Mitsuya
Mais um dia, perdido na imensidão de alfinetes que possuía em várias caixas das mais diversificadas cores. Tentava terminar uma peça para um desfile que ocorreria no final desta semana. Já tinha praticamente tudo organizado e as noites que perdi não haviam sido em vão. Sentei-me no sofá cansado daquele trabalho, mas infelizmente se queremos futuro na arte e na moda temos que batalhar um pouco mais devido ao pouco reconhecimento que existe. Não vou mentir, o marketing que haviam feito ás minhas obras depois de eu ter rejeitado uma companhia há alguns anos na minha primeira oportunidade de ser reconhecido, ascendeu em grandes expectativas o meu trabalho. Pergunto-me até hoje porquê, afinal de contas eu humilhei o palco vestindo o traje da Toman. Na visão de alguns comentadores foi horrível o meu ato, havia sido egoísta e brincado com o trabalho de quem também se esforçou, para outros foi uma revolução no bom sentido, pois a arte tal como a moda é um lugar de liberdade, expressão e criatividade e o modo de como eu surgi no palco de modo diferente foi o brilho nos olhos.
Comecei a mexer um pouco nos meus fios de cabelo roxos platinados enquanto esticava as minhas pernas e soprava o ar. Estava a precisar de conviver, tinha essa consciência, não saía com os meus amigos há cerca de dois meses, a vida tomou outros caminhos para todos então cada vez era mais difícil o nosso reencontro, mesmo trocando mensagens por um tal grupo criado numa rede social. A última vez que nos divertimos de verdade foi no casamento de Takemitchi, lembro do quão animado foi, o bolo estava delicioso, toda a decoração requintada e a noiva linda vestindo uma das minhas criações. Também costurei o terno do rapaz chorão mas confesso que me esforcei mais na roupa feminina. A música era dividida entre vários estilos musicais, com certeza teria sido obra de Chifuyu. As danças... as danças... ora eram animadas, onde todos pulavam e gritavam fazendo das demais palhaçadas, ora eram calmas, onde dançariam com o seu par ao som de algo romântico. Dancei com Hakkai, os corpos colados tudo proporcionado para algo a mais acontecer. Naquele dia não conseguia disfarçar tal como nos outros, acabava sempre por intercalar o meu olhar em seus olhos e a sua boca, mas ele fazia o mesmo. Nós sempre temos estes momentos tensos, mas há sempre algo que nos proíbe de continuar em frente. Não sei bem o que, a verdade é que nunca me confessei ao mais alto por medo mesmo, era das minha amizades mais duradouras e o problema é exatamente esse, é que não parecia passar da amizade.
Ás vezes quando costuro perco-me a pensar nele, distraí-me tão facilmente que me irrita, como era possível um ser humano fazer isto comigo. Estava com saudades de Hakkai, o trabalho dele era tanto ocupado como o meu. Hakkai era famoso, um modelo com uma beleza de invejar, tinha orgulho de quem ele se tinha tornado. Além do mais a mídia o perseguia, não sei se seria certo ele ficar com uma pessoa de tão baixo estatuto social, e claro, sou um homem. Não perdia nem uma revista onde ele era a capa, a sua irmã Yuzuha também era uma graça, uma staff que teria que ter um monte de paciência para afugentar todas as mãos que desejavam tocar o corpo do irmão. Invejava os designers que tinham o privilégio de trajar Hakkai como bem lhes convinha, adoraria trajá-lo uma única vez. Os ombros largos e descaídos cairiam perfeitamente em um corpet que eu fiz para este desfile, o brilho e todo o retalho com certeza assentariam. De duas em duas semanas ele aparece aqui no estúdio, mas já se fazia 1 mês que ele não me visitava.
- Takashi-san! - a voz de uma de minhas irmãs mais novas rompeu completamente a trajetória das minhas reflexões. - Você não vem comer? - o meu ateliê era por baixo de minha casa então era fácil chamarem para as refeições. Luna e Mana estavam a um ano de entrarem na faculdade, eram alunas impecáveis apesar das personalidades distintas. Estava juntando algum dinheiro para pagar o que fosse preciso para elas prosseguirem os estudos. Luna tentaria se candidatar a uma bolsa de estudos com 100% das despesas pagas, sempre que falamos de tal assunto joga este argumento. A minha mãe não conseguia pagar direito, quem estava pagando tudo era eu. Aos poucos ia conseguindo mas não era uma tarefa fácil. A minha mãe era um assunto complicado, tinha semanas que ela se some, tem dias que não lhe pagam entre muitas coisas como a sua doença recente. Me vi na obrigação de fazer algo a mais, super me empenhava nesta época.
- Não, não deixe para lá, Mana.- falei em um tom mais alto por conta da outra estar por trás da porta.
