Capítulo 1

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Gente, eu to nervosa como se tivesse postando a primeira fic da minha vida, como pode?

Aliás, quanto tempo né? Ta todo mundo bem?

Bom, como vocês podem ver essa claramente não é uma fic supercorp. Não sei quem aqui assiste Bom dia, Verônica (quem não, comece AGORA), mas desde que eu terminei essa série fodida que esse shipp da Verônica com a Anita não sai da minha cabeça. E como a boa lgbt que sou, resolvi escrever uma short fic delas. Serão 3 cap. 

Me desculpem a capa, ficou horrível, mas era o que tinha. Quem quiser me dar uma capa de presente eu aceito. 

Saudade de prosiar com vocês aqui! Boa leitura!

obs: eu não corrigi o capítulo porque sou ansiosa, então paciência kkkkkkk

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— Na minha casa em meia hora, escrivã.

Foi como sentir uma onda subita de alívio desmanchar-se sobre seus ombros que levava consigo nos respingos, as sobras de um coração cansado de lutar e de uma alma que sucumbia, pouco a pouco, a maré de desespero que se apossava de toda e qualquer esperança que ainda viesse a vingar.

Uma chama em meio a chuva torrencial de notícias ruins.

Um lamaçal formado por suas lágrimas ácidas e quentes que derretiam não só suas expectativas, mas também todo e qualquer senso de controle que Verônica pensou que tinha nas mãos.

Do outro lado, uma mulher igualmente quebrada e massacrada pelo sistema respirava fundo, numa falha tentativa de acalmar o turbilhão de sentimentos que estavam entrando em erupção. Parte dela esperniava por liberdade, pela verdade e principalmente pelo momento em que não tivesse mais que fugir. No entanto, você deve se perguntar, de quem ela exatamente estava fugindo? E a resposta para essa pergunta era tão simples quanto ensurdecedora.

Dela mesma. Da Anita que costumava ser. Da mulher que um dia almejou se tornar.

Da garotinha que um dia teve tudo o que era seu tomado. Daquela alma que pagou pelos pecados de outras pessoas.

Não foi uma decisão sensata, obviamente. Os perigos que a espreitavam, como abutres sobrevoam a carniça, estavam por todos os lados e mais cedo ou mais tarde iriam alcançá-la. Iria se alimentar dos seus medos e pedir um preço caro por todas as vezes em que havia oferecido mais do que devia de si mesma para pessoas que só a viam como uma peça descartável de um jogo. A verdade era que Anita também estava exausta e ligar para Verônica era como lhe ceder uma carta de alforria. Naqueles breves minutos que se passaram, a loira encarou todos os documentos, pastas e papeladas que tinha juntado da casa de Matias naquela semana, se questionando em silêncio do porquê de toda aquela devoção doentia.

Afinal, ele também tinha abusado da sua inocência. Também tinha lhe prometido uma cura para algo que sequer existia. Um doença da alma, ele disse, uma que só ele conseguia ver e, portanto, só ele era o detentor da cura. No início ela chegou a pensar que fosse pela descoberta um tanto quanto turbulenta de sua sexualidade, mas no fundo não sabia ao certo se isso não foi exatamente o que atraiu Matias até o seu quarto. Chegou a pensar também que o motivo foi os seus vários planos de fuga com sua namorada não tão secreta, uma que estava fora do sistema na qual fora introduzida após ser vendida pela mãe.

Ela nunca iria escapar. Essa não era uma alternativa, uma solução e por essa razão Anita decidiu ser a melhor, se tornar uma peça chave naquele plano e se para isso fosse preciso ser "curada", então que fosse. Se ela não se desse o devido valor, então quem daria? Exatamente, ninguém. Nem sua mãe foi capaz de amá-la o suficiente ao ponto de mantê-la, então porque iria complicar a situação para alguém que estava claramente interessado nas suas capacidades mentais e físicas. Matias era a solução e continuou a ser até que uma morena intrometida girasse uma chavinha em sua cabeça.

Cores de MarteWhere stories live. Discover now