentes que a maioria dos adultos via e não compreendia, ou não sabia lidar, aliás, ele nem mesmo entendia como pessoas que já foram adolescentes tinham tanta dificuldade para entender os mesmos.

Afinal, "É só uma fase" - eles dizem. "Todo mundo passa por fases".

"Vai passar."

É realmente apenas uma fase? Não, não é apenas uma fase. Por isso, não há garantia que passe. Mas, calma! Não se desespere, não quando há muito o que ser compreendido, fatos que não eram para ser como segredos, no entanto, foram varridos para baixo do tapete da incompreensão.

Nossos adolescentes amam, estudam, brigam, trabalham. Batalham com seus corpos, que se transformam e mudam a cada dia; lidam com as dificuldades de crescer no quadro complicado das famílias modernas. Precisam enfrentar a adolescência, uma criatura um tanto quanto monstruosa, que não pode ser morta e tampouco é conhecida o suficiente para existir a arma certa que a derrube. Uma vez li que a adolescência é o prisma pelo qual os adultos olham os adolescentes e pelo qual os próprios adolescentes se contemplam. É uma entidade poderosa, objeto de inveja e medo, palco de sonhos de liberdade e pesadelos de desordem.

Purple CampWhere stories live. Discover now