Nenhuma palavra na tela, a maldita barra piscava sozinha, me olhando, me julgando. Parece estar me perguntando:
_ Vai escrever nada não? Pisca pisca pisca...
Isso é de propósito, por que raios não me deram um caderno? Nem acredito que isso foi ideia minha, e que eu que comprei esse maldito computador. Cheguei aqui vendado, onde quer que aqui seja. Eu não faço ideia de que horas são, segundo o computador são 02:21 da manhã, mas eu vejo a luz do sol passar pela fracassada tentativa de cobrir as janelas. Internet bloqueada, sem celular. E novamente fico sem palavras...
_ Vai escrever nada não? Pisca pisca pisca...
Quer saber? Saí de perto do computador, comecei a inspecionar o quarto, até que a cama é confortável.O piso é branco, o teto é branco, os móveis são brancos, a parede é cinza, mas por quê? Suponho que alguém já tentou subir pelas paredes. Agora são 02:44 e se a parede fosse branca eu subiria.
Tem uma TV! Mas sem controle remoto na mesa de cabeceira, desligada. Tem um relógio! Não, é um contador de algo, no momento o número no visor é 191, o que isso significa? 196.
_ Vai escrever nada não? Pisca pisca pisca...
A porta sim, me assusta um pouco, tem uma mini abertura em cima, na altura dos olhos, e outra um pouco maior embaixo. Parece as portas de solitária relatadas em filmes de prisão. Onde foi que eu me meti? O número do contador segue subindo.
Tem banheiro, itens para higiene. Após tomar um banho quente, abri a porta para voltar ao quarto, o vapor se espalhou pelo cômodo, deixando o prato de comida que surgiu na escrivaninha um belo feijão com arroz místico, misterioso.
_ Vai escrever nada não? Pisca pisca pisca...
_ Eu tô tentando!
A barra piscante me assiste comer, parece piscar mais rápido, mas é só eu nauseado, abraçado no vaso sanitário, começo a lembrar do motivo de estar preso aqui.
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Experimento 28
Short StoryUm escritor frustrado e preso. Por enquanto, é só isso... Me coloque em sua lista de leitura para receber mais informações...
