2 - Manual para Atendimento ao Cliente

6.4K 981 803
                                    


Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.

Ela não é a única, mas preciso usá-la de exemplo

Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.

Ela não é a única, mas preciso usá-la de exemplo.

Gaia (ou... Maia?) é meio conturbada. Eu nunca estudei com ela, mas a conheço pela fama de ser insuportável. Ou melhor, por complementar a gangue de insuportáveis e um tantinho foras da lei. Alice Alvarenga, Sousa ao quadrado e ela. As três, vez ou outra, estão na boca do povo por fumar no corredor atrás das salas ou histórias que foram repassadas de uma pessoa para a outra — e que ninguém sabe a procedência, mas aumenta a fama.

Em resumo, ela tem uma fama de poucas palavras. É mal-humorada, sempre entra nas discussões por jogos nas aulas de Educação Física e uma vez xingou aos gritos (no meio do pátio) Rafael! Que é tipo... uma boa pessoa. Pelo menos, dá para ver que todo mundo gosta dele.

Agora pense nessa cena e lembre de como sou, socialmente falando. Quem sou eu na fila do pão? O que faz eu receber gentileza, se a pessoa mais gentil da escola não recebe?

As palavrinhas mágicas. Sim, elas mesmas.

Perder a melhor amiga em um acontecimento traumático.

Micaela não era daqui. Ela veio quando era bem nova, junto aos pais. Tinha um sotaque diferente e era contagiante. Eu sei lá como a gente se conheceu, mas éramos melhores amigas. Diferente de tudo, não há mais como conjugar no presente. Antes do ensino médio, ela viajou com os pais para a terra natal.

Não chegou lá. Nem passou das delimitações da cidade.

Em um acidente de carro morreram os três. Antes do natal. E foi... horrível. Não tinha ninguém na cidade que conhecia a família dela, as coisas ficaram circulando em uma velocidade e... depois de um momento, lá estava eu encolhida no chão do pátio tendo uma crise horrível.

Cena que se tornou frequente por um tempo.

O caminho mais rápido para o colégio que sempre foi pela rua da casa dela (que continua do jeito que está, já que ninguém veio buscar nada) se apagou da mente. Assim como as idas uma vez por mês no Dom Ketchup. No fundo, talvez eu fosse a pessoa mais próxima da família da cidade e não teve ninguém que pudesse me entender. Carregar um trauma sozinha, de tudo. É claro que a cidade sofreu. Foi um acidente trágico! Uma família inteira! Mas foi fácil seguir em frente.

Manual para Garotas (que gostam de garotas)Onde histórias criam vida. Descubra agora