Único.

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Roronoa Zoro.

Ambas as mãos tremiam com a pressão que aquela maldita gaiola fazia contra suas espadas. Xingava mentalmente, pondo toda sua força e aparentemente não fazendo efeito. Olhou para o lado, uma multidão de pessoas suadas por conta do próprio esforço e nada de uma trégua dos fios. Quanto tempo faltava?! Quarenta segundos para conhecer o inferno? Merda! Se tivesse treinado um pouco mais com Mihawk e a garota fantasma.. O arrependimento e o desespero afloravam por seu peito.

Não temia à morte, muito pelo contrário. Temia à morte de seus preciosos companheiros. Até mesmo a do sobrancelha de arame. Almejava que todos tivessem uma vida longa e farta de bênçãos. Principalmente a de um baixinho que usa chapéu. Seu coração falhava só de pensar na figura deste homem e não poder verificar se estava bem. Era tão sensível em relação ao seu capitão que lhe dava raiva.

Possuíam um relacionamento há dois anos, no qual mantinham em sigilo total. O motivo? Zoro odiava dar satisfação de sua vida para alheios e muito menos demonstrar afeto em público. Sentia-se fraco ao expor seus sentimentos. Aprendeu há muito tempo que bons soldados precisavam ser úteis apenas em batalhas. Fora isso, nada importava. Porém, o seu e apenas seu sol fazia com que o esverdeado quebrasse esta regra quando estavam em quatro paredes. Neste momento, queria abraçá-lo e confessar para todos quem era o seu amor.

Dez segundos. O fio de esperança desfazendo-se a cada milésimo que  passava. Gritos de pânico dominavam o ambiente. Pôde ver a figura de Kuina ao seu lado, sorrindo em sua espera. Balançou a cabeça, a loucura já governava  sua mente. Porém, no que poderia denominar como milagre, aconteceu. Os enormes fios foram desfeitos em passes de mágica.

Luffy ganhou de DoFlamingo.

A euforia fez-se presente entre os cidadãos e naqueles que seguravam os fios. Até mesmo Fujitora aparentava felicidade. Roronoa guardou suas espadas na bainha e ainda sem comemorar, correu em direção ao meio da cidade. Não poderia fazer quaisquer festa sem ter a certeza que seu capitão estava vivo. Era a porra de um shichibukai que enfrentaram, não um zé ninguém. Não poderiam subestima-lo em hipótese nenhuma. E por algum motivo, tinha um pressentimento horrível.

Toda via, todas as suas incertezas foram desfeitas ao chegar no local e observar o moreno prestes a cair no colo de uma garota de armadura. Apressou os passos, talvez um pouco enciumado e impediu isso. Agora, o Monkey estava em seus braços e felizmente não-morto. Agachou-se, pondo ele sentado no chão e sua destra nas costas alheias, apoiando-o. Seus próprios pensamentos foram da terra à lua, perguntando-se no que fazer. Possuía medo do que diabos poderiam fazer ou pensar de ambos; aquilo era realmente o certo? Isso iria impedir lhe do título de melhor espadachim? Ou de Luffy se tornar o rei dos piratas? E se...?

Foda-se.

Parou por um milésimo de imaginar e agiu por instinto. Selou seus lábios com o do namorado em um selinho demorado. Não era aquele beijão de cinema, mas estava o suficiente para os dois. Ninguém entenderia o laço deles e Roronoa não teria paciência de explicar. Ao se separarem, avistou-se um pequeno sorriso no rosto de ambos. Roronoa deixou mais um selar em sua testa, acariciando sua bochecha machucada. Estava tão concentrado no homem em seu braço que nem notou a confusão da multidão que os observava. Não era comum um casal homossexual.

─ Você está bem? O shichibukai não te deu uma canseira, né?! ─ Disse baixo, apenas para o namorado escuta-lo.

─ Tô bem melhor agora. Mingo não era lá essas coisas. Claramente eu estava em vantagem.

─ Percebo isto... Pode descansar. Tá seguro agora.

Não precisou nem sequer pedir mais, o moreno apagou no mesmo instante. O esverdeado pegou-o no colo estilo noiva, iria levá-lo até o que restava do hospital. Porém, naquele momento percebeu todos os olhando surpresos, alegres ou com nojo. Era um total misto. Estalou a língua no céu de sua boca, ignorando-os e seguindo caminho. Até os próprios companheiros estavam surpresos, mas ao contrário de muitos, estavam felizes e desejavam felicidades. Se tinha a aprovação deles, o esverdeado estava contente.

─ Zoro-senpai! Luffy-senpai! Vocês aceitam um threesome?

Bartolomeu corria em sua direção com corações e lágrimas nos olhos. Céus, como foi merecer isso? Não teve nem tempo de responder pois um loiro de chapéu aproximou-se, completamente furioso.

─ Como ousa beijá-lo sem pedir a autorização e benção da própria família? Irei te matar, maldito! ─ Gritava um irmão enciumado, sendo segurado por uma garota de saia rosa.

─ Para com isso, Sabo! Deus, que vergonha. ─ Dizia a morena que o segurava.

É, seria uma longa tarde de perguntas e respostas.

Apenas você. - Zolu.Stories to obsess over. Discover now