Capítulo 1

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"A dança é uma forma de vida que conduzirá a humanidade a um crescimento permanente e a uma maior dimensão de nossa existência"

Ted Shawn

Palco iluminado, luz focada. Dançava rodopiando, me sentindo a criança que era quando fazia aulas de dança. Me imaginava numa arena, repleta de pessoas. Ainda que sentisse um frio na espinha ao pensar que era vislumbrada por milhares de pessoas, me sentia livre, poderia ser quem eu quisesse. Sem que tivesse alguém para amar, me sentia amada.

Dentro daquela hipnose ouvia a música lenta e compassada de um piano, assim como meu coração. Deslizava suavemente sob o assoalho de freijó macho/fêmea. De fato, flutuava perdida em pensamentos confusos e distantes. Arriscava alguns passos de balé os quais treinava quando tinha lá meus oito anos... Rodopiei levemente, me sentindo como a criança inocente e leve que era. Traçava passos por alguns metros sorrindo, num corpo que já não era que já não era mais este.

- Ele está atrasado.

- Sim, meia hora.

- Como ela consegue dançar? Estou uma pilha de nervos.

- É a forma que ela tem para tirar a tensão. Num giro arriscado, rodopiei e tonta tentei me equilibrar num só pé e fui amparada.

- Cuidado. Nem sempre terá alguém para te segurar.

A voz era firme e cuidadosa. Sorri ajeitando os cabelos que irremediavelmente caíram sobre os meus olhos. Cansada, eu respirava ofegante, saindo do transe em que me encontrava.

- É verdade, você sempre me protegendo.

- Está ansiosa?

- Está na cara não é mesmo? – meu sorriso era de constrangimento.

- Quem te conhece bem sabe que está, mas quem não conhece dirá que não está dando a mínima para o resultado.

- É verdade. Não consigo parar de pensar nisso. Você chegou agora?

- Não, há uns quinze minutos e pelo visto você nem percebeu. O trânsito não me favoreceu.

- Desculpa, estava distraída.

- Perdida naqueles pensamentos de sempre, acertei?

- Porquê são intitulados "pensamentos de sempre"?

- Porque são pensamentos os quais eu acredito que jamais irei saber. Mistérios além da minha bela capacidade de percepção.

- Sua bela capacidade de percepção?

Eram raros os momentos em que Fred esboçava algum comentário que lhe enchesse o ego, e, ainda assim, soava modesto e genuíno. Seu sorriso era leve, descompromissado. Estranhamente, aquele sorriso também era enigmático. Jamais saberia o que ele pretendia ao sorrir daquela forma. Num misto de sedução e figura angélica, era impossível não sorrir ao vê-lo sorrindo.

- Por favor, se reúnam a partir da primeira fileira para que possamos conversar. James tentava organizar os atores enquanto todos se aproximavam.

- Bom dia pessoal! Vamos nos reunir estou com o resultado em mãos. Dentre todas as dificuldades que passamos talvez esta seja a maior de todas. Passar pelos preconceitos e estereótipos os quais nos vimos pressionados, talvez tenha sido crucial na determinação para conseguirmos conquistar nossos objetivos. Foram tantos profissionais registrados, com fama e história, nosso teatro amador fez crescer os olhos de pessoas no ramo. A oportunidade que temos é única, e é nosso dever zelar por ela e fazer por merecer. Mesmo com tantas pessoas desacreditando em nós, alguém apostou no talento de cada um de vocês.

Me olha, me olha de novoStories to obsess over. Discover now