prólogo

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Juan tentava ao máximo ser completamente diferente do que o seu pai era com todos, mas seu vício em trabalho e seu jeito sistemático eram características muito parecidas com a de seu pai Arne.

A consequência disso foi que sua noiva Ruby não avisou sobre o término e apenas apareceu noiva de outro, ele ficou magoado, mas não a culpou, por muitas vezes ele a deixou de lado sem explicações pelo trabalho.

Ele sentiu como se ele foi completamente descartado como lixo por ser um viciado em trabalho, ele sentiu um medo enorme de ser só mais um número e descartável, algo que nem mesmo o amor de sua família poderia afetar.

Juan sentiu uma culpa imensurável, como se ele tivesse sido deixado sozinho no mundo, e que qualquer pessoa poderia o abandonar porque ele não oferecia nada de valioso. Ele ficou muito magoado por não ter sido capaz de amar sem se entregar tanto, que ele foi descartado.

— É tão repugnante que você tenha sangue meu em suas veias e seja um fraco, Juan. — Arne disse assim que Juan entrou no escritório.

Ele estava sentado na poltrona de Juan, mexendo em suas coisas e olhando detalhes da decoração do homem, Juan odiava aquilo, se sentia invadido, mas por ele ser o atual CEO dos negócios daquela parte da família, não podia fazer nada.

— Invadir o escritório de alguém sem que a pessoa esteja no local vai contra o código de ética que você mesmo criou, senhor Rosenbauer. — Juan retrucou irônico.

— Eu sou o CEO aqui, faço minhas próprias regras e as quebro às vezes. — o mais velho deu de ombros. — Você é tão imprestável e fraco com a sua mãe.

Juan fechou os punhos começando a ficar irritado com aquele comentário, as palavras de seu pai machucavam, mas ele só perdia o controle quando Arne citava sua família.

— Manter em sua decoração a foto da putinha que te largou é um claro sinal de fraqueza, mas não me admira, você e sua mãe são iguais e agora com aquele…

— Profira tais palavras contra meu pai e eu juro que acabo com a sua raça, Arne Rosenbauer! — Juan disse com os dentes cerrados pela fúria.

— Ah, agora sim! — Arne sorriu orgulhoso. — Esse é o meu filho, o verdadeiro Juan, o meu verdadeiro primogênito.

Juan abaixou a cabeça desapontado consigo mesmo por ter caído mais uma vez na provocação de seu genitor.

— Eu sempre te avisei que o certo é você ser duro e tratar mulher com indiferença, olha o meu exemplo com sua mãe...

— Não ouse falar da minha mãe, seu crápula!

Juan não se aguentou e foi para cima do pai, segurando o colarinho dele com muita força, ao perceber o que estava acontecendo, a secretária logo chamou Julia para ajudar intervir na situação.

— Juan, para! — Julia afastou o gêmeo do pai.

— Olha, a sapatona sendo mais macho que esse fracote! — Arne era extremamente homofóbico com Julia, lhe dizia coisas horripilantes.

— E você é um crápula! — Juan rosnou irritado.

— Você é nojento, minha maior vergonha é ter seu sangue em minhas veias, Arne! — Julia murmurou irritadiça.

— Vocês deveriam me agradecer porque não são tão imprestáveis, herdaram minha força, deveriam agradecer por não serem como a puta da mãe de vocês.

Neste momento, Julia não impediu o irmão, deixou ele ir pra cima do pai e bater nele sem hesitar. Juan deu vários socos no rosto do pai que apenas sorria orgulhosamente.

Ele gostava de ver Juan perder o controle e agir tão violentamente como ele, Arne é extremamente viciado em controlar tudo e todos em sua volta, só pensa em poder e dinheiro, Juan era o filho de seu casamento oficial, ele considerava o loiro como o seu primogênito mesmo tendo outros filhos,ele queria que Juan fosse igual a ele.

Os seguranças e Osmar foram chamados, ele interveio para que o filho não fizesse exatamente o que Arne queria.

