EM CÁRCERE

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        Meggie olhava a neve cair pela pequena janela de seu quarto. Era um local pequeno com apenas uma cama sem cobertores. A pintura monocromática poderia ser confundida como parte da paisagem branca lá fora. Ela já perdera a noção de quantos dias estava ali, e ansiava por correr com Janne por aquele campo aberto, brincando de guerra de bolas de neve, como faziam antes em dias assim. Contudo, agora ela estava presa, e pensava dia após dia em como fugiria daquele local com sua filha:

- Hoje vamos embora. - Falou em um sussurro para o pequeno ser em seus braços, enquanto o embalava.

         Não sabia o horário, mas sabia que logo o homem entraria pela porta, amarraria seus pulsos, e lhe forçaria a engolir um comprimido. Depois disso sua consciência se esvairia. Ficando impotente para reagir ao que ele fizesse. Só rezava para que ele não ferisse sua filha. Mas hoje seria diferente. Hoje Meggie tinha terminado de esculpir um pequeno osso, surrupiado da refeição da tarde. Transformando-o em um objeto pontiagudo.

         Como esperado, o homem adentrou pontualmente no local. Segurava uma fita em sua mão esquerda, com a qual amarraria os pulsos da mulher. Que sempre tentava em vão reagir, o socando e acertando como fosse. Chegando certa vez a quase arrancar sua orelha com a mandíbula. Em ocasiões assim, em que ela o recebia de modo demasiado agressivo. Ele lhe aplicava uma injeção que paralisava seu corpo por completo, e a fazia apagar por dias seguidos. Mas hoje seria diferente, repetia ela em seu pensamento, hoje estava preparada.

         Antes mesmo que pudesse tocar na mulher. Ela enfiou o osso no antebraço do adulto, o fazendo soltar um gemido de dor. Por reflexo, tentou segurar o braço dela que se preparava para desferir outro golpe. No entanto, já era tarde. Com enorme rapidez, a mãe desesperada encravou com toda sua força e raiva o objeto na gartanta do homem, que sufocou com o próprio sangue antes de cair a seus pés.

         Ainda sem acreditar, Meggie entreabriu uma pequena fresta na porta. Foi possivel ver a luz amarelada do outro cômodo entrar, constratanto com a pouca iluminação do quarto em que estava. Aquela era a sua liberdade. Foi em direção a menina que a encarava imóvel de um canto da parede. Tocou-lhe o rosto com carinho, manchando suas delicadas bochechas com sangue. Meggie sentia muito por ter matado o homem na frente do ser mais inocente que conhecia. Mas essa era a única chance delas. Com lágrimas escorrendo em sua face disse:

- Vai ficar tudo bem, a Mamãe vai tirar a gente daqui. - Depois, segurando a mão da pequenina, a guiou para fora de seu cativeiro.

       Ao sair, deparou-se com um enorme corredor, com decorações natalinas espalhadas que a fizeram se lembrar daquela noite:

        " Era vespera de natal e Meggie estava pressa no trânsito. Para piorar ainda não tinha comprado o presente de Janne que a esperava em casa com a babá. Ela acabará de sair do trabalho no qual fazia hora extra sempre que possivel. Em dias assim, o peso de ser mãe solteira duplicava.

         Temia não chegar a tempo como no ano passado. Poderia ligar para Sarah, e pedir que comprasse mais uma vez um presente para Janne. Sua irmã faria isso com prazer, sendo a única que manteve contato depois da gravidez, mas sabia que ela estava na casa dos seus pais agora.

         Sentia-se sem esperanças de encontrar algo. Quando viu pelo retrovisor em uma vitrine o que parecia ser uma garotinha sentada entre brinquedos. Além disso, lembrava muito sua pequenina. Olhou com maior atenção e notou ser uma antiga boneca de porcelana. Janne iria amar! Sem se importar com os sons irritados de buzinas ao seu redor. Saiu do carro e foi correndo comprar o brinquedo. Quando retornou com o enorme embrulho em mãos, o trânsito finalmente começou a andar. Daria tempo chegar antes das 12:00 e agora tinha um presente, pensou animada."

To be continued...

EU TE AMO MAMÃE - HISTÓRIA DE TERRORStories to obsess over. Discover now