Os meus olhos doíam, talvez pela falta de sono ou talvez pela ressaca. A minha vida se resumia em sair, encher a cara e acabar em uma casa qualquer sem me lembrar do dia anterior.
Com um cigarro na mão, olhando pela janela, naquele dia nublado, a neve cobria o chão e as crianças brincavam sob a neve, me lembrei daquele dia em que você me levou para o chalé da sua família.
Naquele dia, pela primeira vez depois de muito tempo, eu me senti viva, minha alma se encheu novamente, onde por muito tempo só achei que existiria escuridão.
Olhei para o quadro na parede, aquele que você pintou para mim, meus olhos se encheram de lágrimas, e minha mente se encheu de lembranças. Eu daria tudo para ver seu singelo sorriso, eu daria tudo para me afundar novamente na imensidão de seus olhos castanhos.
Sinto falta do doce som de sua voz, da doce melodia que saia de sua boca, enquanto você tocava aquele velho violão, tudo me lembrava você.
Agora tudo que sinto, tudo que vejo é o vazio.
A noite caiu, e eu não conseguia levantar da cama, meu irmão bateu na porta novamente, e eu só ignorava.
O meu corpo doía, mas a dor não era física, minha cabeça não estava onde deveria.
Finalmente consegui sair da cama, mas neste momento ando seu rumo e sem direção.
Pela imensa rodovia, onde carros passavam a todo momento, com as mãos no bolso do casaco azul que você me deu.
Eu segurava pra não chorar, um som ensurdecedor chegou eu meus ouvidos, ao olhar para o lado uma luz forte de um grande farol tocou meu rosto, estava cada vez mais perto, simplesmente fechei meus olhos, e pela primeira vez depois que você se foi eu me senti bem, porque agora eu poderia ficar com você por toda a eternidade.
Nós dois juntos novamente, sentados em frente à ladeira, confortáveis com o calor do fogo.
