Cabana na Floresta

169 11 8
                                        

(Pov Cora)

Passar horas correndo em uma floresta escura nunca foi um ideal para mim, tinha certeza que estava andando em círculos mas mesmo assim, sentia a liberdade correndo por todo meu corpo a eletricidade de poder fazer tudo o que eu quiser enfim, ser livre, totalmente livre do inferno que tornou-se minha vida a partir do fatídico dia em que perdi meus pais, livre do monstro que convivi durante anos, longe de todo mal que passei. Finalmente consegui a oportunidade para fugir e irei agarrá-la com todas as minhas forças, mesmo sem saber onde estou ou para onde ir, sei que qualquer lugar é melhor do que voltar para ele, o ser repulsivo que destruiu minha vida.

Após um tempo adentrando cada vez mais na imensidão verde, minhas pernas não aguentaram mais e me forçaram a sentar sobre as folhas secas das grandes árvores, o céu já dava indícios de um anoitecer em conjunto com nuvens pesadas que se eu não me apressasse logo estaria encharcada, reuni todas as minhas forças para me levantar e encontrar logo um abrigo, fazia a mínima ideia onde estava mas se pelo menos encontrasse uma gruta ou caverna estaria de bom tamanho, sabia que meu tempo era curto e logo apressei meus passos, eu sinto que ele já notou que fugi e está rondando todo o vilarejo em minha procura, com esse pensamento passei a correr floresta a dentro sentindo as folhas cortarem meu rosto e o vento chicotear meus cabelos. Logo os pingos começaram a cair molhando minha pele descoberta, agradeci por antes de sair pegar o enorme casaco de pele que sempre ficava ao lado da porta, cobri meu rosto com seu capuz e me aprofundei cada vez mais sentindo os pingos virarem uma tempestade, o vento frio fazia meus pêlos arrepiarem embaixo do casaco e o desespero assolando todo meu corpo não se via nada além de árvores, meus passos foram diminuindo exaustos e a esperança se esvaindo cada vez mais e pensamentos inoportunos dos meus pais sorridentes vieram a minha cabeça, queria dá-los orgulho mas talvez não consiga e morra de vez em uma floresta em meio a uma tempestade, fui desperta de meus devaneios por um barulho de folha quebrando seguido de um estrondoso rosnado que para meu azar, estava extremamente próximo.

Uma coragem se apossou de mim e logo reuni forças para correr o mais rápido que conseguia de uma coisa eu tinha certeza, não iria morrer naquela floresta e encontraria qualquer maneira de sobreviver. Em pouco tempo, escutei a movimentação do animal em busca de sua nova presa que ironicamente seria eu, lembrei-me de uma pequena adaga que sempre mantinha escondida em minha bota e corri confiante de que logo teria que usá-la, minha respiração estava desregularizada e conseguia escutar as batidas apressadas do meu coração a chuva parecia só aumentar, dificultando ainda mais na escuridão da noite cada minuto era angustiante e cada vez mais os sons ficavam mais altos, já estava prestes a parar e encarar a besta quando ao longe avistei uma coisa que aparentava ser uma casinha no meio da floresta, sem pensar duas vezes avancei em sua direção com enfim as esperanças voltando.

Ao me aproximar do simples portal de madeira pude observar que havia uma lanterna acessa e rapidamente bati contra a porta, sendo recebida por um longo silêncio minhas mãos tremiam quando ouvi novamente os passos do animal e retornei a bater com mais rapidez na porta novamente sem resposta, já estava aceitando que não seria recebida, quem em sã consciência abriria a porta para uma estranha a noite no meio da floresta durante uma tempestade? Só os mais loucos dos loucos, constatando isso, me apressei a pegar minha adaga, não morreria sem antes lutar. Logo vi a sombra do enorme lobo aproximando-se vagarosamente, como se ele deleita-se ao ver meu desespero antes de enfim enfrentar tal fera, decidi bater mais uma vez na porta sendo seguida por um estrondoso raio que iluminou todo o céu e juntamente o lobo preto de olhos famintos vidrados em minha direção, me encostei na porta pronta para seu ataque, quando de repente a senti desencostar de minhas costas fazendo-me perder o equilíbrio e consequentemente, acabei caindo sobre um corpo desconhecido mas tão quente e macio que por um segundo, me senti acolhida.

Witch ApprenticeWhere stories live. Discover now