Prólogo...

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**DEZ ANOS ATRÁS...**

Da janela de seu quarto, Jungkook tinha o que chamava de "posto de observação privilegiado" sobre a vizinhança.
Ele acompanhava a rotina da rua como quem assiste a um documentário sobre a vida selvagem.

Havia a casa dos Mins, que ainda ostentava um curativo de papelão na janela desde que Yoongi, o filho deles, resolveu testar suas habilidades no beisebol e acabou acertando o vidro na semana anterior. Logo abaixo, a garagem dos Kims era o palco de mais um episódio do drama familiar matinal: o senhor Kim gesticulava com fervor enquanto dava mais um sermão em Seokjin, por motivos que Jungkook ainda não conseguira decifrar. E, claro, havia a senhora Hawasa, que travava uma batalha diária entre regar suas flores e convencer seu gato a não fugir para a rua.

No entanto, o "evento principal" do dia estava vinte minutos atrasado, e Jungkook já começava a batucar os dedos no parapeito, impaciente.

Aos dez anos, Jeon Jungkook era um garoto que se considerava muito à frente de seu tempo. Enquanto os colegas de classe perdiam horas discutindo sobre o último videogame lançado ou quem chutava melhor a bola, Jungkook tinha planos maiores: ele queria ser adulto o quanto antes. Ele era o tipo de aluno que sentava na primeira fila, estudava para dar orgulho aos pais e, acima de tudo, para impressionar o rapaz que acabava de dobrar a esquina.

Ao ver o vulto familiar, Jungkook saltou da poltrona com a agilidade de um atleta. Ele desceu as escadas em uma velocidade perigosa, ignorando o aviso da mãe sobre "não correr dentro de casa" e o cumprimento de Hoseok, que o chamou da varanda vizinha. Ele tinha um objetivo claro: o portão branco localizado quatro casas depois da sua.

Chegou ao muro recuperando o fôlego, ajeitou o moletom do Homem de Ferro — sua peça de roupa favorita e que ele acreditava lhe conferir um ar de autoridade — e passou as mãos nos cabelos para garantir que não parecia ter acabado de sair de um furacão. Estava nervoso; afinal, planejava aquele discurso há dias.

Park Jimin, ou "Minie" para os mais próximos, era um jovem de dezesseis anos cujo talento para a dança era o assunto da vizinhança. Ele era esforçado, passava as tardes em um estúdio próximo e já tinha toda a sua carreira planejada: faculdade, palcos e sucesso.

Ele caminhava distraído, repassando passos de dança mentalmente, quando foi despertado por uma voz infantil, carregada de uma seriedade quase cômica:

— Minie Hyung, você se atrasou hoje. Eu estava quase chamando a guarda.

Jimin sorriu. Ele achava adorável o modo como Jungkook o chamava de "Hyung" com tanta reverência.
O garoto dos Jeons era uma figura curiosa: educado, maduro demais para a idade e sempre com aqueles olhos atentos, como se estivesse estudando o mundo ao seu redor. Todos os dias, lá estava Jungkook esperando no portão apenas para trocar algumas palavras, sempre enrolando os dedos na barra da camisa por puro nervosismo.

— Peço desculpas, Kook-ah. O ensaio hoje exigiu um pouco mais de mim — respondeu Jimin, achando graça da expressão solene do pequeno. — Como você está? Não se meteu em nenhuma confusão com o Hoseok, espero?

Jungkook arregalou os olhos, negando com a cabeça tão rápido que quase ficou tonto, jurando que os boatos sobre a "confusão do mês passado" eram pura calúnia.

— Bem, eu preciso entrar agora, estou exausto — disse Jimin, já se despedindo. Mas, antes que pudesse dar o primeiro passo, sentiu um puxão firme em sua camiseta.

— Hyung, eu preciso dizer algo importante — o menino anunciou, olhando fixamente para ele.

Percebendo que não sairia dali sem ouvir o tal comunicado, Jimin sentou-se na beirada da calçada, convidando o garoto a fazer o mesmo.

— Então, Hyung... eu andei pensando muito — começou Jungkook, com a voz levemente trêmula. — Você é inteligente, é educado, não é chato como o Daniel da escola e é muito bonito. De verdade. Por isso, eu tomei uma decisão: eu quero me casar com você. Eu gosto muito de você, Hyung!

Jimin ficou em silêncio por um instante, surpreso com a sinceridade desarmadora do menino. Jungkook estava sério, esperando uma resposta como se estivessem selando um acordo diplomático.

Com toda a paciência do mundo, Jimin resolveu tratar o assunto com carinho. Ele conhecia Jungkook desde que ele era apenas um bebezinho com dentinhos de coelho e tinha um carinho genuíno por ele.

— Mas Kook, você ainda é muito jovem para pensar em casamento, sabia? — disse Jimin, tentando conter o sorriso. — Ainda precisa crescer muito, passar pela escola, pela faculdade...

— Eu sei disso, Hyung, eu não sou bobo. Mas você poderia esperar eu crescer só mais um pouco? Eu já estou quase lá!

Ao ouvir aquilo, Jimin não aguentou e abriu aquele seu sorriso característico que fazia seus olhos se tornarem dois risquinhos gentis.

— Está bem, Jungkook. Combinado. Eu vou esperar você crescer e, então, a gente conversa sobre esse casamento, certo?

O sorriso que iluminou o rosto de Jungkook foi o maior que ele já deu em toda a vida. Nem quando ganhou aquela enciclopédia gigante sobre "O Corpo Humano" — seu maior tesouro literário — ele se sentiu tão vitorioso.

— Prometido, Hyung! Eu também vou esperar por você.

Ali, sentados no meio-fio sob o pôr do sol, eles selaram uma promessa. Para Jimin, era uma memória doce de uma tarde de vizinhança; para Jungkook, era o início oficial de sua história de amor.

🌹 PROMESSA 🌹 Historias para obsesionarse. Descúbrelo ahora