Capítulo 1

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   Já havia se passado quase um ano desde o acidente. Faltava apenas um mês para o primeiro aniversário da tragédia que havia destruído a vida de Thomas. Ele não saia de casa a não ser que fosse pra trabalhar na lanchonete minúscula no centro da cidade, não fazia nada além de apenas existir dentro de sua casa suja e encarar uma enorme coleção de fotos de seu namorado que ele mesmo tinha espalhado pela sala, tudo que Luca um dia tocara estava exatamente no mesmo lugar, do mesmo jeito.
   Todos os estágios possíveis do luto já haviam sido atropelados por Thomas, dor, negação, barganha, raiva, mas até o momento atual nada havia ficado mais fácil, a vida ficou apenas mais cansativa e complicada com o passar do tempo. O problema para Thomas era que, ele, como a pessoa cabeça dura que era, entendia superar a situação , como esquecer da mesma , e ele nunca se permitiria esquecer os melhores anos da sua vida, nunca se permitiria deixar ir embora a lembrança de quão lindo o sorriso de Luca era, isso jamais aconteceria.
   O moreno jurava ainda conseguir ouvir a voz do namorado, ouvir os sussurros do mesmo, como se sempre estivesse tentando contar um segredo, ele se sentia estúpido, um fracassado, não conseguia sair dessa situação, e ao mesmo tempo não queria perder tudo o que havia construído, não queria perder aquele sentimento, aquele amor. Por esse motivo, ele havia estagnado sua vida, não tocava mais teclado, na última tentativa caiu em prantos, pois era umas das coisas que Luca mais gostava de fazer, ouvir ele tocando, ouvir suas músicas, sua voz, Thomas não poderia fazer isso, sua música era praticamente feita para Luca, para mais ninguém, nem pra ele próprio.
   Depois dos primeiros três meses Thomas desistiu de tudo e de todos, seus amigos ainda se esforçavam para tentar ficar próximos dele, para lhe dar força, mas Thomas não queria saber de nada nem de ninguém. Seu mundo depois da morte do namorado era apenas existir naquela sala imunda, fumar o máximo de cigarros que pudesse por dia, e desprezar qualquer ato de pena e caridade que era direcionado a ele.
   Um dos seus amigos que mais insistia em estar presente em sua vida era Max, ele se obrigava a estar na casa de Thomas pelo menos uma vez por semana, o moreno acreditava que Max apenas ia pra sua casa pois tinha medo que Thomas se matasse, o que nos primeiros meses de seu luto, foi algo que o mesmo considerou bastante convidativo, mas não foi corajoso o suficiente para fazê-lo.
   Max além de tentar deixar o andar de baixo da casa de Thomas arrumado também tentava entreter o mesmo, o que era praticamente impossível, o mais novo trazia jogos, doces e comidas gostosas para ele, porém Thomas se negava a fazer qualquer coisa além de existir como uma bola de feno que se movia de acordo com o vento.
   Max era uma pessoa muito insistente e decidida, Thomas admirava isso nele, tanto quanto achava irritante. Seus outros amigos, Jonathan, Victor, Lily e Jules também tentavam se manter presentes, mas com muito menos frequência que Max, eles se afastavam de Thomas a cada vez que o mesmo era grosso e ignorante com eles, o que era bem frequente. O único que passava por cima disso era Max, que respondia as grosserias e tentava botar Thomas no seu devido lugar, diferente dos outros, ele não tinha pena do moreno, talvez um pouco, mas não o suficiente para permitir que o mesmo fosse um pé no saco 24 horas por dia.
   Thomas estava sentado em seu sofá, com um cigarro na boca encarando o ventilador de teto, que já não funcionava faziam meses, e estava ali aparentemente apenas como decoração, já que não tinha utilidade nenhuma a um bom tempo, assim como Thomas. Ele estava com o cabelo preso em um pequeno coque, não por estilo, mas sim pelo simples fato de já não lavar seu cabelo a dias e o único jeito de o mesmo ficar descente era prendendo ele.
   O cigarro em sua boca já era o décimo do dia, e era apenas uma hora da tarde, o que seria menos pior, se Thomas não tivesse acordado as dez. Ele esticou sua perna e apoiou a mesma na mesa de centro da sala, ela estava coberta de pratos sujos e copos, latinhas de cerveja e de refrigerante, que eram a base da dieta extremamente saudável de Thomas. O moreno se esticou para tentar alcançar o pequeno móvel que ficava próximo da outra ponta do sofá, numa tentativa de alcançar o controle da TV, quando repentinamente ouviu um barulho.    Primeiramente ele não ligou, pegou finalmente o controle, uma pequena vitória para seu dia, e ligou a TV, porém, quando a tela começou a brilhar, ele ficou paralisado, percebeu que o barulho continuava, constante, quase como se fosse algo proposital. Era um tilintar baixo, como se algo pesado estivesse esbarrando em algo de metal, ele pensou em ignorar, podia ser apenas algumas panelas encostando umas nas outras no suporte da cozinha, algo normal, o vento poderia fazer isso acontecer facilmente. Foi então que Thomas parou para pensar de novo.

