As nuvens acinzentadas que pintavam o céu pareciam ficar cada vez mais escuras e os sons dos trovões, ecoavam mais assustadores, logo depois de raios percorrerem a vastidão escura, clareando tudo ao redor.
— Está com medo dos trovões? – Um rapaz de idade entre doze a quinze anos fala, parado na porta de seu quarto. Pele negra, corpo franzino, usava uma camisa fina de cor vermelha e uma bermuda de cor preta. Seus cabelos finos e pretos estavam escondidos por um boné branco com uma árvore bordada nele.
— São apenas barulhos, Adam. – Outro garoto responde, pendurado na janela, era mais jovem, porém tinha traços que lembravam aos do irmão. Era mais rechonchudo e parecia desengonçado, também tinha pele negra e seus cabelos pretos eram bem enroladinhos, como macarrões-parafusos pendurados em sua cabeça. – Não tenho mais idade para ter esse tipo de medo bobo! Na verdade, eu estou analisando o caminho que os raios fazem no céu.
— Você tem dez anos, não aja como se fosse mais velho. Desce daí, a mamãe não gosta quando sobe nas coisas.
— Eu estou entediado. – O mais jovem deixa sair, pulando da janela para a cama, em uma acrobacia arriscada. Adam suspira.
O quarto dos meninos não era tão grande, mas continha duas camas, cada uma nos cantos opostos. Um grande armário, onde guardavam suas roupas e calçados, duas pequenas escrivaninhas próximas as camas e no chão, um grande tapete felpudo, que escondia o assoalho de madeira.
— Está usando o presente que te dei! – O pequenino comenta, ficando em pé em cima da cama. Adam sorri.
— Gostei dele, seu pestinha. Você me surpreendeu.
— É claro! Eu sou o seu irmão mais inteligente!
— É o meu único irmão, né Otto? – O mais velho arremessa uma almofada. – Olha só, já são 22hs, as criancinhas precisam ir dormir nesse horário.
— Eu não sou criancinha, então eu não preciso ir dormir!
— Hm, se os pais chegarem e te verem ainda acordados... Já sabe né?
— Eu tive uma ideia, Adam! – Otto se senta na beirada de sua cama. – Que tal brincar lá embaixo novamente?
— Não, não. O pai não gosta que fiquemos fuçando as coisas do antiquário, da última vez você quebrou um vaso raríssimo! E ele brigou comigo!
— Foi sem querer! – A criança cruza os braços, emburrado. Adam suspirou coçando o queixo. – Mas eu não tô falando do antiquário...
— Não. Eu entendi o que você realmente quer e é melhor ficarmos longe daquela coisa. – A voz do mais velho, agora estava cautelosa, Otto revira os olhos e se joga na cama, de olhos fechados.
— Você é chato, eu te odeio.
— Odeia nada, para de birra. – Ele se aproxima da cama do irmão mais novo e o cobre com o edredom. – Agora dorme vai, preciso estudar um pouco.
— Eu não quero. Vou ficar acordado a noite toda e vou dizer pra mamãe que você foi o culpado.
— Você não aguenta, meu irmãozinho. – Adam sorriu, afagando a cabeça do outro. – Olha só, já está até bocejando!
— Não estou não, você vai ver, eu não vou nem fechar o olho!
*
Otto sente algo em sua testa e seus olhos se abrem lentamente. Sua consciência voltando aos poucos lhe permitiam compreender onde estava e o que houve. Sente mais uma gota pingar em sua testa e assim, ouviu a forte chuva caindo lá fora. Ele, ainda atordoado, se senta na cama se xingando por dentro.
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O Enigma da Floresta
Short StoryA noite de dois irmãos muda para sempre, quando a exploração de uma realidade diferente e misteriosa lhes traz consequências inimagináveis.
