Uma, duas, três, quatro. Quatro camadas de planos de fundo me separavam do horror do lado de fora. A visão da Janela, que me permitia admirar as nuvens de fumaça, anunciava a chegada de algo incompreendido e apaziguador. Não se ouviam gritos do lado de lá, nem mesmo o habitual som de carros na rua movimentada. A paz gritava aos ouvidos daqueles que paravam para escutá-la, notável a qualquer um disposto a notá-la.
— E b é o ponto neutro, então...
— Mas, professor! O ponto...
Foi o trecho que consegui captar da conversa insignificante, tendo em vista os acontecimentos aos arredores, que os indivíduos presentes na mesma sala que eu estavam tendo. Irritei-me logo. Como podem! Ignorar a morte dessa forma chega a ser desrespeitoso! A coisa estava vindo mais rápido do que esse seu pêndulo!
Meu olhar fixo para a Janela foi brutalmente interrompido por um vulto negro que passara. A porta à esquerda abriu.
— Professor! — Disse o homem, não mais vulto.
O avisado se direcionou para atender ao anunciador, título que não mais pertencia à janela que anunciava a morte, pois creio já saber do que vão tratar. A porta à esquerda se fechara.
— Pessoal, não teremos aula amanhã.
Olhei para a Janela que, à saída do homem, deteve seu título novamente. O céu escuro tomava conta de me manter apavorado. Sentia que me chamava, e por um instante vi se aproximando de mim, lentamente, me sufocando. Na minha mente eu agonizava, fisicamente estava paralisado.
— Anda, vamos embora. — Um amigo me chamou, me despertando da agonia.
Percebi que se tratava apenas do sinal para o intervalo entre uma aula e outra, e vi todos marchando para a morte, de maneira risonha e destemidos.
— Não sairei daqui para nada, e por nada.
