Samael
Samael sentia uma enorme monotonia a cada dia em que se passava em Celestine, todos os dias pareciam iguais e previsíveis como um filme que você já assistiu várias vezes ou uma música que termina da mesma forma. Talvez parte dessa monotonia fosse culpa do garoto, pois ele se recusava a sair de casa, conhecer pessoas e lugares novos, sempre tinha medo de que fosse dizer algo errado, de que as pessoas não fossem gostar dele ou que todos os seus esforços não fossem valer a pena no final do dia.
O verão de Celestine proporcionava aos moradores um dia ensolarado e quente, propício para atividades ao ar livre como passeios na praia, piqueniques e parques aquáticos. Pela noite o clima era fresco e ideal para acampar, ir em baladas e boates ou ir ao cinema, a cidade era o lugar perfeito para se passar alguns dias ou semanas, mas conforme os dias iam se passando, Celestine se tornava tediosa.
Samael não tinha nenhum amigo na cidade e não pretendia sair naquela noite de sexta-feira, mas por insistência de sua mãe o garoto aceitou deixar sua casa e vagar sem rumo pelo quarteirão. Depois de alguns minutos caminhando pelo bairro, Samael se atraiu por uma placa de néon que piscava no outro lado da rua, a placa revelava o nome do estabelecimento: "Cidade dos anjos", Sam leu em sua mente e de alguma forma aquele letreiro havia atraído a atenção do garoto ao ponto de fazê-lo atravessar a rua após olhar para os dois lados e observar a fila formada na entrada do local.
Entrar ali parecia uma péssima ideia visto que aquele não era o local que o garoto costumava frequentar, mas durante alguns minutos Samael se convenceu de que aquilo seria uma experiência e que ele deveria dar uma chance para viver algo novo, então o garoto caminhou até o final da fila e aguardou por sua vez enquanto se questionava se ainda daria tempo de desistir daquela insanidade e voltar para casa. Quando chegou sua vez, o segurança da balada lhe pediu sua identidade e Sam tirou sua carteira do bolso ainda incerto sobre estar ali, apresentou o documento e após ter sua entrada autorizada, ele seguiu até o interior da balada.
Samael nunca havia ido a uma balada antes, mas já havida assistido vários filmes nos quais elas apareciam e, era exatamente da forma que ele esperava. Havia um enorme balcão ao lado direito com letras néon na parede escrito "DRINKS" não era apenas o único item em néon, na verdade, toda a balada parecia haver decorações em néon, desde o balcão, lâmpadas e mesas. A esquerda havia um enorme salão com quatro bancos acolchoados em formato de L que juntos formaram um quadrado, também havia um banco no meio em formato de X e mesas de vidro com um metro de distância uma das outras. Mais a frente ficava o palco com um letreiro em led na parede escrito "CDA", uma jovem moça estava sentada em um banco de madeira enquanto cantava uma música que prendia a atenção do público.
Havia poucas pessoas no ambiente, talvez aquele não fosse um dia de grande movimentação. Sam preferiu se sentar em um banco mais afastado das demais pessoas e dirigiu seu olhar para a jovem cantora no palco. A palma de suas mãos estavam suando e suas costas formigavam, Sam sentia uma mistura de euforia e ansiedade que nunca havia experimentado antes. A ideia de ir para uma balada em uma sexta à noite sozinho, era aterrorizante para o garoto, mas ali estava ele, desafiando a si mesmo e orgulhoso por aquilo.
Depois de algumas horas, Samael estava pronto para ir embora, tateou o bolso de sua calça verificando se havia pegado seu celular e após confirmar que ele estava ali, Sam notou que um rapaz loiro vinha em sua direção com uma bebida em sua mão esquerda.
— Oi, me chamo Nathan — O loiro estendeu a mão para Samael que após hesitar o cumprimentou de volta.
— Samael — Disse enquanto se levantava.
— Você já está indo? — Nathan perguntou com uma expressão de dúvida enquanto ainda segurava a mão de Sam. - Não me diz que quando eu finalmente tomo coragem para vir falar contigo, você está de saída.
Samael esboçou um sorriso de canto enquanto soltava a mão de Nathan. Sam nunca iria imaginar que um garoto como Nathan iria nota-lo, muito mesmo que fosse se interessar por ele e agora que estava naquela situação, estava curioso para ver aonde aquilo iria dar.
— Finalmente? Desde quando você está juntando coragem para vir aqui? — Sam disse sorrindo enquanto se sentava novamente em seu banco.
— Bom — Nathan se sentou ao lado de Samael e se virou para o garoto com uma expressão de dúvida. — Desde que você chegou?
Os dois deram risada daquilo, mas Sam riu principalmente porque ele achava surreal que um garoto bonito como Nathan estivesse interessado nele. Não que Samael não fosse atraente, mas garotos do tipo de Nathan geralmente não se interessavam por garotos como Samael e isso era fato.
— Você é daqui de Celestine mesmo? Acho que nunca te vi por aqui. — Nathan perguntou enquanto colocava sua bebida sob a mesa, sem tirar a atenção de Samael.
— Sim, mas não sou muito de sair, deve ser por isso! - Sam disse enfático e voltou sua atenção para suas mãos, que estavam molhadas de suor, então voltou a encara o garoto em sua frente — Na verdade, essa é a minha primeira aqui.
— Na cidade dos anjos? — Nathan questionou e notou rapidamente Sam limpando o suor de suas mãos em sua calça jeans preta.
— Em uma balada! — Sam afirmou com um sorriso inseguro.
— Bom, devemos comemorar isso, então? - Nathan fez um gestão com a mão para cima e pouco depois disso veio um garçom. — Gostaria de uma Vodca com gelo e para meu amigo aqui um...?
Nathan esperou Sam dizer o que gostaria, mas o garoto não sabia o que pedir, então decidiu pedir o mesmo que ele. — Pode ser duas Vodcas.
O garçom anotou os pedidos e se retirou, deixando Nathan e Sam sozinhos novamente.
— Me diga Samael — Nathan disse enquanto observava o garoto como se o analisasse. — Você acredita em destino?
A pergunta de Nathan surpreendeu Samael, que pensou por alguns minutos antes de responder. Samael não conseguia comprar a ideia de que tudo que ele fez, estava predestinado a acontecer, como se suas ações não estivesse sob seu controle, mas parando para pensar, ele nunca tinha percebido aquele letreiro até hoje, seria o destino o guiando até o momento presente ou ele só era um garoto antissocial e desatento? De qualquer forma, ali estava ele, sentado ao lado de Nathan, como se eles se conhecessem há anos.
— Talvez, Nathan - Sam deu um sorriso bobo enquanto encarava o garoto ao seu lado e virou o rosto, notando que o garçom estava chegando com as bebidas. — Talvez.
[Música que tocava durante a conversa entre Samael e Nathan:]
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Cidade dos Anjos
RomanceSamael Condori conhece Nathan Petrova em uma balada chamada "Cidade dos anjos" e logo os dois embarcam em um romance cheio de provocações, mistérios e reviravoltas. Novos capítulos toda Segunda e Sexta.
