O Caminhante Sobre o Mar de Névoa

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Seu feliz dia de casamento tem sido meu dia de luto
Aos seus olhos azuis, tive que me despedir
Meu descanso, onde se encontra descanso?
Se minha aflição morrerá em meu leito de morte

Inconcebível anjo, flores de laranjeira em sua tiara
Pronta para sua coroação e sua completa ruína
Seu imaculado vestido estará desonrado em vermelho
Enquanto a sorrir murchando estará a flor de sua virtude

Definhado em contos edênicos que vivenciei contigo
Meu coração extinguir-se com o fel de ilusões desfeitas
Ferido ao lutar contra meus pesares
Intocável devaneio exacerbado a me sucumbir

Parti em noite calma, abandonando a paz que encontrei em sonhos
Na ausência de relações, não conhecia a dor da vida
Da terra onde vim, deixo para trás meus dias em morte silenciosa
Destrutiva vida mortal transmuto em bálsamo espiritual

Travessia pelos campos ao crepúsculo, a primavera encerrou-se
Aos lírios, levem minha despedida quando parti-me
A felicidade vai começar agora? Não, nunca pode florescer para mim

Não tenho conhecimento de algum caminho, lar ou ao menos o fim
Não me sobrou descrença ou alguma esperança
Sendo errante do mundo, conduzido pelo guia do vazio
Ao destino está entregue a condução de minha existência

No vale da morte largo dias perdidos
Lembranças inocentes longínquas suspiro recolhendo
Subjugado por apegos primordiais de meu espírito
Doce infância nostálgica deteriora-se heroicamente com meus equívocos

A grandeza da natureza que me guiou desde a aurora
O rarefeito ar não confere com meu sufocamento por sentimentos rejeitados
Exuberante mãe que me ordenou divinamente
Que seu desconhecido me acolha com a mesma ternura que me imaginei naqueles braços

Comoção inóspita, paisagem frígida que acalenta
Caminho tortuoso que assemelha a seu andarilho
Em uma jornada solitária ao inverno que talvez nunca mais abra meus olhos,
Devo a ti mesmo entregar minha alma e tudo que representava?

Todas as montanhas altas, não há dois trajetos
Retroceda em tormento ou siga desnorteado
Na imensa distância que anseio das vidas passadas
Prostro-me às nuvens clamando misericórdia para prosseguir

Na magnitude soberana do mais alto pico
Sobre o mar de névoa a sepultura de fantasias mundanas
Um amor sem adeus cruza o percurso da vida
Ao se dissipar na altura das montanhas em nuvens passageiras

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⏰ Last updated: Dec 13, 2021 ⏰

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