Améllia
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Acordo cedo, ás 5:30 AM. Desde que minha mãe foi internada com um câncer terminal comecei a acordar todos os dias nesse horário para visitá-la. Ela é uma mulher forte, pelo menos é o que ela demonstra a mim e a todos; eu diria que ela é orgulhosa, mas não descarto que ela seja a mulher mais corajosa que eu conheço.
Desde pequena sonhava em ser como minha mãe; ninguém discordava dela, todos a respeitavam, todos admiravam sua coragem, seu jeito de ser e de tratar os outros... mas principalmente, admiravam sua beleza. Com seus 1,78 de altura, seus cabelos castanhos encaracolados na altura dos ombros e seus lindos olhos verdes, não havia uma só pessoa que não olhasse em sua direção quando passava. A verdade é que todos queriam ser como Candice Grant, todos queriam SER Candice Grant.
Fico ao menos cinco minutos ainda deitada, olhando para o teto na esperança de que aquilo tudo fosse apenas um pesadelo, na esperança de que ainda iria ter muito tempo ao lado da mulher que eu mais amo no mundo todo. Eu achei que já tivesse esgotado a minha cota de coisas ruins na vida, que não tinha como piorar, que a minha vida tinha desmoronado quando fui demitida do melhor emprego e o mais duradouro que tive; eu adorava aquele lugar, com seu cheiro de rosas, seus lustres grandes e brilhantes, tudo nas tons de branco e rosa pastel e aquelas vitrines repletas de roupas de modelos diferentes que eu mesma havia desenhado... mas sim, tinha como piorar, e piorou.
Levanto a cabeça e saio de meu transe olhando ao redor, para o minúsculo apartamento que minha tia havia me emprestado desde o meu fracassado fim na Rose's.
Caminho uns 7 passos até o banheiro e olho meu rosto no espelho que eu havia pendurado com um prego bem acima da pia. Já tive dias melhores.
Meu cabelo está incrivemente nojento, minhas olheiras estão sem dúvidas maiores que ontem, e minha pele parece a de uma adolescente que acabou de entrar na puberdade. Estou um caco. Sempre recebi elogios pela minha beleza, por ser a "cópia da minha mãe", mas isso era quando eu cuidava dessa beleza, agora, eu apenas cuidava da minha mãe e só me preocupava em proporcionar os melhores últimos dias que alguém poderia ter.
Tomo um banho rápido, visto uma calça jeans clara, uma camisa de botões lilás, calço um sapato de salto baixo, faço o mesmo coque que venho fazendo nos últimos cinco dias e saio para as ruas movimentadas de Manhattan.
Consigo pegar um táxi e chegar ás 6:00 no hospital, fazendo o possível para chegar na velocidade da luz ao quarto da minha mãe, mas sou barrada por uma mulher mais baixa que eu, com aparentemente 21 anos de idade e um crachar que tinha o seu nome, Julie.
- Você é a filha da Candice Grant né?! - Ninguém, em lugar nenhum, me chama de Améllia, apenas de "filha da Candice Grant", o que não é problema pra mim, sempre adorei ser chamada assim.
- Sim. - Respondo - Inclusive, se você me der licença, preciso ir até o quarto dela.
- Pode me mostrar sua identidade? - Mas ela sabe quem eu sou, por quê a identidade? Eu nem levava mais, já me conheciam ali dentro.
- Mas você sabe quem eu sou, pra quê precisa da identidade??
- Preciso confirmar seu nome no registro do hospital. - Ela não parece ser má pessoa, mas eu estou com pressa, com sono e estressada.
- Eu venho aqui todos os dias desde março, você não precisa confirmar nada, é só perguntar a qualquer idiota daqui.
- Me desculpe, são as regras.
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Estilo Manhattam
RomanceDepois da morte de sua mãe, a famosa super modelo da década de 60 Candice Grant; Améllia, uma bela moça de 25 anos se vê em completo desespero e decide começar a realizar o seu sonho que também era o maior sonho de sua mãe, começar sua própria marca...
