Epílogo... ou não?

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 A vida de um escritor não é nada fácil, entende? São vários planejamentos, pesquisas, experimentos, bloqueios criativos, desmotivação, erros e acertos. E mesmo assim, era muito divertida.

 Qualquer situação era motivo de ideias e novas histórias, o problema era organizar isso, de fato, mas ainda assim muito divertido.

 A ideia de escrever terrores que atormenta os sonhos dos leitores, dramas que motivam as pessoas, romances que podem aquecer até o mais duro dos corações, heróis com motivações comoventes que superam qualquer obstáculos em seus caminhos, é incrivelmente deliciosa, e claro, divertido.

 Quer dizer, ao menos para o escritor, já que a vida daqueles personagens dentro dum mundo de papel e tinta claramente não é nem um pouco pacífica e agradável.

 Viver à espreita e alerta, com medo dos inimigos e possíveis obstáculos, tudo para continuar privando suas motivações e objetivos, realmente, uma vida nada desejável.

 E por isso amava escrevê-la, os personagens passando por tudo apenas com a força da "amizade" para o "bem maior", o quão interessante é? Tão… divertido.


— Eu não aguento mais! — a garota desabou no chão, respirando fundo tentando conseguir fôlego após a longa batalha travada apenas algumas horas atrás.

— Temos que continuar! Não podemos desistir agora! — tentou motivar a amiga, que estava de joelhos e com as duas mãos fincadas na terra, a lança dourada adquirida ao longo das batalhas pousando em suas costas.

— Cara, aceite, isso é praticamente impossível! — retrucou outro.

 Os cinco adolescentes se encaravam num silêncio absoluto, olhando para alguns lances de escadas até uma construção de aparência antiga e conservada. Se assemelha muito aos templos da Grécia antiga.

— Depois de todos esses anos lutando… tentando sobreviver… nós finalmente conseguimos derrotar os demônios do Abismo! Por que devemos passar por isso sozinhos? Se existe realmente um deus como nas escrituras que encontramos, ele tem que nos ouvir! E vocês querem desistir por causa de um lance de escadas? — virou para seus amigos, argumentando e fazendo-os pensarem em suas palavras.

— Incrivelmente falando, o idiota tá certo. — um moreno falou, parecia estar engolindo um copo inteiro de limão azedo enquanto concordava com o amigo que praticamente irradiava luz.

— Podemos conseguir, só precisamos ficar juntos! Já passamos por tanto, se ficarmos unidos, podemos enfrentar qualquer coisa!

 Os outros quatro adolescentes concordaram com risadas animadas, e aqueles que haviam sentado para descansar, se levantaram para continuar caminhando.

Tão sem graça… — uma voz falou baixinho para si mesmo, enquanto, de um trono majestoso daquele templo, observava de cima os adolescentes subindo as escadas parecendo determinados e animados. 

 O ser batucava os dedos no braço do trono de mármore em uma sequência agradável aos seus próprios ouvidos. Seu queixo apoiado na outra mão com o cotovelo em cima do trono, em seus olhos, um brilho preguiçoso e perigosamente entediado.

 Estava apenas esperando. Com uma leve esperança que o que acontecesse a seguir fosse mais interessante do que o futuro que estava prevendo.

 Os minutos passaram, e o som de passos ecoou pelo templo extremamente silencioso, ao ponto de que até mesmo o mais delicado passo fizesse um enorme barulho.

 Os cinco adolescentes caminhavam enquanto seus olhos percorriam todo o local, tentando absorver até os mínimos detalhes.

 Até que eles notaram haver mais lances de escadas, eram umas cinquenta, talvez, e no topo da escadaria, havia um trono, e a pessoa sentada ali chamou a atenção deles. Não se sabia se era por sua aparência esplêndida ou o olhar desinteressado, e talvez até mesmo desapontado.

Onipotência Where stories live. Discover now