Está muito barulhento aqui.
Eu odeio isso.
A mesa onde sento fica posicionada na parede, bem do lado de uma das enormes janelas que minha sala possui, isso me agrada pelo fato de estar chovendo e eu simplesmente amar chuva.
Às vezes me pergunto o por que de eu ter ficado em uma turma tão barulhenta. Que saco.
Eu surpreendemente esqueci meus fones de ouvido em casa, o que impede que eu possa me distrair. Os meus colegas de classe não parecem saber o significado da palavra "Limites". Todos estão gritando, correndo por aí e simulando que estão fodendo uns aos outros.
No quadro que deveria estar escrito a matéria de ciências, agora está cheio de pirocas mal desenhadas e mensagens ofensivas.
Busco o professor com meus olhos e o encontro com as pernas pra cima apoiadas na mesa, de fone enquanto mexe no celular, como se a sala de aula não tivesse se transformado na porra de um Zoológico.
Suspiro frustrado pela quinta vez só nessa manhã. Eu queria ter ficado em casa... Encaro a chuva que cai forte lá fora. Eu deveria ter trazido um guarda-chuva pelo menos.
Meu olhar permanece na janela - Não há nada mais interessante que ela neste momento mesmo - fico como uma criança vendo qual gota de chuva irá deslizar mais rápido pelo vidro e vencer a corrida imaginária que me convenci que estão fazendo.
Escuto um barulho na cadeira que fica à frente de minha mesa, mas mesmo assim, não tiro meus olhos da janela.
- Eai Conny. - Uma voz feminina me chama. Não preciso de nem mais um segundo para identificar quem é.
- O que quer? - Minha pergunta pode parecer grosseira, mas meu tom de voz revela que não estou sendo rude, apenas direto, como sempre sou. Todos sabem que eu falo assim naturalmente.
- Vai ficar encarando a janela até quando? - Não desvio o olhar em nenhum momento sequer. Não estou interessado em nada além da chuva.
Isaac percebe minha falta de interesse em ter algum diálogo. Consigo ouvir um suspiro vindo da menor. Mais um barulho e noto um movimento brusco. Sinto a mesma se aproximando. Quando percebo, há fones de ouvido posicionados em minhas orelhas.
Reconheço a música que sai do aparelho, No friends de Cadmium. Finalmente ouso desviar o olhar na direção de seu rosto. Ela está sorrindo enquanto escora sua cabeça na palma da mão direita com o cotovelo na mesa.
- Por que?
- Por que o que? - Indaga de volta como se sua última ação não tivesse sido estranha.
Aponto com indicador na direção dos fones.
- Fique por enquanto, precisa deles mais do que eu. - Ela fala - Você não gosta de muitos barulhos ao mesmo tempo, principalmente quando são altos.
Me impressiono com o quanto Isaac é observadora. Nós nos falamos de vez enquando, mas nunca realizamos nada além de algumas conversas vagas. Ela é extroverdita e sempre fala o que vem à mente.
Problemática eu diria.
Mesmo sendo bastante sociável, eu venho percebendo o quanto ela é solitária. O que é bem irônico.
É comum vê-la conversando e fazendo piadas idiotas, mas na maior parte do tempo, está sempre isolada. Seja desenhando, falando sozinha ou os dois ao mesmo tempo.
Fico sem reação. Nunca me imaginei em uma situação como essa. É bem... Inusitada.
Balanço minha cabeça em afirmação e escoro-a no vidro gelado e embaçado. Levo um pequeno susto pela drástica diferença de temperatura entre minha testa e o vitral, mas logo me acustumo. O frio nunca me imcomodou e não acho que vá começar justo agora.
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Just pay attention
FanfictionIsaac é uma menina bastante sociável, mas na maioria do tempo é comum vê-la isolada. Ela é extremamente observadora, sempre foi assim, desde pequena. Conny, o típico aluno quieto que ninguém duvida que um dia chegue na sala, puxe um Fuzil M16 e co...
