1984, ano que conheci Lincon, o grande amor da minha vida. E quem diria que apenas uma conversa no bar mais movimentado da cidade daria em uma história de amor que dura há 39 anos.
Bom, o Lincon é a razão da qual eu preciso para estar vivo, e o que me motivou a vir escrever todas essas páginas que virá pela frente. Se não fosse por ele, ao menos não teria nenhuma disposição de abrir um computador e digitar todas essas palavras românticas. Pra falar a verdade, eu não sabia nem como mexer nessa máquina, meu neto Josh que está cursando informática foi quem me ensinou. Ah caramba, se não fosse pelos meus netos nada disso aconteceria.
Enfim, toda história precisa de um começo, e a minha com o Lincon tem uma. Uma bem agradável até. Tudo começou ali.
...
19 de maio de 1984, Seattle e o bar mais movimentado na época. Preciso de ir em algum lugar esfriar a cabeça, essas provas me deixaram maluco. Cursar medicina não tem sido nada fácil. "Quem sabe ir naquele bar místico com pessoas duvidosas novo que abriu na rua de trás" pensei, e logo em seguida decidi não pensar muito e ir, afinal, as pessoas que frequentavam ali não pensavam muito.
Eu refleti sobre as drogas e tudo de mais que acontecia lá, mas na faculdade os jovens costumam não agir de forma consciente. serei um jovem inconsciente. E eu já estava lá, esquina onde ficavam bêbados e várias pessoas se beijando e outras até mesmo se tocando.
Esperei chegar 20hrs, horário em que o bar abriria. Deixei as coisas prontas para a aula de amanhã, e me arrumei. Faltava 10 minutos para abertura. Eu adorava chegar em bares cedo para garatir o melhor lugar perto do balcão, mesmo sabendo que isso não fazia tanto sentido e que eu nem poderia beber tanto, já que tinha aula cedo.
Caramba, o bar já tinha bastante gente. Droga, os assentos no balcão estavam todos ocupados. Vou ter que ficar em pé? Mas eu odeio ficar em pé em lugares muito cheios. Todas aquelas pessoas encostando suados, e o barulho da música tocando. Ok Jeffrey, você veio para um bar e não para uma missa, é claro que vai ter isso, se quisesse calma estaria na igreja.
Decidi que pegaria uma bebida e ficaria em pé próximo ao palco, uma banda nova de adolescentes iria tocar lá aquela noite. Foi o que fiz.
Estava curtindo a noite e as músicas, mas alguma coisa me chamava atenção do outro lado do bar, e então, olhei e me deparei com um jovem muito elegante. Ele estava vestindo um suéter amarelo, e uma calça cargo jeans, e nos pés um All Star que parecia não ser lavado há dias. Ual, mas ele tinha os olhos tão bonitos, mesmo na escuridão do bar era possível ver o brilho. Acho que foi isso que me chamou atenção, sabia que estava sendo observado, era ele que não parava de me olhar.
Trocamos olhares por um bom tempo, mas não sabia se deveria chegar nele, não sabia nem se queria me envolver com alguém agora. Mas era impossível resistir aquele ser tão bonito que me olhava. "Se eu não for falar com ele, pode ser que nunca mais o veja". Ai caramba, eu estava sendo pressionado por mim mesmo a ir falar com um cara desconhecido só porque estava perdidamente encantado com sua beleza.
Não resisti, decidi tomar coragem e ir dar pelo menos um oi e perguntar se estava curtindo a noite, mas antes que eu fosse, vi ele vindo em minha direção. Aí meu Deus, e agora? Meu coração estava acelerado e eu tremia de nervoso.
- Olá!
O moço bonito disse.
- Oi.
Meu Deus Jeffrey, que oi mais sem graça, ele vai acabar indo embora. - Pensei.
- É a sua primeira vez aqui?
- Sim, é. Eu nunca havia vindo antes. Decidi experimentar alguma coisa nova já que os estudos na faculdade tem sido super corridos. Juro eu já não aguentava mais só estudar, estudar e estudar, sério, medicina é uma droga.
Puta merda. Eu não deveria ter falado tanto, acho que o assustei, mas eu to muito nervoso, não consigo me controlar.
Ele sorria. Tinha um sorriso muito doce e parecia ter compreendido tudo o que eu falei.
- Eu te entendo. Na verdade eu não te entendo, eu nem faço faculdade. Eu só disse que te entendo pra não parecer desinteressante.
Rimos, ual, trocamos de olhares mais uma vez, e dessa vez foi surreal.
- Eu tava te observando desde quando você chegou, eu nunca venho aqui para procurar alguém pra me relacionar. Mas ual. Você... -Ele olhou fixamente em meus olhos. - Você é tão bonito e diferente dos outros caras.
Eu não soube como reagir, apenas sorri.
- Também te achei bonito e seus olhos são muito lindos.
É sério, os olhos dele era muito lindo, acho que eu definitivamente era fã número 1 deles.
- Obrigado, quase ninguém me elogia assim.
- Pois deveriam, eles são bem marcantes.
- Tá afim de pegar uma bebida e ir conversar lá fora, essa gritaria toda me deixa maluco.
Ele sugeriu.
Eu topei, pegamos um drink, e fomos para a sacada. A vista de lá era possível ver grande parte da cidade iluminada.
Conversamos de tudo possível, sobre nós, o que fazíamos, e o que gostávamos. Mas ops, já era meia noite e eu precisava ir para casa. Precisava de descanso para os estudos.
Nos despedimos, e ele me passou o telefone da sua casa, eu com certeza ligaria para ele. Eu com certeza iria falar com aquele cara todo dia, ele era incrível.
- Foi bom te conhecer Jeffrey, e boa sorte com a faculdade.
- Foi muito bom te conhecer também Lincon, e boa sorte com seu pai.
Nos despedimos com um abraço e eu voltei para casa. Durante toda a noite eu só conseguia pensar em tudo o que conversamos e como ele era bonito.
...
Notas da autora: Parte dois galera? Espero que vocês tenham gostado desse capítulo, se tiver bastante engajamento, vou tentar dar o meu melhor nos próximos. É isso, um beijo.
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Amores Ao Fim de Bares
RomanceA história conta sobre a vida de um velho casal gay de senhorzinhos. Narrada por Jeffrey, proprietário da história, conta como foi a linda e longa trajetória do casal. Enfretando os tristes obstáculos que tiveram por serem LGBT em uma época preconce...
