(na multimédia, uma foto do JJ)
Mica POV
Só quando nos sentámos todos na sala, e depois de a Caterina ter ido adormecer o Princeton, é que eles me contaram toda a história. Fiquei pasmada a olhar para eles, e confesso que no início pensei que eles estavam a brincar comigo.
JJ: Acredita, o que nós te contámos é verdade.
JOSH: Nós não te íamos mentir sobre uma coisa tão grave.
Só passado algum tempo é que consegui reagir ao que tinha ouvido. E pensei no estado em que estaria a Filipa naquele preciso momento.
Eu sei que desde que ela e o George se conheceram que anda ali coisa. E na noite passada, quando o George nos foi pôr a casa, eu saí primeiro do carro de propósito para os deixar sozinhos, e pelos vistos aconteceu algo que eu não sei, pois dei conta de que ela ficou toda atrapalhada e mudou de assunto esta manhã. Eu até aposto que eles os dois começaram a sentir alguma coisa um pelo outro. Mas depois disto tudo? Não sei se ela vai aceitar o passado do George. Principalmente quando souber que também ela pode estar em perigo...
George POV
FILIPA: Até que o quê? Vocês foram apanhados?
EU: Sim...
Olhei-a nos olhos e tentei conter as lágrimas. O que lhe ia contar era grave. Muito grave mesmo.
FLASHBACK ON
Estava prestes a começar a corrida. Como sempre era eu que ia conduzir, contra um tipo que já tinha perdido contra mim várias vezes. Eu estava confiante, sabia que ia ganhar.
Era uma noite de verão, e estava imensa gente a assistir.
ISAAC: Oh puto, isto é para ganhar, okay? Apostei demasiado dinheiro e é bom que não falhes!
O Isaac era o chefe do gang. O mais perigoso de nós todos. Ninguém lhe desobedecia, e quem o fazia acabava sempre mal.
EU: Fica descansado! Sabes bem que eu nunca perco!
Entrei no carro e respirei fundo. Faltavam poucos minutos. Olhei pela janela do carro. O gajo que ia correr contra mim já estava dentro do seu carro e olhava para mim de lado. Percebi que ele estava furioso comigo por lhe ter ganho das outras vezes.
EU: 'Podes estar furioso mas sabes bem que vais perder outra vez' - pensei.
Acelerei. O ponteiro marcava 120 km/h. Senti que alguma coisa não estava bem, mas devia ser só impressão minha.
Vi a rapariga do costume colocar-se entre os carros para dar a partida.
Acelerei ainda mais. 160 km/h.
O lenço branco caiu no chão. Os dois carros arrancaram com uma velocidade imensa.
Eu ia à frente.
Ouvi sirenes de carros da polícia e percebi que estava em sarilhos. Mas mesmo assim não parei nem diminuí a velocidade.
O outro gajo vinha a uma grande distância de mim.
Eu estava a poucos metros da meta. Travei, mas os travões do carro não me obedeceram. Aquilo não era bom sinal.
FLASHBACK OFF
EU: Quando dei por mim já tinha saído da estrada. Eu tentava de tudo para travar o carro mas não conseguia...
FILIPA: Despistaste-te?
Tentei olhar para ela, mas não consegui. A desilusão no olhar dela era demasiado grande para eu a poder encarar.
EU: Acordei numa cama de hospital. Os médicos disseram-me que tinha sido operado à cabeça e à coluna e que não percebiam como é que eu tinha sobrevivido àquele acidente. Explicaram-me que o meu carro se tinha atravessado à frente do carro do outro gajo e que nos despistámos os dois, e que pegaram fogo. Disseram-me também que o outro gajo não sobreviveu. Percebi que estava metido em grandes sarilhos.
FILIPA: O que é que aconteceu depois?
EU: Tive que ficar mais de um mês no hospital. Enquanto lá estive, a polícia foi lá falar comigo. Tive que contar como tudo aconteceu, explicar como é que entrei para o gang e tive que dar o nome de todos os gajos que estavam metidos naquilo. Quando finalmente pude ir para casa, recebi uma chamada da esquadra a dizer que tinham apanhado o Isaac e mais alguns membros do gang...
FILIPA: E por que é que na noite da corrida não conseguias travar o carro?
EU: A polícia também me explicou que os travões do meu carro tinham sido cortados, e mais tarde descobriram que tinha sido o gajo do outro carro.
FILIPA: Mas não foste preso? Tu fizeste cenas muito graves...
EU: Apenas fui detido para prestar declarações sobre o gang. Claro que tive problemas com a justiça. Fui chamado a tribunal várias vezes, mas o juíz achou que eu não tive grande culpa naquela história toda. Eu não estava no gang porque queria. Eu podia gostar das corridas de carros, mas não era aquilo que eu queria fazer. Eu fui praticamente obrigado a fazer aquilo tudo. Quanto ao gajo que morreu na corrida, eu não tive culpa, tinha sido ele a cortar-me os travões antes da corrida.
Olhei para ela. Ela olhava-me nos olhos, sem conseguir dizer nada. Eu sabia o quanto ela estava desiludida comigo...
Filipa POV
Sinceramente eu não sabia o que lhe dizer. Aquela história tinha-me chocado imenso. Mas eu não o odiava, nem estava desiludida com ele, por muito estranho que isso possa parecer. Eu percebia que nada do que ele fez foi por opção própria.
EU: Eu não estou desiludida contigo.
Ele olhou para mim entre a admiração e o alívio, mas confuso.
GEORGE: Não?
EU: Não... Eu percebo que apesar de tudo tu não tiveste culpa.
Aproximei-me ainda mais dele e abracei-o. Foi tão bom senti-lo ali tão perto de mim...
GEORGE: Eu só estou com medo que eles venham atrás de ti...
EU: Eles quem?
Larguei-o à espera de uma resposta.
GEORGE: Aquele rapaz que estava a falar comigo no parque de estacionamento pertence ao gang. É o Richard, mais conhecido por Rick. Foi um dos que conseguiram escapar à polícia.
EU: E o que é que ele quer?
GEORGE: Quando o Isaac foi preso, o Rick juntou-se aos outros que escaparam e formou um novo gang. Desde que ele se tornou o novo lider desse gang que praticamente me persegue. Ele quer que eu entre para o gang. Até já me ameaçou... Acha que eu sei demais sobre eles e quer manter-me debaixo de olho. Já para não falar que eu dava muito lucro ao gang com as corridas de carros.
O meu coração deu um pulo. Fiquei com medo por ele... Fiquei com medo do que pudesse acontecer.
Acho que ele percebeu que eu não estava muito bem, e abraçou-me.
EU: Tu não vais ceder às ameaças pois não?
Ele largou-me e olhou-me nos olhos, hesitante. Percebi que ele não sabia o que responder.
Fiquei ansiosa e voltei a perguntar:
EU: Tu não vais ceder às ameaças, pois não?
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não há amores impossíveis (parte 1)
FanfictionDuas amigas de dezassete anos, Filipa e Micaela. Elas tinham o mesmo sonho: representação. E os pais delas, depois de muito falarem, concordaram em deixá-las ir estudar para uma das melhores escolas de artes em Londres. Lá, iriam poder estudar repre...
