Sempre digo que o corpo é um lugar hostil, que nos arrasta para situações bastante singulares.
Hoje em dia sou muito silencioso e discreto, não sinto mais abertura para gostar ou me apaixonar.
Diria que me tornei assexuado, porque as únicas coisas que me excitam estão fora das pessoas.
Amo escrever, mas escrevo sempre para uma única pessoa, escrevo para meus sonhos.
Ou melhor, escrevo para espalhar sobre a mesa, meus sonhos, minhas fantasias, meus medos, minhas angústias e defeitos.
Acho que essa é a melhor explicação, escrevo para abrir o armário de tudo o que tenho acumulado durante muito tempo.
E as visões do meu mundo particular podem assustar ou apenas provocar sensações inesperadas.
Devo tantas histórias para vocês, talvez essa seja a ocasião de contas algumas delas.
Um dia por vez, durante quem sabe quantos dias... Em breve é meu a aniversário (16 de março) eu desejo me abrir, girar a chave do meu quarto alugado e dizer "podem entrar..."
Entrem e sintam-se a vontade.
Ou como é recorrente na minha filosofia, esqueçam quem vocês são, esqueçam quem eu sou, e se permitam ser e viver qualquer outra coisa que não depende de nada além da imaginação.
Camadas
Comprei uma camisa transparente de renda, gosto do meu corpo apesar de ser um gostar muito peculiar, porque eu não me sinto eu mesmo o tempo todo, sou eu e outros, sou eu e muitos (Pirandello explica...).
Estava em um mercado comprando umas cervejas quando um rapaz veio puxar assunto comigo sobre a música que tocava, não lembro exatamente se era Miley Cyrus ou Rihanna (apesar de ter quase certeza que era a Miley) e ele disse que tinha fugido de casa, que a mãe dele evangélica achava que ele ser gay era coisa do demônio e apesar de ser uma história plausível, existia alguma mentira naquele discurso.
Ele perguntou porque eu usava sutiã, pois é, eu precisava esconder meus mamilos apesar de não me ser proibido andar por aí desnudo dessa forma, mas estava assim porque eu queria estar assim.
E ele pediu meu celular emprestado para fazer uma ligação, o diálogo dele parecia de algum cafetão que estava negociando a renda daquela tarde. Ele ainda brincou dizendo que estava ligando para uns agiotas que poderiam matar ele, ele disse tudo num tom que achei um deboche bem divertido.
(... Me despedi com um beijo no rosto e peguei o ônibus para o terminal).
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