blue jeans

15 0 0
                                        

Você a viu entrar no bar, vestindo uma blusa branca e jeans azul. "Ela fica tão linda vestida casualmente", você pensou, e de fato ela estava encantadora assim. Porém, "Ela fica linda de qualquer jeito", você admirou.

Você a acompanhou com os olhos, observando toda a sua trajetória desde a porta do bar até que ela se sentou ao seu lado.

"Então, além de faltar às minhas aulas na faculdade, você também costuma vir a bares", ela disse após pedir uma dose de tequila ao barman.

"Não começa, [redacted]", você revirou os olhos.

"Certo, não estou aqui para dar lição de moral a você, estou aqui para beber", o barman trouxe sua bebida e ela deu um gole.

"Ainda bem, não estou com cabeça para isso mesmo", você admirou como ela colocava o cabelo para trás, afastando-o do caminho entre a bebida e sua boca.

No entanto, olhar para a boca dela foi um erro terrível. Seus lábios, responsáveis por inúmeros devaneios que você tinha durante suas aulas, eram tão belos e sedutores. Seus dentes brancos e, apesar de algumas imperfeições, eram impecáveis aos seus olhos. Você daria tudo por um sorriso genuíno dela – um sorriso que você fosse a razão –, não apenas um daqueles sorrisos cruéis que ela costumava dar em sala.

Ela era rigorosa com todos os alunos. Enquanto alguns viam isso de forma negativa, você sabia que era devido a essa atitude tirânica que seus alunos conseguiam as melhores notas nos períodos seguintes.

E, além disso, tudo isso apenas a tornava mais atraente para você. Assim, você se via presa nesse dilema angustiante. Você faria de tudo para agradá-la, estudaria três vezes mais do que os outros só para ter uma resposta sempre que ela fizesse uma pergunta. Ou então se comportaria mal, responderia de forma desrespeitosa apenas para irritá-la – nos bons dias – ou para sentir o peso de seu olhar gélido sobre você.

Hoje você acordou de um sonho erótico com ela às três da manhã, e desde então não conseguia mais dormir. Você não se achou em condições de enfrentá-la com tão poucas horas de sono, então optou por ficar no dormitório.

Mas é claro que ela estaria no bar perto do campus, exatamente no dia em que você estava tentando evitá-la. Dizer que você não tinha sorte seria eufemismo; o que você tinha mesmo era azar.

"Sentiu minha falta na aula de hoje?" Agora foi sua vez de dar um sorriso cruel, e sentir seu coração apertar.

"Terei que admitir que sim", seus olhos se arregalaram por cima da taça de vinho – o vinho sempre lembrava você dela –, "Os outros alunos são uns... incompetentes, não fazem nada direito."

"Então agora sou a sua favorita?" Talvez você tenha bebido mais do que percebeu e estava imaginando coisas.

"Não se você continuar faltando", a incredulidade em seu olhar não passou despercebida, "O quê? Você não tinha percebido? De verdade?"

"Talvez eu não quisesse admitir", você afastou a taça de vinho e escondeu o rosto entre as mãos, suas mãos tremendo – sempre tremiam na presença dela.

Agora você entendia a razão por trás disso, após tantos anos e várias mulheres que provocaram a mesma reação. Não era timidez, de jeito nenhum; você sempre foi extrovertida. Talvez um pouco acanhada por causa das opressões que sofreu, mas isso não era o cerne da questão.

Seu tremor vinha da ansiedade, de energia dentro de você, do fogo, da tempestade dentro do seu peito. Ansiava pelo toque, desejava algo que nunca poderia acontecer. Toda essa agitação era você tentando controlar a vontade de agir, a vontade de levantar a mão e segurar o rosto dela, de acariciar suas bochechas e fazê-la se sentir desejada, se sentir confortável e acalmá-la com seu olhar; De puxar seus cabelos e guiar sua cabeça para perto da sua; De puxá-la por suas roupas e arrancá-las de seu corpo.

No entanto, em cada ocasião em que você ansiava por alguém, a mulher que invadia seus sonhos e perturbava sua atenção não correspondia ao seu anseio. Ou pior, nem sequer poderia saber que você desejava. E nas vezes em que elas desejaram você, você não sentia nada especial por elas. Talvez fosse porque lhes faltasse aquilo que era único, aquilo que a fazia se apaixonar tão profundamente por aquelas que não a desejavam. Talvez você apenas buscasse a adrenalina.

Como Florence Welch expressa em uma de suas músicas: "Unavailability is the only thing that turns you on" (A inacessibilidade é a única coisa que te excita).

E a história se repete, você deseja, é inspirada por elas, chora por elas, sonha com elas. Mas você sabe que nunca vai conseguir realizar seus mais profundos desejos, pois está destinada a apenas desejar o que não pode ter.

Sim, tudo seria mais simples se elas apenas agissem da maneira que você sonha. Se ela te dissesse agora mesmo que, na verdade, sempre pensou e sonhou com você, que te desejou desde o momento em que seus olhos a enxergaram.

"Bom, preciso ir. Peça para que algum dos seus amigos barulhentos te explique a aula de hoje. Espero que você entregue a atividade no prazo." Ela entregou uma nota de 10 ao bartender e se levantou para sair.

Você não disse nada, como era de costume; você apenas sofreu em silêncio, com todas as possibilidades que poderiam ter ocorrido, mas não aconteceram. Porque chega de eufemismos, o que você tem é azar.

azarحيث تعيش القصص. اكتشف الآن