Capítulo 1: Coração latejante

20 0 0
                                        


No auge dos seus 22 anos, Emma Mallet, ansiava pela promessa de uma vida longa e cheia de aventuras. Definitivamente, era uma mademoiselle que se eu pudesse defini-la fosse... Com um cheiro tão suave, sutil e atrativa como os campos de Provence. Emma tinha os cabelos um pouco abaixo dos ombros com leves ondulações e uma franja que caía nos olhos que lhe incomodaria mais tarde quando os ventos do verão chegassem na antiga Paris, tinha cor de mel (e talvez cheirasse doce como o próprio mel), sua pele era lisa e branca como uma boneca de porcelana, nem precisava de maquiagem, nem mesmo se futuramente as manchas do sol começassem a querer se sobressair a tonalidade pálida de sua pele... Ah, Emma estava, com certeza, no auge de sua juventude. Tenho uma memória tão vívida como se ela estivesse em minha frente, com um mocassim, meias calças pretas, uma saia de pregas azul marinho um pouco acima dos joelhos, um sobretudo bege, uma blusa branca de listras azuis e nossa... (ela não tirava aquela blusa por nada, acho que é típico das francesas) ela usava brincos de pequenas pérolas que ganhou de sua avó em seu aniversário de 18 anos. Emma era o típico padrão francês. Emma era... Apenas a Emma. Qualquer homem queria a Emma e qualquer garota queria ser a Emma. Ela sabia o que era o amor (ou pelo menos pensava isso), mas, infelizmente, não deu sorte em encontrar alguém que soubesse amá-la. Ela passava horas sentada no banco de madeira escura em uma praça próxima a sua casa, onde tinha árvores altas com as folhas caindo a cada brisa do vento mesmo que suave (era outono). Gostava de olhar os casais de velhinhos alimentando os pombos com os farelos de pão e os piqueniques na grama... Era claro como a luz do sol* que Mallet se sentia sozinha, mesmo tendo pais tão presentes e carinhosos, ela sentia falta da paixão ardente, das cartas que nem sequer tinha recebido... Sentia falta de um amor verdadeiro. Nunca havia amado ninguém e até aquele momento o coração dela doía até latejar por um amor que segurasse sua mão** e lhe levasse a soverteria nos dias quentes de verão e que a aguardasse na sala enquanto ela preparava um chocolate quente para aquecer o corpo, mesmo sabendo que seu coração estaria preenchido de amor e com o calor que os lábios dele ou dela poderia estremecer seu corpo.

* A frase pode ser entendida como "Era evidente que Emma se sentia sozinha [...]"

** Aqui se faz uma pequena referência a música de Françoise Hardy - tous les garçons et les

PelesCerita yang bikin terobses. Temukan sekarang