𝖅𝖊𝖗𝖔

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Ano 0

Ouço o som de um estrondo forte vindo de cima.

Mesmo agachada no chão, sinto as vibrações tremerem sob meus pés, como se o próprio mundo estivesse prestes a desmoronar.

A poeira entra pelo meu nariz, irritando os olhos, e quando olho para cima, percebo que o teto está à beira de ceder. Abraço minhas pernas, abaixo a cabeça em uma tentativa inútil de me proteger.

Soluços e lamentos cercam-me. Um medo sufocante preenche o ar, pesado, quase palpável.

- Peço que todos deem as mãos, rápido! - uma voz feminina ecoa por sobre o murmúrio.

Meu coração dispara. Sinto o sangue pulsar no rosto, um calor insuportável, mas também algo inexplicável. Em silêncio, obedeço, estendendo as mãos para aqueles ao meu lado, enquanto todos ao redor fazem o mesmo. O círculo se fecha, nossos dedos trêmulos unidos pela mesma angústia.

Sob a penumbra, vejo uma jovem se erguer no meio de nós. Ela se move com uma confiança quase sobrenatural, abaixando-se apenas o suficiente para caber naquele espaço apertado. Mesmo na escuridão, sua presença é inconfundível.

A luz fraca ilumina sua pele negra, que reluz como a noite em sua profundidade e mistério. Ela brilha, emanando uma aura que faz meu coração congelar e, ao mesmo tempo, palpitar mais rápido.

Suas vestes, embora marcadas pelo ambiente de guerra, não escondem a força e a graça de seus movimentos. Seu cabelo, branco como a luz mais pura, cai em cachos apertados, perfeitos como molas que desafiam o caos ao nosso redor. É irônico como, em meio a toda essa poeira e escombros, seu cabelo permanece intocado, imaculado.

Por um momento, fico paralisada. Nunca imaginei presenciar algo tão divino, uma figura que exala força e delicadeza em igual medida.

A jovem ergue as mãos ao alto, e sua voz surge, baixa e firme, entoando palavras que não compreendo. Sua voz cresce, ritmada, cada sílaba como uma batida de tambor, pulsando em nossos peitos. Ao seu comando, nós, todos juntos, começamos a murmurar junto a ela, repetindo um canto suave, uma melodia assombrosa que preenche o espaço.

Sinto a temperatura do ambiente mudar, o ar ao redor torna-se denso e vibrante. Cada palavra dela soa como uma promessa, um sussurro de poder que reverbera nas paredes. O chão sob nós vibra, e as sombras ao redor parecem oscilar, como se respondessem à sua presença.

- Segurem firme... não parem de cantar... - ela diz, e algo em sua voz é como um comando, uma súplica e uma despedida ao mesmo tempo.

Meu corpo parece queimar de dentro para fora, o calor em mim cresce, mas a dor não é física. É como se o próprio ar ao nosso redor estivesse sendo rasgado, e eu pudesse sentir cada fibra dele sendo puxada para longe deste lugar.

Então, um clarão de luz ofusca a sala. Ouço o eco de algo se rasgando, um ruído entre dimensões, entre mundos. A escuridão que antes nos envolvia é substituída por uma nova escuridão, mais profunda, mais densa - e então, silêncio.

Sinto algo faltar. Meu peito aperta, e percebo que estamos a salvo, transportados para outro lugar. Mas a figura à nossa frente, a mulher de luz e sombras, não está mais conosco. Ela deu tudo de si para nos salvar... e agora, só resta o eco do seu sacrifício.

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Oi oi pessoal, sejam muito bem vindos a esse universo, espero que essa breve introdução tenha atiçado a curiosidade de vocês em descobrir um pouco mais desse universo fantástico
Amo todos!
Beijos Lunares e até a próxima 🌑🤍

Lua Minguante - 1° Livro da Série Eras da LuaDonde viven las historias. Descúbrelo ahora