Pitbull
Bangú, Rio de Janeiro..
Segurei o fininho entre meus dedos e direcionei até meus lábios. Puxei a fumaça e liberei o gás lentamente no rosto da loira emburrada na minha frente. Ela manteve o olhar preso ao meu, como se quisesse me intimidar. Seus cabelos enormes e brilhosos chamavam minha atenção, eles tampavam metade do seu rosto coberto por uma leve maquiagem. Seu corpo está desenhado em um vestido colado rosa que combinava perfeitamente com a sua pele branca, feito neve. O peito com o desenho do biquíni com a tatuagem que eu me amarro no meio é impecável. Minha mulher. Minha Lara.
Lara: Flávio, você vai falar ou não? - perguntou. Sua voz séria e autoritária expoe sua irritação. - Quem é a mulher que te visita frequentemente? - dessa vez por pouco ela não gritou, mas pude ver a decepção no fundo dos seus olhos. - É exaustivo tentar confiar em você, até preso você não para de me machucar, não para de querer tirar onda com a minha cara. - seus olhos brilhavam, as lágrimas já estavam se formando neles, até que ela levanta da cadeira batendo na mesa. - Chega! isso não é para mim. Você não vai continuar fazendo o que quiser comigo. Se quiser pegar as suas putas, pega solteiro. - balancei a cabeça de um lado para o outro, apenas analisando suas ações.
Como essa parada chegou no ouvido dela eu não sei, mas tenho certeza que quem explanou não vai ficar vivo por muito tempo. Esses tipos de coisas eu preservo e deixo entre sete chaves, e não é qualquer pessoa que tem acesso. É sigilo principalmente por isso, porque eu me importo com ela e sei o quanto esses bagulho mexe com a cabeça dela. Minha vida nunca foi história pra está na boca de geral. E se tem uma coisa que me deixa puto é estragar minha relação com a Lara.
Pitbull: Senta e escuta. - foi a primeira coisa que falei depois que ela começou com esse assunto. - Quem te passou esse papo de mulher, Lara? - Ao escutar minha voz pela segunda vez, ela parou de andar e olhou pra trás. - Já te falei que comigo as coisas não funcionam assim. Você grita, surta, mas tem que ter fundamento. Nunca faltei o respeito contigo, você sabe mais do que ninguém que pode acontecer tudo, mas você é a última pessoa que eu vou machucar. Tá maluca? - ela se virou, pronta para me dar uma resposta. - Não terminei. Mandei você escutar.
Lara: Mandou? Não vou escutar porra nenhuma. Antes de querer falar alguma coisa, para de mentir. Não sou idiota. - voltou a se aproximar da mesa. - Maluco tá você achando que vai conseguir ficar me enganando. Já foi época, Flávio. - estalou o dedo 3 vezes. - Tudo que eu fiz até hoje foi confiar e tudo o que recebi foi dois chifres, por ser burra. Porque você está preso e mesmo assim não descansou para me respeitar nem que fosse por alguns meses, enquanto eu fico em casa chorando por você, cheia de homem doido pra ter tudo que você tem e não valoriza.
Pitbull: Que homem? Ninguém é maluco de tentar alguma coisa com você. Todo mundo naquela porra me conhece. Que papo de piranha é esse? - me alterei e já pude perceber o medo no seu olhar, mas ela continuava com a pose. - Vai tomar no seu cu. Não me tira da razão, filha da puta. Você me conhece, Lara.
A Lara sabe o meu ponto fraco, do mesmo jeito que sei o dela. O que me impede de usar a chave da virada, fazendo essa discussão acabar é saber que ao contrário de mim ela é frágil e nunca sabe lidar. É como se eu fosse um adulto filho da puta discutindo com uma criança fazendo birra por um doce. Não vale a pena.
Lara: Acabou, Flávio. Me esquece. - ela virou as costas e foi embora, ignorando as minhas ordens para ela voltar e me escutar.
[...]
Pitbull: Filha da puta. - Joguei o celular na cama para descontar o ódio. Estava horas ligando para ela e nada dela atender. Não dava nem dois toques e ela cancelava. - A hora dela vai chegar e eu não vou ter pena dessa filha da puta. - em um ato rápido, soquei a parede de concreto mofada e vi alguns pedaços de reboco caindo no chão. Só precisava daquela dor.
Neurose acabava com meu psicológico. A Lara me conhece, sabe o quanto eu sou capaz de me tortura ou tortura alguém pelas coisas que só a minha mente consegue pensar. E sempre foi a primeira a testar minha fé. Bastava ter uma briga comigo que ela facilmente se transforma em uma versão que eu odeio. Aquela tradicional de uma patricinha criada por pais narcisistas, com todas as suas vontades feitas na hora. Isso me tira do sério. Porque ela grita e não quer escutar. Ela bate e quer ter a razão. Ela criou a merda de um mundo perfeito na cabeça e acha que as coisas não podem ser diferentes do que ela pensa.
E eu tive a conclusão de que as coisas tinham saído do meu controle quando a foto dela com o babaca daquele ex merda veio parar nas minhas mãos. Meu sangue ferveu e a única coisa que acalma minha mente é saber que faltava pouco para colocar todos os pingos nos "i".
