Fedyor nunca foi um bom ouvinte, me surpreende que ele esteja assentindo enquanto molda alguma lasca de madeira no formato que ele acha mais apropriado, que no momento é algo entre leão e volcra, tenho até medo de perguntar de onde ele tirou isso, já que estamos enfiados nessa floresta mofada e úmida há séculos.
Normalmente Fedyor costuma me mandar catar alguma coisa, obviamente inútil, ele diz que precisa de um segundo de paz do meu falatório interminável, velho ranzinza é o que eu digo sobre esse jovem senhor.
-Do começo – solto um suspiro exasperado e encaro a chama diante nós
-Você pode deixar de ser tão chato – resmungo chutando uma pequena pedra e o vejo me encarar intensamente. Ele ergue a pequena adaga na minha direção e estreita os olhos
-De. Novo. Alina. – me jogo deitada ao lado da chama e encaro o céu noturno
-Não é sua cabeça que esta na reta, raio de sol – abro os olhos vendo o mesmo parado ao meu lado me encarando irritado
-Não pode me chamar assim se não estiver querendo uns beijinhos, Fedyor – ele revira os olhos e agarra meus pulsos me erguendo
-Chega – ele declara e me faz olhá-lo – é melhor você abrir o bico – suspiro e encaro o fogo me desvencilhando com dificuldade, mas sei que só porque Fedyor permitiu, o homem é grande como uma porta, poderia me forçar a sentar e contar a verdade.
Mas Fedyor é um garoto legal e não importa quantas vezes eu fuja ele ainda sim não conta a Baghra e cuida de mim quando volto com algum ferimento grande demais para esconder, por mais que eu saiba que ele sempre sabe quando tem algo errado ou não, por mais que ele seja ótimo e que me mantenha segura e por mais que saiba que ele vai se encrencar se eu for pega, não consigo deixar de escapulir na calada da noite da cabana velha e mal cheirosa que chamamos de casa e ir me encontrar com a noite e tudo que a floresta adormecida pode me proporcionar.
-Sinto muito por ter fugido de você – resmungo o encarando enquanto afago o braço e encaro o fogo – me desculpe por quase me esvair em sangue e dar grandes problemas pra você – resmunguei e ele assentiu mantendo o rosto frio e irritado por mais dois segundos antes de suspirar e se aproximar
-O que vou fazer com você, pirralha – resmungou bagunçando meu cabelo e resmunguei empurrando sua mão
-Não sou pirralha – bufei o empurrando quando ele caçou minha cabeça para bagunçar ainda mais os fios morenos – eu tenho treze, já sou quase mulher – resmunguei e ouvi uma risada do mais velho -ei, pare de rir seu brutamontes – raiva coloria minhas bochechas e empurrei o garoto no abdômen sem surtir efeito além de outra risada do moreno – pare de rir – gritei quando raiva ferveu meu corpo e investi de novo contra o mais velho, mas dessa vez algo aconteceu
-Porra – gritou quando o clarão o jogou a dois metros de distância direto de costas na grama
-FEDYOR – gritei correndo até o moreno – me desculpe, me desculpe – repeti sem parar o ajudando a sentar – por favor, eu não fiz de proposito – lágrimas começavam a manchar minha visão enquanto eu checava Fedyor
-Ei, raio de sol – ele capturou minhas mãos me fazendo olha-lo, os cabelos um caos e o rosto lívido, mas mesmo assim ele sorriu pra mim – estou bem, Alina – solucei me jogando nos braços do garoto que se deixou ser abraçado por alguns segundos antes de resmungar algo e começar a se levantar
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The light and the stars - Darklina
FanfictionEu fui testada aos 8 anos em keramzin, Mal também foi testado, mas meu braço foi o único a demonstrar algum traço grisha naquele orfanato. Fui levada as pressas por tantas pessoas que nem posso lembrar, era tudo caótico e eu era apenas uma menininha...
