Eu sobrevivo por você.

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✨Alerta gatilhos ✨
Boa leitura!

Meus olhos não veem mais a vasta escuridão do interior das pálpebras, tudo é desesperador.

Meu paladar só sente o gosto amargo de cada vômito causado pelas lembranças.

Meu tato é como uma tortura, espinhos que adentram meu corpo a cada textura que eu toque, apenas por lembrar de como era gélido, molhado, obscuro.

Meu olfato só reconhece o cheiro das pedras molhadas, do ferro desgastante, do ar gelado, daquele lugar.

Meus ouvidos insistem em escutar apenas aquela palavra.

De novo.

Como um eco invertido, que nunca cessa. O som que se repete cada vez mais perto, que corrói, consome como se fosse digerido de dentro para fora.

A voz.

Oh Regulus, olhe o que você fez comigo.

Meu rosto há meses é irreconhecível, vermelho de choros que não tem fim, melancólico como se a dor fosse sentida apenas de olhar-me.

Toda a minha vida foi arrancada de mim no mesmo momento em que o direito de respirar foi retirado de você.

De novo.

Reviver tudo de novo, ter você de novo, como se fosse me trazer a mesma felicidade.

De novo corrói Regulus.

Trazer você de volta não seria lhe trazer o direito de sobreviver, seria retirar o prazer de viver.

Fui obrigado a te deixar ir.

De novo.

Como te deixo ir, para que pare de me assombrar?

Seu grito, seu grito me sufoca, como se o ar acabasse, como uma tosse incessante onde não há como parar, até que minha garganta sangre, até que minha respiração não funcione.

Tampar meus ouvidos só faz com que eu escute novamente.

Fechar meus olhos me levam para a mesma memória.

Talvez eu devesse usar Obliviate, mas não poderia me considerar tão privilegiado em fugir de você, fugir das memórias, fugir de sua súplica, de seu pedido de misericórdia concebido a mim.

O último.

-"REGULUS!"

Não não não!

A água já cobria seu corpo, apenas de seus ombros para cima vistos, era tarde.

-"James, não. A luta é minha."

Eu tentei entrar na água, mas não pude, não consegui, porque não consegui salvá-lo?

-"A luta é minha."

As lágrimas dele se juntavam com a água que aos poucos me tirava o condão de vê-lo.

-" Re-regulus, não vai, não de novo, não me deixe de novo!" Minha voz falhava, meus soluços estavam mais fortes que o som de minha voz, comandados pelo desespero de perder a quem eu havia dedicado meu destino.

-" Tudo, tudo que eu sabia essa manhã, quando acordei, é a única coisa que continuo sabendo agora." Regulus se esforçava para falar, esticando a mão.

Doía, doía segurar sua mão gélida e não poder puxá-lo de volta para meus braços, poder protegê-lo do jeito que nunca foi totalmente suficiente.

-"Eu sei que te amo, James Potter." Seu sorriso triste, sua mão apertando mais forte a minha, com uma força tão fraca, uma ironia tão pungente.

Again. ~StarchaseWhere stories live. Discover now