📖Unic📖
Como um nó de gravata pode ser tão difícil?
É um ultraje à minha imagem. Uma estupidez encarnada para me sabotar. Ele tem que saber fazer essas coisas. Se não, o que será de quando formos numa festa mais formal? Qual será o estilo de roupa que ele vai escolher? Ou a que ele escolheu para hoje?
Tomara que não tenha sido uma coisa muito básica, como uma camisa e uma calça. Ou de uma cor só, tipo preto ou branco, ou cinza. Mas quem vai de cinza para um encontro Diego?
Espero que o Gui não vá.
Mas pela minha análise, ele não é como os outros que eu já encontrei. Ele vai para o restaurante que eu escolhi de terninho bem arrumadinho, certeza. Assim seja, CPU de tamanho infinito. Assim seja. Sua roupa com tudo perfeitamente perfeito.
Que nem eu, se essa gravata não ficar me atrapalhando.
Talvez o tipo borboleta fique melhor. É, é isso. Tiro a bonita do meu pescoço já dolorido, e a deixo na gaveta. Dobrada perfeitamente no buraquinho reservado para ela. Pegando em outra, o meu enforcador, quer dizer, a gravata azul marinho. Minha preferida.
Tento colocar, de novo, o tecido no meu pescoço. Vou para frente do espelho. Notando um amassadinho no meu sobretudo preto. Passo minha mão, que deixa tudo lisinho novamente. Vejo que estou um arraso, então estou pronto. Pego meu celular vendo que me adiantei.
― Calma bebê, você já vai comer. ― Passo a mão na minha barriga, esquentando um pouco. Assim tirando o frio que sinto. Talvez eu tenha que pegar um cachecol também?
Não. Melhor não. Pelo frio evidente, com certeza Guilherme com seu jeitinho gentil vai notar meu congelamento, e me dar sua blusa como nos filmes. Quer saber? Vou assim mesmo.
Mas.
Será que ele é o cara certo? Porque, assim, uma coisa é como ele age no trabalho, outra bem diferente é como ele age em casa, ou em encontros, ou quando está confortável, ou flertando. Tento respirar fundo para tirar toda essa carga pesada dentro de mim.
Melhor pegar um cachecol, vai que, né?
É só uma tentativa, Diego. Se der tudo errado, a gente foge para as montanhas. Se acalme homem. Você já fez isso com outros caras. Tipo o Rodrigo, aquele vizinho do apartamento 89. Que um dia vi tirando meleca do nariz, ou quando ele derrubou todos os papéis no chão.
Gente indiscreta e desorganizada, não pode não. Que isso, preciso conservar minha imagem.
O tal Fernando que se vestia mal para caramba e fazia piadas fora de hora. Esse tipo de gente não preciso na minha vida. Thiago é o último quesito de imperfeição que existe, um cara bruto para caramba e que fala muito.
Ah, é muito difícil encontrar alguém interessante.
Por isso consegui reunir todas as características de uma pessoa feita para mim num quadro. Assim eu posso conferir a índole antes de chamá-la a um encontro. Acontece que eu não esperava que num belo dia, eu perceberia que Guilherme seguia todos os pré e pós requisitos que listei.
Ele me chamou para sair, antes de mim. Acredita? Isso é perfeição, certeza.
Com o seu cabelo loirinho puxado pro escuro. Que o sol trata de iluminar toda vez que ele sai para a rua ― isso é claro quando estamos na primavera ou verão, já que nesse frio só neva mesmo e o cabelo se torna um castanho. Não que seja ruim porque os flocos de neve em cada cantinho de sua roupa deixa ele ainda com mais charme.
Um galã de novela, fora das telas.
Saio do looping que Guilherme me colocou ao ouvir meu celular apitar. Assim que aperto no aplicativo percebo que foi ele perguntando se já poderia me buscar. Ah que fofo, ele ainda vai me buscar. Coloco um sim, depois de fazer a regrinha dos três segundos de espera.
YOU ARE READING
O cara perfeito para mim
Short StoryGAY | Comédia | One shot É possível definir o perfeito? Isso eu não sei, mas Diego, cansado de relacionamentos frustrados, decide criar um método para ver qual seria a pessoa perfeita para si. Tentando a encaixar em um pré e pós requisito. Porém cer...
