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Eram exatamente 17:17 da tarde.

Havia ao todo 22 crianças ali.

Os preparativos da festa junina estavam sendo organizados no centro da praça, localizada na cidade do São Paulo Do Potengi.
Como era uma cidade pequena, uma festa junina dessas se tornava um grande evento na cidade.

Os que poderiam participar eram apenas as crianças, porém, minha mãe dizia que eu não poderia deixar de participar desse evento mesmo já tido completado meus 10 anos... Eu já não sou uma criança.

Ela achava que iria ser um bom momento para se lembrar no futuro.

Ela estava errada.

Apenas me animei para dançar quadrilha quando disseram que a Mikarla iria ser meu par.

Eu gostava dela..

Eu sei que não era aqueles tipos de sentimentos de amor profundo e eterno, mas sim, um carinho que sentia por ela.

Passei alguns minutos me impulsionando com os pés para frente e para trás no balanço da praça.

Dava para observar os formatos das nuvens de onde eu estava, então apenas aproveitei o tempo.

Agora eram exatamente 17:30, a hora exata que tinha sido marcada a dança.

Não demorei para me levantar do balanço, apenas me direcionei a encontrar Mikarla.

Os adultos estavam focados em organizar as posições das crianças, e quando me viram, me botaram lá no meio delas.

Por poucos segundos permaneci calmo, mas quando olhei ao redor, todos estavam com seus pares, apenas eu que estava só.

Eu olhava para todos os lados em busca de encontrar Mikarla, mas ela não estava lá.

Eu comecei a me desesperar.

Mikarla
não
estava
lá.

Um adulto percebeu meu nervosismo e veio pergunta o que tinha acontecido.

Eu disse que Mikarla não tinha vindo e tinha me deixado sozinho.

Eu não sabia o que fazer, apenas fiquei o encarando esperando que ele fosse encontrá-la. Afinal adultos servem para isso, resolver as coisas.

Ele olhou pros lados a procurar de algo, e sem muita persistência o seu rosto volta em minha direção novamente. Sua expressão estava monótona e disse:

- não vai dá pra você dança - ele me encara falando como se não fosse grande coisa - não tem outra criança sobrando para dançar com você.

É visível que os meus olhos querem começar a lacrimejar.

- e Mikarla? - meus olhos brilham com um pouco de esperança.

- parece que ela não veio - responde o homem, AINDA com a expressão monótona.

Ele estende a mão para que ele me leve para fora do local que acontecerá a dança.

Mas eu recuso, estou muito triste para olhar para ele.

- eu quero a minha mãe - minha voz sai trêmula.

Não faço cerimônias, começo a chorar incontrolavelmente, eu não entendo porque estou tão chateado com aquele homem, mas sei que não quero ele na minha frente.

Ele novamente estende a mão em minha direção para me levar embora.

Mas eu recuso novamente.

- cadê a minha mãe? - digo mais uma vez.

- nós vamos procurá-la - ele se aproxima - mas preciso que venha comigo se quiser encontrar sua mãe.

Ele ainda estava com AQUELA expressão monótona, mas um sorriso amigável aparece em seus lábios.

Como ele podia está tão tranquilo sabendo que estragou tudo?

Isso não me acalmava, mas de um jeito ou de outro eu precisava ir encontrá-la, e aqui ela não está.

Ele estende novamente a mão, mas dessa vez eu aceito.

Minhas lágrimas param de descer. Agora só estou soluçando e tentando limpar meu rosto molhado por elas.

Elas são salgadas.

Enquanto nós caminhamos, eu não presto atenção na movimentação, apenas olho pro chão e tento não começar a chorar denovo.

Estou muito triste que Mikarla não tenha vindo, será que aconteceu algo com ela?
Ela está doente?
A mãe dela não deixou vim?
Teve que viajar?
Ela não queria dançar comigo?

Meus pensamentos desaparecem quando avisto minha mãe, ela estava sentada conversando com outras mães.

- mãe! - falo alto.

Me largo da mão do homem que me levou até ela, e corro em sua direção.

Ela me olhar assustada, dá para perceber que ela não esperava isso.

- o que ouve Theo? - ela me pergunta.

- Mikarla não veio! - digo entre soluços - a senhora disse que ela ia vim! - reclamo.

Ela tenta responder de alguma maneira lógica.

- ela não deve ter vindo por questões familiares - ela mente.

Eu ainda estava triste mas acreditei, não tinha o porque dela não vindo se não fosse por isso.

Minha mãe agradece ao homem que me trouxe e se desculpar pelo incoveniente.

Não gostei dele.

Minha mãe me coloca no colo e pergunta se já estou melhor, ela diz que eu não precisava ter chorado por causa disso.

Eu não entendo o porque ela disse isso, Mikarla tinha me magoado, então eu iria chorar para me acalmar.

Minha mãe explica que e por causa de eu já está crescendo, e não deveria chorar por motivos bobos, ela completar dizendo que valia mais a pena chorar por comida do que por meninas.

No mesmo momento sinto minha barriga roncar.

- minha barriga tá fazendo barulho - falo para ela enquanto limpo minhas lágrimas.

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⏰ Dernière mise à jour : Feb 11 ⏰

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