-Não tem vento... -Ele disse para si mesmo com o cigarro entre os lábios.

   Numa casa completamente fechada, onde o único ventilador do andar de baixo não funcionava, nada se mexia por causa do vento naquele lugar, nem sequer os tufos de poeira localizados sobre a mesa da sala de jantar, tudo era sempre estranhamente quieto e parado, Thomas teve certeza nesse instante de raciocínio que havia algo de errado em sua casa.

   Ele levantou vagarosamente, apagando o cigarro num copo que tinha algum líquido pela metade e jogando o mesmo ali dentro. Caminhou devagar na direção da cozinha, era de lá que o som vinha, ele tinha certeza. No caminho ele pegou a primeira coisa que viu, uma vassoura, que estava tão empoeirada quando as prateleiras da sala, ele a segurou firmemente e continuou andando até seu destino, na realidade, era um caminho bem curto do sofá até a porta da cozinha, mas essa ansiedade que estava comandando seu corpo parecia fazer com que os 5 passos que ele tinha que dar para chegar à cozinha fossem 5 quilômetros.
   Finalmente, sua longa caminhada teve um fim, ele parou estático na porta da cozinha, encarando o minúsculo quadrado com atenção, nada de diferente era notável ali, talvez realmente fosse o vento, nunca se sabe, a casa parecia ter vida própria as vezes, ou podia ser um rato andando por ali esbarrando em algo, ele estava decidido de que não era nada, até que ouviu algo, ou melhor, não ouviu nada, ele percebeu que o som da televisão parou repentinamente, como se tivesse sido desligada, sequer olhou pra trás, olhou com o canto dos olhos para a direção da sala e não viu nada, respirou fundo, e quando seu olhar voltou a cozinha percebeu algo diferente, algo pendurado no suporte de panelas no meio da cozinha. Talvez nem tivesse realmente diferente, talvez aquilo já estivesse ali antes, mas naquele momento, a atenção de Thomas foi focada diretamente no objeto.
   Ele caminhou na direção do suporte, vagarosamente, como se ele estivesse andando em um campo minado, mas seus olhos não desfocavam do objeto estranho pendurado ali, no meio das panelas, como se aquele fosse realmente o seu lugar, como se ele sempre estivesse ali mas não haviam reparado. Quando reconheceu o que era Thomas parou, seus pés não se mexiam, ele podia jurar que não estava mais respirando, podia jurar que seu corpo havia acabado de virar uma pedra de gelo e que nunca mais ia se mover novamente. Mesmo estando presente e vendo o cordão pendurado ali, não conseguia acreditar, queria pensar que estava chapado ou que era uma brincadeira de mal gosto de alguém, "mas quem faria isso?" Ele se perguntou mentalmente, sem tirar os olhos do cordão.
   Como se ele estivesse derretendo sentiu suas mãos suadas, aquela pedra de gelo que ele havia se tornado foi embora, transformando ele em apenas uma pessoa extremamente tensa encarando um cordão de prata. Ele deu um passo a frente, depois mais um, e então parou, cara a cara com o pingente do cordão, um pequeno L de prata, ele esticou sua mão e pegou o pingente com delicadeza, como se o mesmo fosse ser estilhaçado se ele apertasse com muita força, ele tirou o cordão do suporte de panelas e o encarou em suas mãos, sentia as mesmas tremendo levemente, tentava respirar fundo mas sentia que seu corpo inteiro estava estático , ele tinha a impressão de que tudo a sua volta se movia vagarosamente, menos ele e o cordão, ambos estavam congelados no tempo.
   Aquele era o cordão que Luca mais usava, mas o que ele estava fazendo ali? Quem o havia colocado ali?

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Então, esse foi meio que um piloto sabe, para saber se está agradando, se acham melhor um texto maior, um texto menor, se acham cansativo um texto com muitas descrições e etc, deixem aqui seus comentários dizendo o que acham, eu provavelmente irei postar essa história inteira de uma vez, mas vou lançar esse primeiro para saber se essa história interessa vocês e se a minha escrita está agradável, mesmo que você seja a única pessoa que visualizou essa história é muito importante para mim a sua opinião. :) (e caso encontre erros de português ou digitação, fique livre para me avisar por favor.)

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