Conto 1 - O Gênio e o Nada

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Certa vez conta-se que no Tibet

Existia um homem sábio e brando
Um daqueles gênios errantes
Que se ouve em todos os cantos

Com pranto e clamor constantes
Sabedoria sempre buscando.
Ora, ouve porém, Ella
Tu não vais crer neste conto:

Uma voz estranha em seu ouvido:
"Oineg?" - disse a voz enquanto,
"O que disse?", perguntou o Gênio,
"Oineg" repetiu a voz.
"O que isso quer dizer?
E mais que isso: quem é você?"

"Ó querido Gênio brando,
vim aqui só para te ver!"
Ergueu a voz do Jardim, e ouviu-se até o chão tremer
"Nada, é você?" Disse o Gênio, santo sábio do Tibet
"Interessante dedução"
Orou a voz e disse em canto:
"Eu sou o Nada, a quem tu chamas!"
"Ora, e desde quando o Nada
Faz perguntas tolas aos homens?"

"Não se vanglorie, e ouça minha prece
Acaso saberias, meu caro monge
Qual o contrário de Gênio?
Se acertaremos ganhas norte!"
"Deve ser por acaso, ignorante?
Porventura seria Inerte?"
Assim o Nada lhe respondeu, na lata:
"De que vale a vida se ela termina tão rápida?"

"E de que isso se trata?" Perguntou o Gênio
"O contrário de Gênio, é o Tudo,
E disso trata e já basta!"
"Mas o contrário de Tudo, não seria o Nada?"

"Como o seria, se o Nada inexiste"
"Como inexiste o Nada, se o Nada aqui eu ouço?"
"Sou apenas seu rastro, sua consciência.
O Gênio acha que é sábio
Mas em um instante se termina.
E sua mente e todo seu rastro
Com o pó, ali se finda"

"Mas não é nosso o rastro?
Não causamos vestígios eternos?"

"O que sobra é apenas lamento.
Da perda de um grande gênio.
Da morte ninguém vivo escapa
E a vida vive-se e passa,
Trazendo em si o lamento
De um gênio, que em si se acaba"
Disse o Nada, faturando a chegada.

E o Gênio custando a entender
Traçou em sua mente um plano
"O que sou senão seu passado?
O que sou senão os meus planos?
Minha vida transcende meu corpo
Sou apenas matéria de sonhos."

"O homem mortal é bem mais
Que o Gênio sábio do Tibet.
Pois o homem mortal não provou,
Do fruto do conhecimento.
Pois toda vez que de seu fruto prova,
De um paraíso,nós
Logo expulsos seremos "

Começando a entender
O Gênio então disse, supremo:
"À eternidade, não pertence o Gênio?"
"O Nada é a inexistência em si, ausência de Tudo
O Gênio é o fruto do fruto,
Desejo de ser Deus
Mas se faz cego, surdo e mudo
O Gênio é a manifestação do orgulho"

"Manifestações temporais
Não são elas mesmas que importam?
Pois se o ineterno inexiste
Como a eternidade é definida por ela?

Ora, é verdade que o Gênio opera vendado
Blindado e com tempo contado
Mas sua marca na história
Transcende a de todo pecado"

"Ora, mas será verdade?
Me diga então, caro Gênio,
Amante de todo embaraço,
Luz que vem e que passa:
Quem é o gênio da conta
Os que têm o conhecimento
Ou os que vivem na ignorância?'

"Devo dizer que pensando
Sobre isso um pouco me encanto
Há algo de estranho na réplica
Mas direi o que vem e me consta:
Ora o conhecimento
É a base de todo e qualquer gênio!"

"Me diga que dor e que pranto
Haverá no seu canto tonto
Ao descer ao profundo do inferno
Ao pensar no mais alto do céu
Ao sentir a maior dor desencanto
Ao pensar que há doce em teu fel!

Ora, Gênio enganado
Te digo e aqui eu te venço
Pois foi para ter conhecimento
Que Adão e Eva, viram lamento!

Te pergunto quem é que no fim tem senso:
Aquele que vive com Deus
Ou que peca tentando ser um gênio?
Ora, se os homens vivessem
Para sempre na ignorância
Todo pecado, dor e morte
Seriam senão nada em canta
Teriam sido evitados
Pois somos apenas anos

MAS EU, PARA O BEM: Pequenos Contos CristãosStories to obsess over. Discover now