único.

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Esse era mais um daqueles dias monótonos que não tinha nada pra fazer, por isso, Jiung e Intak tiveram a ideia de fazer qualquer coisa juntos na casa do mais velho e agora já fazia mais de três horas que o Hwang havia chegado. Antes tinham assistido a um filme e agora jogavam Spider-man friend or foe no play 2 pela milésima vez (mas o que eles podiam fazer se era tão divertido e tinha certo gostinho de infância?)

ㅡ Tak, você quer parar de mexer nesse celular e vir me ajudar aqui? Vão me matar a qualquer momento, porra! ㅡ Jiung apertava os botões da manete como se sua vida dependesse disso.

ㅡ Calma aí, cara. Disse rindo e colocando o celular do seu lado no sofá. ㅡ Minha mãe tá perguntando se eu não tenho casa.

ㅡ Ela já chegou? Você não avisou que tava aqui?

ㅡ E eu preciso? Tem uns doze anos que se não me achar em casa é só ela chamar na casa do lado, né? Ela tá me mandando mensagem só pelo prazer de zoar comigo.

Desde que a família Choi se mudou para aquela casa quando o pequeno Jiung tinha apenas sete anos de idade e fizeram amizade com a família da casa ao lado ㅡ que também tinham um filho pequeno ㅡ os dois garotinhos se tornaram inseparáveis e esse tipo de situação acabou ficando bem comum. Mas hoje, Intak, que foi o primeiro a reclamar do tédio com o amigo por mensagem, parecia que tinha nascido antes do celular!

ㅡ Você vai jogar ou ficar mexendo no celular, velho? Sozinho tá difícil aqui.

ㅡ Foi mal, foi mal. Eu vou jogar sim. É só o grupo do futebol marcando pro fim de semana, tenho que responder que vou.

Jiung pausou o jogo e largou o controle meio emburrado. Do que adianta vir pra minha casa então?

ㅡ Pra quê você veio aqui pra casa se só vai ficar mandando mensagem?

ㅡ É rapidinho. Não posso fazer nada se todo mundo começou a mandar mensagem agora ao mesmo tempo. Pera aí, não vai me dizer Choi Jiung… Que o senhor está com ciúmes? ㅡ levantou uma sobrancelha.

ㅡ Ciúmes o caralho, Intak. Tá me tirando? ㅡ agora ele parecia ainda mais irritado, as sobrancelhas juntas e as bochechas já inflando.

Quando o mais novo olhou pro lado quis rir um pouco, não imaginou que o amigo ficaria tão chateado, era meio fofo. Quer dizer, não, pera.

ㅡ Ai,  meu Deus. Me desculpa Ji. Já larguei, já larguei, tá bom? ㅡ e segurou o rosto do mais velho com as duas mãos brincando com ele como se ele fosse uma criancinha.

Jiung travou, provavelmente porque tinha sido pego de surpresa.

ㅡ Por que tá me olhando assim?

Exato, por quê estava olhando assim pra ele? Era só uma brincadeira de Intak e o conhecia o suficiente para saber que o amigo sempre foi assim, sempre adorou contato físico e nunca perde a oportunidade de tocar nos outros em qualquer situação. Jiung estava acostumado, não devia ligar para isso, mas é que os olhos do mais novo eram como duas jabuticabas brilhantes que pareciam encarar o fundo da sua alma. Aquilo começou a incomodar o Choi, mas ele não tinha certeza de como.

Ainda segurando as bochechas do amigo e pensando se deveria ou não soltar e em mais mil e uma coisas, Intak também se sentia meio esquisito, mas tinha uns dias que se sentia estranho (quando próximo melhor amigo). Um calor, como se estivesse com febre, uma inquietação e o coração acelerado. Será que estava pegando um resfriado? (A mudança de clima vinha sendo uma loucura esses dias). Ou pior, o coração batendo acelerado desse jeito e com o histórico de cardiopatia na família… fazia todo o sentido. Teria de ir ao médico, quando voltasse para casa iria conversar com sua mãe. E se ele tivesse um infarto?

Porém, talvez o problema dele no momento não fosse o coração bater rápido demais e sim ele parar de bater quando percebeu que tinha sido beijado. Pois é. Quando deu por si os lábios de Jiung estavam colados nos seus. Isso não estava certo, estava? Mas a sensação era tão boa que Intak se sentia entorpecido e não podia ligar menos para qualquer pensamento desse tipo.

No mesmo instante que Jiung começou aquele beijo, se arrependeu. O que ele estava fazendo? Devia estar louco! Era o seu melhor amigo ali, isso não podia estar certo, de jeito nenhum. E mais: Intak com certeza lhe daria um soco. Tentou se afastar. Sem sucesso. Hwang havia colocado um pouco de força nas mãos que seguravam o seu rosto para que não se soltasse. Ele não fazia ideia que bem em sua frente, o amigo estava tão ansioso quanto si e bem, como dizer? Com uma certa voracidade de quem não pretendia interromper tão rápido o beijo. Jiung ainda não sabia o que estava acontecendo, mas o medo do mais novo perceber primeiro e acabar com aquilo bem ali o impedia de fazer qualquer outra coisa, por isso ele mal respirava.

As mãos do mais velho que até então estavam sem lugar subiram e foram parar na cintura de Intak que passou as suas do rosto dele para os fios negros e loiros de Jiung e depois para a nuca e então novamente para o cabelo tentando puxá-lo para o mais perto possível. Tudo aquilo era muito insano, uma novidade para os dois, mas fazia tanto sentido, o que eles estavam fazendo todo esse tempo?

O beijo foi se intensificando, na sala só se ouvia o som dos estalos dos lábios se encontrando, suspiros e respirações ofegantes. Dizem que mente vazia é oficina do diabo e naquele momento o coisa ruim devia estar trabalhando horrores naquelas cabecinhas. Os cabelos já estavam totalmente bagunçados, as roupas amarrotadas e os dois garotos de repente se viram já deitados no sofá onde jogavam há minutos atrás em uma posição muito perigosa e mãos bobas demais espalhadas. Okay. Aquilo estava indo longe e rápido demais. Talvez fosse a hora de parar e encarar a realidade.

O que seria deles depois da conversa?

Se separaram do beijo, mas continuaram na mesma posição ainda meio deitados no sofá, os lábios dormentes, ambos ardendo em febre e com os olhares fixos um no outro. Não queriam se perder de vista, não queriam perder aquele momento.

ㅡ O que... Foi isso? ㅡ Jiung quebrou o silêncio perguntando confuso ainda sem processar o que tinha acabado de acontecer.
ㅡ  Olha ㅡ Intak disse ofegante ㅡ eu não sei, mas pagaria pra repetir, tipo, na brotheragem, claro.
ㅡ Coisa de brother, né?
ㅡ Óbvio.
ㅡ Então só mais uma vez, pra fortalecer a amizade.
ㅡ Tá, a última.

A conversa podia ficar para depois.

💭 more than friends !¡ jitakStories to obsess over. Discover now