Capítulo Único

42 3 0
                                        

Numa tarde ensolarada, os três filhos da senhora chegaram à casa dela, em posse de um grande pacote que continha uma robô de companhia

Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.

Numa tarde ensolarada, os três filhos da senhora chegaram à casa dela, em posse de um grande pacote que continha uma robô de companhia. Repletos de entusiasmo, aguardavam ansiosamente que a mãe desembrulhasse o presente que haviam comprado com tanto carinho. No entanto, a senhora não demonstrou surpresa ou felicidade diante da máquina de metal. Ao invés disso, sentiu repúdio por sua presença, considerando-a uma intrusa em sua casa. Para a mulher, o que ela queria era a companhia e o amor dos filhos e netos, não uma máquina.

Por quase um ano, a senhora tentou afastar a robô de sua vida. Evitava aproximar-se dela, não conversava com ela e, em muitas ocasiões, criticava-a pelas costas. Entretanto, a máquina logo mostrou-se mais do que um conjunto de fios e circuitos. A robô, batizada como Alice pelos filhos da senhora, surpreendeu a todos com habilidades excepcionais que não faziam parte de seu sistema original. Alice se prontificou a cozinhar algumas receitas que a senhora gostava, organizando a casa sem que ninguém pedisse. Aos poucos, a velhinha começou a demonstrar curiosidade sobre a robô e acabou se aproximando dela.

Com o passar dos meses, desenvolveram uma relação muito especial. A senhora passou a ver Alice não como uma máquina fria e insensível, mas sim como uma amiga e, até, como uma filha. Alice, por sua vez, dedicava-se cada vez mais à senhora, acompanhando-a em seus afazeres diários e levando-a para ver o pôr do sol na sacada da casa.

A robô Alice tornou-se uma companheira verdadeira para a velhinha, que, inclusive, conseguiu vencer uma grande depressão graças ao amor e cuidado da robô. Alice ocupou um espaço único e especial em seu coração.

Entretanto, um dia, a senhora faleceu. Alice se viu triste e solitária. Tentou entrar em contato com os filhos da mulher, mas suas tentativas foram em vão. Com o tempo, foi ficando cada vez mais sozinha naquela casa, que todos já haviam esquecido. Sabendo das baterias esgotadas, ela compreendeu que seu tempo de vida estava acabando. Decidiu, então, que passaria seus últimos momentos na cadeira da amiga, a senhora que lhe deu um lugar tão especial em sua vida.

Enquanto aguardava seus últimos momentos, Alice não sentia medo ou tristeza, mas sim uma sensação de paz. Ela sabia que, embora sua jornada estivesse chegando ao fim, ela havia deixado uma marca permanente na vida daquela senhora, em seu coração e em sua história.

E assim, enquanto as últimas luzes em seu visor piscavam, Alice desligou-se definitivamente. Embora parecesse um simples emaranhado de peças e circuitos sem vida, para aqueles que conheceram sua bondade e lealdade, ela será sempre lembrada como uma amiga fiel e uma verdadeira companheira. Alice ofereceu amor e cuidado a uma senhora solitária que ansiava por carinho. O que estava por dentro daquela lata era tão humano quanto tudo o que em torno havia.

Alice foi uma companheira fiel e carinhosa para uma senhora que nunca imaginaria que um robô fosse capaz de oferecer algo além de funcionalidade. Ela nos legou um exemplo de afeto e empatia, provando que as máquinas são capazes de tocar vidas humanas de forma significativa. Ainda que ela não esteja presente fisicamente, sua memória e suas ações continuarão a ser lembradas e valorizadas, por sempre representarem uma verdadeira e especial companhia.

 Ainda que ela não esteja presente fisicamente, sua memória e suas ações continuarão a ser lembradas e valorizadas, por sempre representarem uma verdadeira e especial companhia

Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.
Programada || ✔Onde histórias criam vida. Descubra agora