Um pequeno favor ao seu velho Pai

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O telefone tocara no meio da noite. Aquilo nunca podia ser bom... Quem é que ainda usava telefonemas, ainda mais para o número residencial de alguém, no meio da noite? Enquanto cambaleava no escuro, escadaria abaixo, Patrícia olhava o celular, buscando alguma chamada perdida ou mensagem, alguma pista de quem é que estava perturbando o seu super estimado sono, às quatro horas da madrugada.

- Alô? – a voz sonolenta dela denuncia que estava dormindo, e era o óbvio! Quem é que não estaria dormindo às quatro horas da madrugada.

- Pati – a voz masculina, grave e rouca fez o corpo inteiro de Patrícia arrepiar-se – desculpa acordar você.

- Pai? – ela pergunta ainda que sem acreditar. Aquilo não era possível... Quer dizer, era possível mas totalmente inesperado – O que foi que aconteceu?

- Nada – ele responde – não aconteceu nada, não, querida...

- Certo – ela senta-se no sofá e suspira profundamente, qual o tipo de nada te obriga a telefonar para uma pessoa no meio da madrugada – tudo bem, e porque eu estou recebendo uma ligação às quatro da manhã?

- Quatro? – ele resmunga – Que merda, pensei que aí já fossem seis... – ele responde – ah, eu sinto muito, posso te ligar mais tarde.

- Ah, não – ela ironiza – não se incomode... Eu estaria dormindo até às sete horas, se fosse possível.

- Daniel está em casa? – Michael não é um homem de muitos rodeios.

- Sim – responde a filha, onde mais que o menino estaria? – ele está em casa, dormindo, ele tem aula pela manhã. Não vai dizer que queria falar com ele?

- Não – o homem responde – era com você mesmo.

- Tá – ela suspira outra vez – eu realmente estou interessada, mas se você não disser logo o que quer, provavelmente eu vou congelar antes de ouvir.

- Certo – ele concorda – eu preciso de um pequeno favor.

- Tudo bem – ela responde – e qual seria esse favor?

- Bem – ele resmunga – eu não sei como te pedir isso, eu sei que vai me odiar pelo resto da sua vida...

- Não, não seria para tanto, eu já o odeio – ela o lembra – o que você precisa?

- O kitnet sobre a garagem – ele diz – não é para mim, Patrícia, mas o departamento está enviando um investigador para Carmel...

- Investigador? – pergunta assustada.

- Ah, sim – ele responde – querida, eu não posso falar por telefone, você sabe.

- Tudo bem, e o apartamento? – pergunta ela.- Bem, como sabe, a rede hoteleira de Carmel não é assim muito ampla... – ele diz.

- Quer que eu permita um estranho na minha casa? Só pode estar brincando comigo! – ela diz transtornada.

- Três dias – Michael pede – ele precisa começar o trabalho, não tem nada disponível no momento e bem, tecnicamente não é "na casa".

- Tudo bem – Patrícia pensa que tem, pelo menos, vinte e cinco caixas das mais diversas tralhas naquele kitnet, que precisa verificar se as torneiras e a ducha estão funcionando e também, se não há goteiras ou infiltrações – eu quebro o seu galho.

- McCain vai explicar tudo para você assim que estive aí – ele diz afim de tranquiliza-la.

- Sabe que eu não tenho o menor interesse de saber – ela responde seca.

- Vou precisar de outro favor ainda – ele completa.

- O meu rim, talvez? – ela sempre usa o humor ácido contra o pai.

O Caso 2585Où les histoires vivent. Découvrez maintenant