Capítulo 1 - Vida de crime

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" Vida de crime é assim, matar ou morrer
Não vale dar mancada o certo vai prevalecer
Aaah, eu não tive culpa não de ter nascido assim.
Deram um fuzil na minha mão eu furei os cana todinho.
Mãezinha sempre falou, tu puxo teu pai
Ele era bandido e matou polícia de mais.
Agora tu tá envolvidoooo
Le-levei a carga pro gerente hoje eu vou traficaaa."

O som do baile era de estremecer o campinho da favela. Tinha muita vadia doida pra se dar bem em cima de vagabundo, e muito vagabundo doido pra se dar bem em cima de vadia nova.

É como eu sempre digo: o combinado não sai caro!

Eu já tava charradão de lança doido pra ir pra casa, mas mal enxergava um palmo a minha frente, e por ordens do patrão eu ainda tinha três horas de plantão pra cumprir. Plantão qual não deveria ser mais responsabilidade minha desde que subi de cargo.

"- Passa visão do campinho LD." - O rádio toca e mal consigo ouvir por conta do som alto no ambiente.

- Campinho tá dois, mó paz, crime rola normalmente. - Respondo.

" - Tão solicitando sua presença na parte baixa." - ML late outra vez do rádio.

- Tem pá mais de cinquenta bico na favela, o que cês quer comigo? - Toco de volta.

" - Tu é o único gerente de plantão irmão, bota a cara e vem resolver a porra do caô, parceiro."

- É melhor tu falar direito pra eu não socar a porra desse rádio na tua guela e fazer ele sair pela tua bunda. - Dou o último toque.

" - La ele." - Ml me tira uma risada.

Respiro fundo... olho mais uma vez ao redor sem enxergar quase nada. O som já nem fazia mais sentindo na minha cabeça.

Atravesso o bico nas costas e mando um dos meus vapor me descer de moto. Eu não tô sabendo andar nem a pé.

A favela da rocinha como vocês sabem é a maior favela do Rio de Janeiro, e graças ao filho da puta do meu amado pai um terço dessa imensidão é todinha minha. Se vocês acham que eu escolhi a vida do crime, vocês estão certos. Não existe nada mais lindo do que estourar cabeça de pm e vacilão. Eu poderia até contar uma história bonitinha de um menino que cresceu pobre e só queria ajudar a mãe, mas a minha história não é bem assim não, a história aqui é completamente diferente...

- Só descer patrão, só não vou poder te esperar que tu ta ligado que a boca lá em cima raja em dia de baile. - Dnike me deixou na parte baixa da favela e voltou pra boca.

Do outro lado da rua, já na pista, era o k.o. Não precisei nem que ML me mandasse o endereço, muita gritaria, som de vidros sendo quebrados e uns quatro marmanjo de bico na entrada do barraco.

- Passa a visão, qual foi do estresse? - Cheguei sem rodeios.

- Então mano... - ML começou a explicar. - Tá ligado que o Serginho tá na boca comprando pó direto né? Tem pá de uns trinta dias que ele tá devendo quase trezentos real pra boca do juninho e nós veio cobrar.

Tudo que meu cérebro conseguiu acimilar foi: como esses idiotas deixam viciado pegar fiado na boca.

Respiro fundo... tiro minha pistola da cintura e dou um tiro pro alto. A gritaria encerra e eu passo a ser o centro das atenções naquele lugar.

Eu não estava com paciência.

Sérgio logo se desespera e vem de encontro aos meus pés, se ajoelhando e implorando pela sua vida.

- Que isso LD, eu te conheço desde que tu era moleque... v-vivia pra cima e pra baixo com teu pai... Por favor, me ajuda aí irmão... - Ele chorava e gaguejava como uma criança.

Um pouco mais distante, conseguia ver o vulto de sua família. Provavelmente esposa e filhos, um muito jovem pelo tamanho da sombra.

- Foi mal Sérgio... sacumé né? É o certo pelo certo, eu não posso mais passar a mão na sua cabeça.

O homem outra vez se desespera, dessa vez sua família chora em comunhão.

- Leva ele. - ML toma a frente de resolver o problema após o meu aval.

Dois vapor da boca do juninho pega Sérgio pelos braços, um de cada lado, o homem não se levanta, não reage, permite ser arrastado como um saco de merda.

- Vocês vão matar meu pai? - O menino que aparentava ter uns cinco anos apenas, se aproxima fazendo meu coração doer. - Por favor, me deixa pagar a divida no lugar dele, eu posso ser útil pra vocês. A minha mãe me disse que eu sou bem forte, porque eu como brócolis quase todos os dias e também sou muito inteligente.

- Robert volta pro seu quarto agora! - Uma mulher um pouco mais velha surge puxando o menino a força.

- O-o que vão fazer com o meu marido? - Sua esposa chorosa, quase não conseguia falar.

- Eles não vão fazer nada mãe, não se preocupe. - a mulher que antes surgira para brigar com o garoto, volta. - Bota meu irmão pra dormir eu já volto.

- Bia, aonde você vai minha filha? - a senhora novamente volta a se tremer.

- Pagar a dívida do papai e trazer ele pra casa. não se preocupa tá bom?

Ela acariciava sua mãe tentando passar tranquilidade. Ela estava calma, se mantia forte ao contrário de sua mãe.

Bia, da qual foi chama saiu pela porta da frente como um furacão, sem deixar que ninguém a impedisse.

- LD, por favor cuida da minha filha. Essa menina é doida, e quando põe uma coisa na cabeça não tem quem faça ela mudar de ideia.

Foi o último pedido de dona Rosa, antes que eu me retirasse sem dizer uma palavra.

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Boa noite meus amores!

Passando aqui pra deixar pra vocês o primeiro capítulo dessa história babadeira.

Espero que gostem, que curtam e comentem muuuito, para me inspirar a trazer novos capítulos.

Por enquanto estarei postando 2 capitulos por semana, Mas quanto mais vocês pedirem mais eu posto.

Espero que gostem.

Beijos, com carinho.

Naksu

Carga PesadaWhere stories live. Discover now