- De novo?! Quando que vai parar de pular as refeições!? - conseguia ouvir o tom irritadiço invadir os meus ouvidos, mas logo bateu o pé e saiu da minha vista. As minhas irmãs nunca insistiam muito em me chamar, já se habituaram ao meu costume teimoso. Suspirei pesado e ouvi a porta se abrir.
- Desculpe mas estou com agenda cheia para hoje. - soltei de olhos fechados no sofá, mas senti um corpo me abraçar fortemente. - Ha-Hakkai? - por instinto a minha mão alcançou a sua cabeça, tocando no cabelo raspado. Analisei rapidamente a situação. - Hakkai, se te vem aqui você se ferra. - avisei para que ele se afasta-se, mesmo contrariando as minhas vontades. - Está bem? - o outro apoiou o queixo em meu peito e deu um sorriso gentil.
- Só estava com saudades suas Taka-chan. - senti-me aliviado por esta aparição, eu estava começando a achar que ele poderia estar enjoando de mim ou muito ocupado que também me deixava preocupado. O Shiba levantou-se e aposentou-se numa poltrona que se encontrava de frente para o sofá.
- Veio aqui sozinho? - reparei pelo vidro da loja que não se encontravam aqueles garçons que vez ou outra andavam com ele.
- Sim, eu estou com o horário um pouco folgado hoje e aproveitei esta oportunidade para aparecer. - arregalei os olhos com a despreocupação do outro.
- Hakkai você endoidou em vir aqui sozinho. - fui calmo mas estava sendo um pouco dramático, o outro apenas riu da minha cara.
- Relaxe Taka-chan! Estava impossível te visitar. Mas eu consegui! Como sempre! - se levantou e fez uma pose de herói, ri e o outro corou.
- Tá parecendo um tomate, "herói". - Hakkai retribuiu com uma careta irritada.
- Aff, você só zoa de mim mesmo. - cruzou os braços e fui até perto de si para que pudesse arrumar a sua gravata um pouco desfeita.
- Você continua tão desastrado. - me concentrei naquele gesto e vi que o outro estava cortando a respiração. - Eu não proibi você de respirar, ou proibi? - não o olhei, eu não me conteria com aquela pouca distância que eu havia feito. Sempre era eu a deixar estes momentos assim tensos o que me fazia refletir nos pensamentos do mais alto. Com certeza não eram recíprocos e talvez em algum momento eu deveria de parar com o que dura á anos. Se eu contasse a alguém sobre a minha paixão, me chamariam de burro e com motivos, mas eu lembro uma vez de minha mãe me dizer que o amor deixa as pessoas mais lerdas então eu teria uma desculpa. Acho que deveria sair com garotas, as coisas parecem mais simples se eu ficar com uma garota.
- Taka-chan não é isso. - olhei para o rosto de Hakkai por dois segundos e vi o outro mais vermelho ainda.
- Desculpe eu só queria arrumar a sua gravata. - tirei as mãos achando que o estava sufocando.
- Ah! Mas ela ficou boa, obrigado. - sorriu e desvio o olhar procurando algo. - Nossa que incrível! - parece que tinha voltado ao normal. - Essa é sua nova coleção? - apontou para as peças que tinha nos manequins.
- Bem, mais ou menos. São para um desfile no final dessa semana.
- Você vai fazer um desfile?!?! - Hakkai se surpreendeu.
- Só como convidado, o desfile não é meu.
- Ahhh você nem me convidou para eu assistir. - cruzou os braços.
- Eu achei que você estivesse trabalhando. - ajeitei os meus óculos, buscando por alfinetes não mostrando muita relevância no tema.
- Uhm? Poderia me ter perguntado ao menos... - sussurrou mas eu consegui ouvir.
- VEM COMER! - a minha outra irmã bateu no vidro com raiva. Hakkai ficou confuso e eu apenas revirei os olhos quando vi o vulto entrar pela porta.
- Luna, eu falei que estava sem fome. - coloquei a minha mão no seu ombro, respondi com gentileza.
- Quando que vai parar de saltar as refeições!?
- Está pulando as refeições? - vi Hakkai se aproximar da nossa conversa.
- Parem de me fazer perguntas. - a aura realmente estava se dirigindo para um caminho não muito famoso. - Estou indo. - comecei o caminho para o andar de cima onde iria almoçar.
- Vem almoçar com a gente Hakkai! - a minha irmã realmente não perdia uma oportunidade para me irritar. Ela não tinha culpa o meu consciente é que decidia fazer as coisas deste jeito.
ČTEŠ
A Minha Moda Favorita
FanfikceO mundo da moda é mais difícil de alcançar do que qualquer um pensa. O reconhecimento que eu consegui até hoje foi a fim de prioridades que precisei de fazer ao longo deste processo. Preciso de tempo... tempo com todos.
