Querido diário, 𝟮𝟱/𝟬𝟱/𝟭𝟵𝟴𝟵
Hoje eu só regredi mais e mais, como todos os outros dias. Mamãe sempre me dizia que "o esforço não adiantará se não for bem praticado" e, eu acho que ela estava certa. Eu apenas estou cansada, entende? Bom, não... Você não me entende. Você é apenas um conjunto de páginas sobrepostas e, você, espectador, não passa de um desconhecido qualquer para mim. Vocês não sabem de absolutamente nada deste lugar. Mas, bom, eu gostaria que tudo fosse mais claro para todos, porque uma prisão sempre é exposta ao mundo de modo que seja difamada, e sinceramente, eu como uma "detenta" de minha própria residência, já estou cansada de apenas acatar tudo isso por mais e mais dias, semanas ou o tempo que for. Tenho que me abrir, mas ainda estou redescobrindo esse lar que vos chamam de "mundo", e eu não sei de seus perigos e desafios, de nada.
Antes de continuar qualquer coisa, perdoem-me por não ter iniciado esta escrita me apresentando primeiramente, talvez tenha sido um pouco diligente sem ao menos perceber.
Me chamo Marina Boston. Diferente da maioria das pessoas, eu não possuo apelidos carinhosos ou algo assim. Para falar a verdade, não tenho nem quem me chame por um, além de minha própria mãe. Ela prefere chamar-me de "Mar", por ter olhos que têm a cor parecida de um. Eu até que gosto um pouco, mas visto isso, prefiro manter minha personalidade séria e seca, como dizem, e não me ceder à coisas deste tipo. Elas não me trazem boas lembranças.
Também sou capaz de recordar um melhor amigo que tinha em "época". Ele me chamava de Mar, assim como minha mãe hoje. Ele ousava tanto em repetir esse nome que, provavelmente, mainha tenha se acostumado com ele. O lado ruim, é que eu nem sei mais onde ele está agora. Eu sinto que literalmente poderia contar mil e uma histórias sobre meu "melhor amigo", mas, se bem que é melhor apenas esquecer. Vários acontecimentos assim fizeram-me refletir sobre algumas palavras que ouvi por aí. Pessoas, por vezes, me disseram que a vida é feita de caminhos, então acredito, ou prefiro começar a acreditar que esse seja o meu, e que deveria acontecer de uma maneira ou outra. Nosso dever é aceitar, não é?
Eu também poderia aproveitar essas linhas para citar meu irmãozinho. Ou melhor, irmãozão. Só ele era capaz de me entender em meio a tudo. Mas não era porque compartilhava a mesma "vibe" que eu ou tínhamos coisas em comum, e sim porque ele passava o mesmo que eu. Nunca negamos em dizer que estávamos na casa errada desde sempre. Mas como eu disse anteriormente, ou aceitávamos, ou seríamos obrigados a isso. Há 2 anos, ele foi embora para Boston, uma cidade ao lado, para entrar na universidade, já que havia terminado seus estudos por aqui. É engraçado porque Boston foi onde crescemos, e daí também surgiu parte de meu nome (a criatividade dos meus pais não eram boas, pelo visto), então eu também gostaria de voltar para lá algum dia.
Eu costumava dizer que a realidade de ouvir barulhos traumatizantes à sala diariamente, sentir-me presa com as janelas fechadas ou ver a água escorrendo em meu rosto, iria mudar. Pelo menos, era meu sonho, e sonhar nunca é demais, né? Passar por isso praticamente sozinha não foi uma experiência nada divertida. "Ah, mas o que você queria? Ser aquelas adolescentes que fazem uma viagem para a Disney?" A resposta é simples e curta: Eu só queria uma palavra chamada 'paz'.
Particularmente, eu juro que não faço ideia do que possa ter feito em alguma vida passada para merecer tudo o que veio a mim até agora. Tudo o que sei, é que meu único dever e prioridade hoje é manter meu nome e sobrenome limpos, também sei que se isso dependesse da minha família, tudo já estaria no lixão. E isso é assustador, sabe? Ter o conhecimento de que literalmente tudo depende de nós mesmos e ter cada vez mais em mente a incerteza e medo do que irá fazer. Pelo menos para mim, isso é preocupante.
Talvez eu prefira citar nas próximas páginas alguns dos problemas que andei passando. Pois é, infelizmente, eu ainda sou como uma daquelas garotas rebeldes que surgiu em meio à mãos sujas e erradas. Eu costumo agir como se não fizesse parte de toda a história dessa família, é livrador. Mas, no momento, só prefiro ocultar tudo isso. Existem coisas melhores a serem contadas ou expostas. Digo, libertas.
Estivemos há um tempo nas últimas férias de primavera, em abril. Não aproveitei praticamente nada porque, como deu pra perceber, eu prefiro me reservar em tais momentos. Foi também minha comemoração de aniversário, a qual odeio fazê-la e participar. Amo ler e sempre faço isso quando estou em meu quarto. Para mim, não há melhor passatempo. Eu havia choramingado por alguns livros que tinha visto há um bom tempo, mas, infelizmente, não os recebi (como esperado de meus pais). Bem, na real, eu ganhei um, apesar de não ser o que aspirava. Ele é bem comum. A diferença, é que ele não possui histórias ou algo do tipo, e sim, apenas páginas em branco. Meus pais o deram-me para que eu mesma pudesse escrever minha própria história. Acho que dessa vez, eles pensaram bem na filha compreensiva que têm, ou pelo menos tentaram. Como não sou tão criativa a tal ponto, decidi fazer dele o meu diário. Mas ele não é e nem será apenas um diário comum. Ele é o diário de Marina Boston.
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O Diário de Marina Boston
Historia CortaMarina Boston é uma jovem garota com problemas comuns, se comparados aos de qualquer outra. Apesar de ter uma paixão considerativa por leitura, não possui tantas obras materiais, como deseja. Em seu 16° aniversário, a garota é presenteada com um liv...
