Capítulo 1

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Me dê algo a que sonhar.
Me dê uma guerra na qual valha a pena lutar.
Me de um amor no qual eu morreria para amar


Harry's pov:

O bisturi treme em minhas mãos errantes. Não importa que já se passaram anos que faço isso, abrir um cadáver é sempre maravilhoso, assustador e faz meu coração pular e minhas pernas tremerem. Faço um corte  no pescoço do defunto, tentando ser o mais delicado possível e não romper nenhum vaso.

Se a corte descobrir o que faço nas minhas horas vagas, provavelmente serei decapitado. Eles chamam isso de bruxaria. Eu chamo isso de ciência.

Continuo perfurando a pele daquele pobre infeliz, tentando, ao máximo, chegar aos músculos. O cheiro de carne morta me preenche e uma pessoa mais sensível desmaiaria,mas não eu.

Eu amo isso.

"Muito bem, Styles. Muito bom mesmo". O Senhor Bedard me elogia do outro lado da mesa onde se encontra o cadáver.

Ele é o curandeiro do castelo e uma das poucas pessoas nas quais eu confio.Eu tinha apenas dezesseis anos quando, movido pelo tédio, acabei parando nos porões do palácio. O ar ali era frio e úmido e eu estava apavorado. Foi quando eu vi. Parado sobre uma mesa, mexendo em uma pessoa, com uma faca. Naquela época, eu não sabia que se tratava de um cadáver. Eu quis fugir, mas o Senhor Bedard me viu antes.

Eu pensei que era meu fim, mas o curandeiro apenas me olhou nos olhos e me perguntou se eu queria ficar ali e acompanhar.

Eu não queria.

Mas não queria parecer covarde, apesar de eu ser um. E eu realmente estava entediado.

Então, eu fiquei. Com medo, desesperado e tremendo, mas fiquei.

Nesse dia, o Senhor Bedard colocou um coração na minha e me olhou com apreensão. Naquele momento, eu descobri que nasci para aquilo. Era simplesmente surreal ter algo que um dia fora uma vida literalmente na palma da sua mão.

Eu me viciei em anatomia e comecei a gastar todo meu tempo livre nas catabumbas úmidas e mofadas do castelo. Senhor Bedard se tornou mais que um curandeiro, se tornou um professor, um amigo e meu confidente.

De anatomia, passei para os estudos de ervas. Em poucos meses, eu já tinha conhecimento de todas as plantas usadas para curar.

Ou para matar.

Muitos usam espadas, o que é muito performático, não irei negar, mas não há nada mais gratificante do que ver um homem definhar aos poucos, sem ter, sequer, noção de quem estava o assassinando.

Ervas matam. E o mais incrível delas: muitos não sabem disso.

Volto para minha tarefa de dissecar o pescoço à minha frente.   Delicadeza, calma e conhecimento. Tudo aquilo que muitos acham que não tenho.

Eu tenho algo muito valioso em uma corte: qualidades que a maioria desconhecem.

Estou no meio de meu  trabalho, acompanhado de palavras de incentivo de Bedard, quando uma voz nos interrompe.

“Alteza, desculpe interromper o senhor, mas creio que já está ficando tarde e é preciso voltar aos seus aposentos”. Meu criado pessoal fala com um certo tédio. Ele é, junto com Senhor Bernard e Gemma, as únicas pessoas que eu confio nesse lugar hostil.

Broken Thrones| Larry StylinsonOnde histórias criam vida. Descubra agora