Capitulo 1

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Rio de janeiro, Segunda- feira, 18 de outubro de 2020, 23:45 ( horário de Brasília)

Caramba,  que dia longo, na verdade, que dias longos,  um plantão encima do outro, hospital abarrotado de gente, pouco material,  pouco profissional, muitas doenças,  minha vida tem sido assim desde que me formei,  entrei pra medicina por amor, pela adrenalina, por achar que conseguiria mudar o mundo, me frustrei quando não consegui e  decidi ficar feliz mudando o que eu posso mas para isso eu tenho que trabalhar o triplo, trabalho na rede pública do Rio de Janeiro,  tenho uma clínica onde atendo adolescentes grávidas de baixa renda e uma clínica particular de obstetrícia , trabalho 3 dias na rede pública e dois em cada clínica,  já deu pra entender que minha vida é uma bagunça ou vou ter que desenhar ?  Vida social igual a zero, vida romântica muito longe de existir, nos 3 dias que tenho de folga por mês uso pra dormir e maratonas de filme, não tenho tempo pra balada e festas, mas confesso que queria, nesse momento por exemplo eu estou dentro do meu carro dirigindo morta de sono e pronta para dormir durante três dias seguidos, por estar com sono tento prestar o máximo de atenção na rua e é nesse momento que forço a minha vista que reparo uma pessoa caída no chão, sem nem me lembrar que são 23:45 e eu posso ser assaltada, paro o carro e desço correndo.

- O que aconteceu? Está ferido?

Xxx: Sai daqui, eu tô bem.

Olhei pra sua perna e vi que ele não estava nada bem, tinha pelo menos 4 tiros na sua perna direita e se estiverem alojados no lugar errado, terá que amputar.

- Você está sangrando, não está nada bem, precisa ir pro hospital.

Xxx: Dona, se não sair daqui a senhora também vai acabar morrendo.

- Então vem comigo,  assim não morre nenhum dos dois.

Fiz de tudo pra ajudar ele a se levantar e ir até o carro, enfim consegui essa tarefa nada fácil.

- Tem plano de saúde?

Xxx: Estou com tiros na perna e a dona acha que eu tenho plano ?

- Sou médica, não vidente, já deve estar bom, pra tá falando gracinha.

Xxx: Tenho plano não e nem vou pra médico nenhum, me empresta teu celular e me deixa no pé do morro Cantagalo que já era.

- Não.

Xxx: Tá doidona?

- Se você não ver um médico pode perder essa perna e ainda corre o risco de estar acontecendo alguma coisa lá e dessa vez não ser só a sua perna que vai ficar perfurada.

Xxx: Não posso ir pra médico.

- Eu sou médica,  vamos pra minha casa, sem discussão.

Dirigi em silêncio por uns 10 a 15 minutos E cheguei na minha casa,  novamente a mesma burocracia pra conseguir tirar ele do carro, mas conseguimos, entramos e acendi as luzes.

Xxx: Barraco maneiro.

- Obrigado,  vamos ver essa perna, deita aí no sofá.

Xxx: Vai manchar.

- Depois eu lavo,  deita aí.

Ele se deitou e eu comecei a analisar as feridas,  por sorte dois tiros pegaram de raspão, o azar é que tinha uma bala alojada, pelo que reparei, fora do ligamento, ainda sim seria muito arriscado, limpei a ferida sob reclamações dele e dei os remédios que eu tinha em casa, continuei fazendo os curativos.

Xxx: Que que tu tava fazendo aquela hora na rua?

- Voltando de um plantão,  e você?

Xxx: Fugindo de uns cara.

O Alto do MorroWo Geschichten leben. Entdecke jetzt