Passado Sombrio

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Green Wood, 1860

O conhecido Virgil Kayne andava pelas ruas vazias de Green Wood. O barulho seco de suas esporas ecoava no silêncio da cidade adormecida, enquanto a poeira levantava a cada passo firme. Tinha vinte e poucos anos na época, rápido no gatilho, mortal na mira — e já carregava nos olhos a sombra de quem viveu mais do que devia.

Ao final da rua principal, avistou o saloon iluminado. Risadas e o brindar de copos escapavam pelas janelas, misturados ao som desafinado de um piano cansado. Virgil empurrou as portas de madeira, entrando sem pressa.

No fundo do salão, uma mesa de pôquer chamava sua atenção. Sentados ali, cinco homens riam alto, e entre eles estava Clay Rourke, um brutamonte conhecido por arrumar briga por nada, e membro de uma gangue chamada Os Sangue-Seco.

Virgil se juntou ao jogo, com o olhar frio e as mãos leves sobre as cartas. Jogaram por longos minutos, até que a sorte virou. Virgil perdeu uma mão alta e Rourke não perdeu tempo.

Clay: Aposto que está desesperado agora, peão!

Virgil levantou os olhos devagar, encarando o homem. A mesa silenciou.

Virgil: Você fala demais e tem um abfo desprezível - disse, em voz baixa -

Rourke levantou-se abruptamente, puxando Virgil pela camisa.

Clay: Você tá querendo morrer cedo caipira!?

Foi quando Kayne puxou o gatilho apontado na barriga de Clay

Virgil empurrou a cadeira pra trás e puxou o revólver com um movimento rápido como raio. Um tiro seco atravessou o peito de Rourke. Outro homem sacou a arma, mas caiu antes de puxar o gatilho. Em menos de vinte segundos, seis corpos estavam caidos sem vida no chão do saloon, o cheiro de pólvora e sangue tomando o ar.

As portas se abriram com estrondo. O xerife e dois delegados entraram com armas em punho.

Larga essa arma, Kayne! Agora!

Virgil ficou parado por um segundo, peito arfando, os olhos vazios. Então soltou o revólver, que caiu com um baque surdo.

Dois dias depois — Tribunal de Green Wood

O velho salão da prefeitura estava lotado. Bancos improvisados, cheiro de suor e poeira no ar. Não havia júri, nem justiça. Só um juiz sonolento, um xerife envergonhado e meia dúzia de cidadãos sedentos por um espetáculo.

Virgil Kayne estava algemado no centro da sala, o rosto marcado por hematomas e olhos duros como pedra. Mesmo preso, ainda parecia perigoso.

Do outro lado, três membros da gangue Sangue-Seco assistiam à cena com os braços cruzados e sorrisos maliciosos. O caixão de Clay Rourke havia sido carregado naquela manhã. Para Green Wood, isso era tudo que importava.

O juiz, um homem barrigudo de nome Harold Dunn, limpou o suor da testa e pigarreou.

Harol: Seis homens mortos. Três testemunhas. Um saloon destruído.
- Ele olhou por cima dos óculos, com desdém - Isso não é defesa própria, Sr. Kayne, isso é massacre!

Virgil: Eles me provocaram primeiro Sr. Harold... - Ele responde de cabeça baixa -

Harold: Não interessa quem começou o quê! - Exclamou o juíz -

O RenegadoWhere stories live. Discover now