Escuto barulhos vindo de fora de minha casa, que estranho, não estou esperando visitas hoje.
Vou andando até a janela, que dava vista a uma floresta, e dou uma bisbilhotada e descobrir o que está fazendo tanto barulho neste dia tão calmo. Hoje está um dia, um tanto quanto, chuvoso. Lembro-me que desde que acordei estava chovendo, faz tempo que não chovia deste jeito aqui na cidade.
Ao checar o que estava lá fora, vejo uma garotinha.
Uma garota de cabelos cacheados e negros estava em frente á minha casa, enquanto brincava e fazia barulho. Não estou acostumada a ver crianças aqui, será que está perdida?
Ando até a porta em passos curtos, não estou apressada.
Olho para minha parede e vejo a foto de uma mulher, já idosa, com cabelos curtos e castanhos, com um sorriso estampado no rosto enquanto estava rodeada de crianças com aparência parecida. Era minha avó, lembro que na época eu tinha cabelos curtos e loiros e também um laço em minha cabeça.
Volto meu rosto para frente e continuo a andar, desta vez, mais rápido do que antes.
Chego na porta e giro a chave que estava presa em sua fechadura, logo abrindo e conseguindo enxergar a garotinha na frente de mim. A garota estava brincando calma, até que eu apareci, ela me viu e saiu correndo...
- é, sou mesmo muito antipática - dou risada mentalmente e fecho a porta, trancando-a novamente.
Ando pacificamente até meu quarto, mas ao chegar, vejo que em meu criado-mudo havia um tipo de diário antigo, me pergunto como isso veio parar em minhas mãos.
Pego o tal diário nas mãos sem hesitar e o abro na primeira página.
Diário: Página 1:
"Oh, que bom que finalmente encontrou meu diário, eu estava te esperando, viu?! Pois bem, este diário aqui é para você escrever coisas após sua sanidade já não servir para nada, não ninguém quer saber da vida pacata de uma mulher solteira e antipática, quero que escreva somente quando você não aguentar mais tal sofrimento.
Ps: E, quando este dia chegar, não hesite em escrever.
Com carinho, Dante Horizonte."
Huh? Dante Horizonte? Quem no mundo se chama Dante? E quem se chama Horizonte? Só pode ser um apelido, é claro. Mas... Por que alguém criaria um diário para pessoas loucas? É... Talvez um psicólogo, ou um possível cientista, sei lá?
Pego uma caneta em cima de meu criado-mudo e penso em escrever algo, mas não penso em nada. Como?
Dizem que não é bom seguir ordens de quem não te conhece, mas não sei porque, mas eu confio que este diário seja útil algum dia.
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ilusões
General FictionTodas as noites mal dormidas, todos os pesadelos, tudo. Tudo que eu, um dia, já senti... Tudo eu escrevi lá.
