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Pierre Martin, dono de uma das maiores empresas de cosméticos da França, morreu há cinco dias. Foi encontrado morto no jardim de umas de suas casas em Occitanie. O motivo não foi revelado pelas autoridades mas as fofocas rondam as ruas frias da cidade. Dizem que ele foi envenenado, outros acham que foi esfaqueado, mas, a verdade é que ele lutou contra a morte até o final, lutou com o homem que o matou sufocado, enforcado, tirando-lhe as palavras, o ar e a vida.

Monique Martin, a viúva, passou exatos três dias trancada em seu quarto, em prantos, recusando tudo e todos. Mas saiu do cômodo no quarto dia, totalmente destruída, porém não largava sua pose de indestrutível, somente os funcionários da casa e seus filhos sabem de sua fraqueza. Diante das câmeras, reuniões e advogados ela sempre está impecável, com suas roupas pretas e óculos escuros, escondendo as olheiras fundas.

Meu irmão mais velho, Luca, está tão destruído quanto nossa mãe, não era tão próximo de nosso pai, mas o ama muito assim como todos. Ele está tentando lidar com isso de uma forma madura, arcando com suas novas responsabilidades de herdeiro das empresas, contudo a tristeza o arrebata diversas vezes e é para o meu colo que ele corre, para chorar feito criança perdida no parque e eu sempre o acolho, choramos juntos e depois ele vai embora agradecendo de forma cordial. Prometendo voltar com mais frequência, mesmo que seja mentira.

E eu sou Maia Martin, a filha mais nova dessa família destruída. Há cinco dias eu tento esquecer tudo, tento a todo custo seguir como se estivesse bem. Mas eu era excessivamente próxima de meu pai, mesmo que da família eu seja a que morava distante em um bairro normal e afastado da França, a mesma cidade onde meu pai morreu, ainda sim, ele era meu norte, minha luz, meu refúgio e daquele dia em diante eu estava sozinha, tendo que aturar a imprensa, minha mãe e todas as minhas outras obrigações. Estou prestes a explodir. Não quero ter que falar com todas aquelas pessoas enxeridas com suas perguntas duras e frias. Quem cacete pergunta se eu estou feliz por herdar quase tudo? Quem meu Deus?

-Maia, você está distraída de novo. -Sophie diz tocando em meus ombros. -Tem certeza que não quer ir embora?

-Não se preocupe, eu só estava pensando. -Falo me alongando na cadeira. -Tem muita coisa para ser resolvida essa semana.

-Você sabe que tem que descansar em casa um pouco, o luto pode te cansar. -Sophie diz preocupada.

-Sop, se eu for para casa vou enlouquecer, preciso me ocupar. E outra, o fantasma dele ainda me persegue...-Massageio as têmporas, estou exausta.

Sophie é quase como uma melhor amiga para mim, trabalhamos juntas no meu escritório e isso fez com que nos tornássemos boas amigas. As vezes ela dorme na minha casa, saímos para beber e diversas vezes ela participa dos jantares em família, que acabaram desde o ocorrido. Ela foi uma que chorou quando recebeu a notícia, como disse antes, meu pai era amado por todos, ou quase todos...

The Killer Or NotStories to obsess over. Discover now