— Você claramente tem tanto de mim, meu filho. — Arne murmurou e depois cuspiu sangue.

— Meu filho não tem nada de você, seu verme! — Osmar rosnou segurando Juan com firmeza.

— A conversa ainda não chegou na ralé.

— A única ralé aqui é você, Arne. Meu irmão e eu não temos nada de você! — Julia disse irritadiça. — Meu irmão só quebrou sua cara pra me defender de você, não tem nada de você nele.

Arne foi tirado de lá para ser levado ao hospital, enquanto Juan foi levado para casa, ele estava muito triste por se sentir parecido com Arne.

— Decepcionei você, pai? — Juan perguntou, segurando as lágrimas.

— Por defender sua irmã daquele crápula? — Juan abaixou a cabeça envergonhado. — Eu não estou decepcionado,eu estou muito orgulhoso...

— Mas eu agi feito um monstro, pai. — Juan não segurou as lágrimas.

— Filho, às vezes pra proteger as pessoas que amamos devemos agir feito monstros, mas isso não significa que sejamos pessoas ruins, há uma diferença entre aqueles que são cruéis por pura maldade e aqueles que são cruéis para proteger aqueles que amam.— Osmar abraçou Juan.

— O pai tem razão. — Julia apareceu na sala com uma caixa de bombons. — Você só me protegeu, a forma como você agiu te torna mais próximo da mamãe, você já viu como Carmen Ortega de Assis fica pra proteger aqueles que ama?

Juan riu concordando com a irmã.

— Sua mãe vira uma leoa pra proteger aqueles que ama, exatamente como vocês dois. — Osmar disse terno. — Exatamente como vocês dois.

Osmar estava realmente orgulhoso dos dois filhos, tanto que os abraçou como se fosse proteger eles do mundo com um único abraço.

— Próxima vez chamem o papai pra resolver isso, não quero vocês sujando a mão de vocês com aquele lixo. — Osmar deu um beijo na cabeça de cada um.

Os dois riram da declaração do pai e concordaram.

— Eu amo você, papai. — Juan falou sincero como um garotinho assustado recebendo todo carinho do pai.

— Mas não ama mais do que eu. — Julia provocou o irmão.

— Ah, para de ser chata e me dá esses bombons aqui, vai. — Juan riu pegando a caixa das mãos da irmã que gargalhou alegre.

Aquilo era comum, sempre em momentos de tristeza e vulnerabilidade, aquela era sua rede de apoio sempre.

— Pai, o detetive conseguiu as informações sobre o paradeiro da nossa irmã desaparecida? — Julia perguntou esperançosa.

— Sim, ela está morando na cidade de São Paulo, ela fica muito na região de São Miguel com uma família, mas não sei se é exatamente o local onde ela mora. — Osmar respondeu.

— Pai, você vai conseguir reencontra-la, tenho fé que sim. — Juan deu apoio ao mais velho.

— Sobre isso, sua mãe deu a ideia de irmos morar no Brasil um tempo ou por temporada para ajudar nas buscas, sei que vocês tem uma vida aqui...

— Nós iremos com vocês, não precisa pedir, não conseguiria viver longe de vocês,pai. — Juan sorriu confiante.

— E eu gosto do Brasil, consigo ficar mais criativa e alegre para os meus vídeos pra internet lá, acho que é a vitamina D do sol. — Julia brincou alegre.

Muitas ocorreram após tudo isso que aconteceu, uma delas foi a proximidade entre Juan e Bianca de outra forma, sem o sentimento fraterno, mesmo que para Juan fosse estranho estar sempre vulnerável para alguém desta forma, Bianca ele não conseguia mergulhar nas suas interações com Bianca mesmo sem saber se iria se machucar no final, ele só gostava de não ter uma muralha em volta de si mesmo.

De repente, após as brigas com seu genitor, Bianca se tornou sua rede de segurança.

Ensejo De Paixão - Juan OrtegaVerhalen om door geobsedeerd te raken. Ontdek het nu