Nem arrependimento, nem orgulho

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Eu não me arrependo.
Mas também não foi do jeito que imaginei.
A gente se conheceu pela internet — uma conversa que começou sem intenção, mas acabou virando rotina.
Falávamos todos os dias, até que, depois de duas semanas, decidimos nos encontrar.
O plano era simples: um piquenique na floresta.
O dia estava bonito, com aquele sol de fim de tarde e o vento misturado com o cheiro de mato e mar.Ficamos ali um tempo, rindo, conversando, tentando disfarçar o nervosismo do primeiro encontro.
Depois, decidimos ir até a praia.
E foi lá, com os pés na água e o sal grudando na pele, que ele me beijou pela primeira vez.
Um beijo tímido, desajeitado, mas cheio daquela emoção que só o novo traz.
Tomamos banho de mar, rimos à toa e voltamos pra floresta.
Foi ali que quase aconteceu.
O clima parecia certo, o coração batia rápido — mas alguma coisa em mim dizia que não era o momento.
Talvez fosse medo, talvez fosse o simples fato de estar numa floresta, onde tudo podia dar errado.
Mas, no fundo, eu sabia: eu queria que fosse diferente.
Ele me convidou no sábado, quando a gente estava voltando.
Disse pra eu ir na casa dele no domingo, e eu aceitei — meio sem pensar, meio curiosa pra saber o que viria depois daquele "quase" na floresta.
No dia seguinte, acordei com o coração acelerado.
Peguei o ônibus, meio perdida, sem nem saber direito pra onde estava indo.
Ele foi me encontrar no terminal, e lembro de sentir um alívio quando o vi de longe.
Não sei se era o medo de me perder no caminho ou de me perder em mim mesma.
Chegamos na casa dele.
Fomos direto pro quarto e colocamos uma série pra assistir — The Last of Us.
Acho engraçado lembrar disso, porque nem chegamos na metade do primeiro episódio.
A tela ainda estava acesa quando ele começou a me beijar, e naquele instante, o mundo pareceu diminuir até caber dentro daquele quarto.
Meu coração batia tão rápido que dava pra ouvir.
Era uma mistura de nervosismo, curiosidade e aquela sensação de estar prestes a atravessar uma linha invisível
Tudo aconteceu de um jeito que eu não planejei,
teve pausa quando ele entrou dentro de mim ele me perguntou se estava doendo e eu lembro que eu falei que sim estava um pouquinho e ai ele disse que ia começar a se mexer devagar e aos poucos foi ficando melhor
A partir dali, tudo ficou silencioso.
Ele me olhou nos olhos, e por um instante o tempo parou.
Eu estava nervosa, tentando entender cada sensação, cada batida do meu coração.
Era estranho e novo, mas aos poucos o medo foi dando lugar a uma calma leve, quase tímida.
Não era como eu tinha imaginado, mas também não foi ruim. Foi apenas o começo da experiência, e talvez de uma nova parte de mim.
Depois, ficou um silêncio.
Não um silêncio desconfortável, mas aquele tipo que vem quando o corpo ainda tenta entender o que acabou de acontecer.
Eu olhava pro teto, tentando organizar o que sentia — e percebi que era uma mistura estranha de leveza e confusão.
Não havia culpa, nem alegria, só a sensação de que algo dentro de mim tinha mudado, e que eu ainda não sabia o que fazer com isso.
Ele me abraçou por um tempo, e eu fiquei quieta.
Pensei em tudo o que eu tinha imaginado que seria, e percebi que a realidade era mais simples.
Não teve mágica, nem promessa, nem aquela sensação de "agora somos algo".
Só dois jovens tentando entender o que significava crescer, mesmo que ele já soubesse e já tinha feito com várias pessoas;
Nos dias seguintes, tudo parecia igual — mas não estava.
As mensagens ficaram mais espaçadas, as conversas mais curtas (demorou um pouco para perceber isso)
Ele parecia distante, e eu fingia que não percebia.
Não houve briga, nem explicação, só o silêncio de quem já sabia que não ia durar.
A primeira vez que notei que ele não era mais "meu quase", senti um aperto no peito.
Não de arrependimento, mas de constatação.
Eu tinha esperado que aquele momento nos unisse, mas no fim, ele só me mostrou o quanto eu precisava aprender a me bastar.
Hoje, quando lembro disso, não sinto dor.
Sinto um tipo de carinho,não por ele, mas pela menina que eu era naquela época.
Tão cheia de expectativa, tentando entender o amor e o próprio corpo ao mesmo tempo.
Perder a virgindade não me fez adulta.
Mas me fez entender que crescer é um processo feito de escolhas, de descobertas, e às vezes, de despedidas silenciosas.
E mesmo que ele tenha ido, aquela versão de mim ficou.
Mais consciente, mais calma e, de alguma forma, mais minha.

Ah — e tem uma coisa curiosa:
até hoje, minha mãe acha que eu perdi a virgindade com o meu ex, o primeiro namorado que ela conheceu oficialmente.
Nunca corrigi essa versão da história.
Talvez porque, no fundo, algumas verdades ficam melhores guardadas entre mim e o tempo.

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⏰ Última actualización: Nov 06, 2025 ⏰

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