Capítulo Único

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São duas horas da manhã, a música continua a tocar em seu volume mais alto, as pessoas ao redor não parecem se importar com o horário e muito menos se o barulho incomodaria os vizinhos. Todos os seus amigos estão ali dançando como se não houvesse amanhã enquanto você encontra-se sentada sozinha bebendo o álcool barato, seu olhar pela janela encontrando a rua deserta. Tudo que passa por sua cabeça é "por onde ele anda uma hora dessas?", ao terminar a quinta garrafa da noite sente uma presença ao seu lado.
- O que você pensa que está fazendo? - A voz da garota embarga desaprovação. - Você devia estar se divertindo.
- Eu estou. - Sua mentira não é convincente.
- Uhum, tô vendo o quanto você tá se divertindo. - Sua amiga revira os olhos te arrancando um meio sorriso. - Vem, vamos dançar!
- Não, não quero. - Ela segura seu braço te fazendo levantar, você nega mais uma vez.
- Você não pode ficar sentada aí para sempre, SN. - Ela diz séria dessa vez, seu suspiro cansado é a única resposta. - Até quando vai ficar se preocupando com ele?
- Eu preciso ir. - Seus olhos fogem os de sua melhor amiga, ao encontrar seu casaco se despede rapidamente. - Até manhã.
A voz da garota continua por proclamar seu nome algumas vezes, ela sabe. Todos os seus amigos sabem que tem algo errado, você não os diz nada porém não há como negar. Seu corpo passa pela porta colocando as mãos nos bolsos da blusa que toma todo seu tronco, afinal esta pertencia a ele. A noite escura e vazia de Shibuya não te assusta, você estava acostumada a se locomover sozinha pela cidade. Não importa o que ele ache sobre isso, você sabe se proteger e não precisa de alguém te dizendo aonde pode ou não pode ir sozinha, principalmente quando ele nunca está presente para te levar à lugar algum.
A casa de sua amiga não era muito longe da sua, por isso o caminho seria curto porém o suficiente para te fazer pensar. Entretanto, esse era um de seus maus hábitos, seus pensamentos te consomem até que você sinta-se sobrecarregada. É terrível. E ele com certeza diria, com a voz rouca e acolchoada (pelo menos era isso que você sentia ouvindo-o falar): "você pensa demais e sente demais também, uh." Um riso irônico escapa seus lábios, ao chegar ao seu destino encontra o que esperava: nada. Ele não está ali, a moto dele não está parada em seu lugar habitual, ao adentrar o pequeno apartamento não sente o cheiro do perfume que te entorpece. É quase natural não encontrá-lo mais ali, ele nunca está la. São duas da manhã e estou pensando em você. E se você me ligasse agora me pedindo para ir até você, eu iria correndo. Mas se eu te ligar agora, você nem ao menos atenderia.
Você acha isso justo? Deixar sua garota indo dormir sozinha todas as noites, deixar sua garota voltar para casa sozinha, deixar sua garota pensando repetidamente e obsessivamente se fez algo de errado. Você não acha isso injusto?
Continuar ali naquele lugar onde deviam dividir um lar não parece mais certo, nada ali parece com um lar mais. Não há razões para continuar ali, seus pés não te obedecem e quando percebe já passou pela porta. Seu corpo sente a brisa da madrugada contra sua pele, resultando em abraçar a blusa que continha um resquício do cheiro dele. Para onde ir? Sua mente não sabia mas seu coração parece tomar controle, andando calmante pela noite até o local onde se encontraram pela primeira vez. Ele nem deve se lembrar ou sequer se importa com o local, mas você vai até lá mesmo assim.

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São duas horas da manhã quando finalmente mais uma briga havia chegado ao fim, há garotos machucados por todos os lados, entretanto sorrisos perduram por suas faces. Todos se parabenizam por mais uma conquista para a famosa Toman, o vice-presidente sente-se tremendamente orgulhoso de seus companheiros. Assim que a calmaria chega e todos sentam-se ao lado de suas motos, ele permite-se checar seu celular. Não há ligações, não há sequer uma mensagem de boa noite ou perguntando como estão as coisas. Tudo que se passa em sua mente é "garota, me ligue. você  sabe que meu celular toca perfeitamente! me ligue."
- Oy, Draken. - A voz do dono de fios violetas chama. - O que olha tanto para o celular?
- Não é nada. - Diz guardando o aparelho.
- Eh? Acho que você tem outro lugar para estar. - Seu amigo diz alternando sua visão agora para os outros presentes ali.
- O que quer dizer com isso, Mitsuya? - O loiro nota o pequeno sorriso na face de seu amigo.
- Você realmente não leva muito jeito para relacionamentos, não é? - Com as mãos no bolso, o dono de olhos da mesma cor do cabelo diz. - São duas da manhã, você não devia estar pensando em alguém?
A mente do loiro percorre por entre suas próprias memórias encontrando o rosto dela como a única constante, o sorriso espontâneo que faz uma pequena covinha aparecer no canto esquerdo; o jeito desengonçado quando acorda de manhã e levanta-se da cama batendo em tudo que há pela frente; o gosto por músicas que ele nunca nem ouvirá falar, sinceramente há tantas coisas. São duas da manhã e estou pensando em você, garota o que você faz comigo?
- Preciso ir. - A voz rouca do loiro diz com convicção.
- Para onde? - Outra voz intromete-se na conversa. - Não vai ficar para a comemoração, Ken-chin?
- Tenho outro lugar para estar, Mikey. - Mitsuya da uma piscadela ao ouvi-lo ligar a moto.
- Ah...isso é sobre a SN-chin? Ela estava numa festa com os amigos alguns minutos atrás. - Ele diz parando ao lado de seu melhor amigo, mostrando o vídeo em seu celular postado em uma rede social.
- Ela odeia festas. Por que ela não me disse que tinha ido a uma?
- Eu achei que vocês tivessem terminado, Ken-chin. - O menor diz descontraído, sentando nos degraus da escada em frente deles.
- Eh? Por que achou isso, Mikey? - Com uma expressão confusa, encara o amigo.
- Vocês nunca estão juntos, faz semanas que vejo ela chateada voltando do trabalho. Você nem fala mais dela, Ken-chin.
- Chateada? E por que não disse nada, Mikey?! - O desespero em sua voz era evidente, sua tentativa de sair do lugar com a moto apenas confirmava isso.
- Eu achei que vocês tivessem terminando, como eu iria saber? - O baixinho diz surpreso pelo modo como o amigo se encontra, para falar a verdade ele nunca achou que o relacionamento fosse durar. - Você está conosco todas as noites, nunca pega no celular. O que você achou que eu iria deduzir?
- Caralho, ela deve me odiar! Eu nem ao menos percebi como a ignorei por esses dias, estive tão preso em meus próprios pensamentos que não pensei nela.
A única coisa que Draken poderia fazer agora era tentar encontrar sua namorada, ele liga para a garota desesperadamente diversas vezes. Após cinco tentativas frustradas ele finalmente recebe uma resposta, ela não parece feliz. " estou bem, não precisa me ligar. estou no lugar onde nos conhecemos, se ainda se lembrar disso então venha."
Um sentimento estranho e desconhecido toma seu peito, uma sensação nova e nenhum pouco confortável afligia todo seu ser. Aquela havia sido a primeira vez que ele teve medo de perdê-la, e foi devastador.

2 ᴀ.ᴍ. - DrakenHistórias para pegar e não largar. Descubra agora