Um Novo Começo

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ᅠNa manhã de 1 de setembro, embora fora do comum, as pessoas abrigavam-se nos quiosques rurais, ou aglomeravam-se sobre outras nas esplanadas dos cafés que logo cedo abriam. Todos estavam interessados no artigo que saíra na primeira folha dos jornais nessa manhã.
ᅠ-Deixe-me ler, por favor.
ᅠ-Francamente, o senhor tem a manhã toda para ler o jornal, só estou-lho pedindo emprestado por cinco minutos.
ᅠ-Eu leio-o porque foi do meu bolso que saiu o dinheiro para o pagar. Com licença. - disse o homem baixinho e que parecia um pug a quem tinham tirado o pequeno almoço. Todos se organizavam para ler a página do jornal matinal, sobre o internato que mais causou escândalo nos últimos meses.

 Todos se organizavam para ler a página do jornal matinal, sobre o internato que mais causou escândalo nos últimos meses

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ᅠ-Já viste pai, vai ter uma nova diretora. E eu bem disse que ela iria ser muito melhor que o antigo Sr. Umberg. Ela sim está preocupada com os nossos alunos. - dizia um finalista à mesa do pequeno almoço ao pai, transparecendo com clareza o brilho de seu olhar através das lentes dos seus óculos redondos.
ᅠ-Meu filho, quando cresceres vais aprender que por mais fascinante que um discurso parece aos nossos ouvidos, ele está lá para nos colocar na cabeça a mensagem que queremos ouvir.
ᅠ-Mas não é o que muitos dos pais querem ouvir. Da última vez que falei com o Sirius sobre isto, ele falou que todos os dias ao jantar os pais se queixavam desta nova diretora que estava para vir. Ele só não os contradizia porque não tinha paciência.
ᅠ-Ainda assim, meu filho. Tem cautela com os novos professores, e não te ponhas com a mania de que és o dono da sala de aula. - disse o Sr. Potter, abrindo a seguinte página do jornal, procurando distrair a sua mente novamente.
ᅠ-Até parece, pai. Não conheces o teu filho? Eu sou o melhor aluno daquela turma, acredita. Os professores é que são uma seca e não nos mantém interessados na sua aula. Só o professor de matemática o conseguia, e olha lá o esforço que ele fazia, mesmo que a sua maneira de ser engraçado e relaxado parecesse tão natural como este iogurte. - prontificou James, levando uma colher de chá da marca do seu iogurte preferido à boca.
ᅠ-Que eu saiba, a menina Evans, do 432 de Joy Street, é a aluna prodígio da tua turma.
ᅠO rapaz preparava-se para responder à sua mãe, que havia interrompido a conversa enquanto arrumava alguma louça nas prateleiras, quando foi surpreendido pela voz da sua irmã mais nova.
ᅠ-Mãe, porque foste falar dela? Queres deixá-lo triste no primeiro dia de aulas, antes mesmo dele a poder encontrar nos corredores? - comentou Jane, pausando dramaticamente o que falava por uns instantes. - Deixá-lo já a imaginar os esvoaçantes cabelos ruivos da Lily, seduzindo-o com os seus olhos de puro verde? - terminou ela, numa entoação forte e um gesto teatral levando as costas da mão esquerda à sua testa, enquanto a destra apertava o peito sobre o lugar o coração.
ᅠ-Tens cá uma piada, mas ficar caladinha que era bom, não ficas, né?
ᅠ-Como assim, James? Ela ainda não aceitou seu pedido para sair?
ᅠ-Ela? - perguntou num tom surpreso e retórico. - A Lily é capaz de ser uma das únicas pessoas neste mundo que não aceitaria sair com ele. A maioria das garotas quase o implora, achando que disfarça a sua intenção com aquelas vozes esganiçadas e forçadas. A Lily é das poucas que me entende e vê o troglodita que ele consegue ser.
ᅠEnquanto ria, Jane foi atingida por um pequeno pão redondo no rosto. James ficara agora mais vermelho do que quando Sirius lhe havia colocado picante a mais na comida. A mãe percebera o estado do filho, e levou todo o seu carinho para cima dele, num abraço e num beijo sobre o cabelo moreno e desalinhado.
ᅠ-Esse é o meu filho. Embora eu ache a menina Evans deveras encantadora, e com certeza um ótimo partido para ti, talvez valesse a pena conheceres outras moças, que podem te surpreender.
ᅠ-Obrigado pai, mas eu tenho a certeza que ainda vou conseguir conquistar a Lily. Tenho tentado não lhe prestar tanta atenção, embora seja difícil e goste muito de olhar para ela, principalmente quando está concentrada na aula.
ᅠ-Ah sim, em vez de entrar nas redes sociais dela 30 vezes por dia, entra agora só 29. Devagar se vai longe, maninho.
ᅠO vermelho que fervilhava nas bochechas de James passara de envergonhado para apaixonado, e novamente a envergonhado. A irmã, percebendo a resposta visual do maior, fez um pequeno beicinho com os lábios enquanto o olhava do outro lado da mesa. Então, a morena levantou-se da cadeira e correu à volta da mesa para o abraçar e lhe desferir uns quantos beijos leves e carinhosos no rosto.
ᅠ-Estou a brincar, maninho, não fiques com raiva, ok? Amo-te muito quando não és um chato.
ᅠEle então esboçou-lhe um sorriso escondendo os dentes e lhe retribuiu os beijos na testa. Jane levou o resto de seu pão na mão para ir buscar as suas malas. Quando ficaram os primeiros três sozinhos na cozinha novamente, outro assunto surgiu, por parte da Sra. Potter.
ᅠ-Filho, não sabes como me enche o coração ver-te a dares-te tão bem com a tua irmã depois de tudo o que aconteceu. Eu lembro-me de vos ver brigar por causa do comando da televisão, mas vejo agora uma notória maturidade por parte de ambos, e estou extremamente orgulhosa dos dois. Ela tem encontrado um refúgio em ti, e acho isso de muito valor. Penso que ela tenha o mesmo juízo que eu.
ᅠ-Depois do que aconteceu... eu não consigo sentir raiva dela de verdade, como eu já senti antes. Eu percebi que eu a poderia perder, e por mais chateado que eu estivesse com ela na altura, é impossível imaginar a minha vida sem a Jane, seja ela melhor ou pior.
ᅠ-E eu e a tua mãe ficamos felizes, James. Para nós é importante esse apoio da tua parte, pois talvez, mais ninguém conseguiria fazê-la sentir-se melhor, ainda que precise de ser acompanhada.
ᅠJane havia descido as escadas com duas das suas malas, as mais pesadas, e já se preparava para subir novamente e trazer o que restava.
ᅠ-James, temos hora para lá estar. Ainda tens as cuecas em cima da cama. Vai, despacha-te.
ᅠO mais velho arregalou os olhos, e saiu a correr limpando a boca das migalhas da torrada que comia. Em 10 minutos, estavam os quatro colocando as malas no porta-bagagens da carrinha da família, preparando-se para deixar as crianças no internato. Trajadas cada uma com o uniforme do respetivo chalé, entraram no carro e iniciaram a viagem até Saint Clark, com vista para um céu acinzentado e com poucas nuvens através da janela.

Dear JaneWhere stories live. Discover now