Capítulo único

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Carta aberta para a garota que eu (amo)odeio.

Eu nunca soube como falar com você, e acho que nós dois sabemos muito bem disso.

Então, também não sei como começar isso aqui. A questão é: eu tenho muitas coisas a dizer, então vou ter que dar um jeito, de qualquer forma.

Como você sempre foi melhor em se comunicar do que eu, vou começar com algo que você disse.

Uma vez, escutei quando uma amiga sua te pediu um concelho, e prestei muita atenção no que você respondeu. (como sempre, diga-se de passagem. Você deveria saber, que eu costumo prestar muita atenção em tudo o que você diz, no som da sua voz, no geral. Sou um pouco viciado nela, admito.)

A sua amiga te perguntou como ela podia melhorar uma redação de apresentação que tinha que fazer, dizendo que estava completamente empacada.

Eu observei vocês duas – olhei mais você do que pra ela, preciso admitir – atrás de uma pilastra, durante todo o horário de recreio – esqueci até de comer – enquanto você e sua amiga estavam sentadas em um banco escondido num canto do pátio. – você nunca gostou das multidões, eu sei. – Sua amiga estava com a cabeça deitada no seu colo, e você fazia carinho no cabelo dela. – confesso que eu queria estar no lugar da sua amiga, e fiquei ali por um tempo me imaginando no lugar dela. Dor de cotovelo, já sei, não precisa dizer, mas eu não ligo de ser um invejoso quando se trata de você.

O diálogo entre vocês duas foi o seguinte:

- Fazem eras que eu estou tentando escrever a minha redação de apresentação e motivação para a minha aula extra. Como você escreve? – sua amiga perguntou, folheando o que eu imaginei ser um dos seus textos dentro do seu caderno. Aquele, com a capa marrom café manchada de tinta.

Não me surpreendeu que ela pedisse concelhos para você. Todo mundo pedia concelhos para você – e nem precisava ser necessariamente sobre redação. Mas principalmente sobre redação – Você era definitivamente a melhor escritora da nossa sala – da escola toda, do mundo todo, a melhor escrito de tudo isso que existe. (desculpa, eu realmente sou muito rendido por você) – Você sempre foi boa em dar concelhos, aliás, eu não sei como, você sempre foi boa em tudo.

- Sério, se você tem um segredo, me conta. Minha redação de apresentação ainda precisa ser escrita. – sua amiga riu, mas a sua resposta não podia ser mais simples.

- Seja honesta. – foi a única coisa que disse, com um sorriso largo, fazendo carinho no cabelo dela com as pontas dos dedos, segundo antes dela te olhar sem entender. – O que quero dizer; é que essa carta será lida apenas a quem for entregue, e será apenas sobre você. Não precisa se preocupar com quem vai achar o que, apenas diga o que você sente, seja completamente sincera, não precisa se preocupar com seus amigos, seus pais, ou ninguém mais. Importe-se apenas com você mesma e com quem vai ler essa carta. – você finalizou, com aquele seu sorriso lindo, suave e simples.

Então, lembrando do que você me disse – indiretamente falando, é claro – que vou começar isso. Sendo completamente honesto com você.

Então, vamos do começo:

Te conheci quando tínhamos apenas doze anos. Você tinha acabado de entrar para a escola, era muito tímida e gentil com todos, mas ao mesmo tempo, cheia de personalidade e completamente autêntica.

Usava presilhas coloridas, meias estampadas, arcos completamente coloridos e diferentes, brincos estranhos, fitas no cabelo e tudo que tem direito. As blusas do seu uniforme estavam sempre machadas de tinta, e, com o passar do tempo, os bolsos das suas calças jeans começaram a ter paisagens e personagens muito bem pintados à mão.

Carta Aberta Para a Garota Que Eu (Amo) OdeioHistorias para obsesionarse. Descúbrelo ahora